A forma de energia mais limpa que existe é a nuclear, diz Alberto Feitosa

Fillipe Vilar
Cadastrado por
Fillipe Vilar
Publicado em 19/10/2019 às 19:44
Alberto Feitosa (Foto: Reprodução)
Alberto Feitosa (Foto: Reprodução)
Leitura:

O deputado estadual Alberto Feitosa (Solidariedade) foi entrevistado neste sábado (19) no programa 20 Minutos, da TV Jornal. Ele conversou com o cientista político Antônio Lavareda sobre a possibilidade de instalação de uma usina nuclear em Itacuruba, no Sertão de Pernambuco. O parlamentar é o principal defensor do tema na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

O Ministério de Minas e Energia tem feito estudos para a implantação de seis usinas nucleares no Brasil. A cidade sertaneja pode ser uma das candidatas a receber o empreendimento. Contudo, Pernambuco não pode, por lei, ter esse tipo de usina, graças ao Artigo 216 da Constituição Estadual.

"É a forma mais limpa de geração de energia elétrica, sobretudo com a capacidade que tem uma usina nuclear. Se os ambientalistas querem se preocupar com emissão de gases poluentes, eles tem que defender a  instalação de usinas nucleares", afirmou.

Feitosa alegou que energia nuclear é mais eficiente do que a eólica e a fotovoltaica. "Elas são limpas, porém intermitentes. Dilma [ex-presidente do Brasil] tentou estocar vento e não conseguiu essa tecnologia", ironizou.

Questionado sobre o impacto de acidentes como o da usina nuclear de Pripyat, em Chernobyl, e de Fukushima, no Japão, o parlamentar continuou sua defesa. "A matriz energética que menos matou no mundo foi a nuclear. Se for analisar, milhões morrem por ano por emissão de gases tóxicos. Não existe energia mais poluente que a que queima fóssil. Houve um acidente na China, o rompimento de uma barragem de usina hidrelétrica,  que matou mais de 23 mil pessoas", afirmou Feitosa.

"Existem no mundo 444 usinas nucleares gerando energia limpa, com o máximo de segurança. Os estudiosos dizem que é mais fácil cair um meteoro na cabeça de alguém do que ser atingido por radiação, então é seguro", continuou.

"A Alemanha desativou 4 de suas usinas nucelares, depois do acidente de Fuskushima, e investiu 580 bilhões de euros em  energia eólica e fotovoltaica. Só que essas energias são intermitentes. Num pais em pleno desenvolvimento, é preciso a continuidade da oferta de energia. Quando tiver dificuldade de sol e vento, ou baixa nos reservatórios das hidrelétricas, aí você [com a nuclear] pode ter uma matriz de energia que funciona ininterruptamente por até 60 anos", argumentou o deputado.

Segundo Feitosa, Pernambuco pode arrecadar R$ 800 milhões anuais com a instalação da usina nuclear. A cidade de Itacuruba, ainda de acordo com o parlamentar, arrecadaria R$ 160 milhões por ano. "Imagina a revolução do ponto de vista social, do conhecimento. Serão 15 mil pessoas na obra, salário médio de R$ 5 mil, morando naquela região de Floresta, Itacuruba, Belém de São Francisco, adquirindo imóveis, pagando IPTU, consumindo energia, nos supermercados", imaginou.

Governo decidido

Para o deputado, o governo federal está decidido a implementar a usina em algum ponto da região Nordeste. "No dia 30 de setembro, foi publicado um comitê com membros do Ministério do Meio Ambiente, o de Minas e Energia, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Comunicações", afirmou.

"Itacuruba aparece como possibilidade desde 2010. Em 2011, o governador Eduardo Campos (PSB) anunciou isso para a mídia. Se não for para Pernambuco, vai para a Bahia, ou Alagoas, porque é só atravessar o São Francisco", explicou o parlamentar. 

Feitosa afirma que a população de Itacuruba e da região do entorno precisa ser convencida dos benefícios do investimento. "É preciso fazer audiências públicas. A população recebe informações de um ativismo irresponsável, que aborda o tema de forma alarmista e sensacionalista", avaliou. 

"É o mesmo que querer desativar o aeroporto porque um avião pode cair", disse o deputado. "Proponho a criação de um Fundo de Garantia Social, como o da Dinamarca, onde cada cidadão da região vai receber um fator para benefício dele ou em terceiro, para educação ou saúde, ou para fins de previdência social. Na hora em que ele pensar que um filho dele que está ali, na luta da plantação, na seca, vendo os filhos virarem retirantes, ele vai ver que a vida dele pode mudar. Ele vai ver o comércio explodir, vai ter possibilidade de emprego. Um equipamento desse vai gerar seis mil empregos diretos e 19 mil indiretos", afirmou.

Sobre a legislação de Pernambuco, que impede a construção da usina, Feitosa apresentou uma Proposta de Emenda a Constituição (PEC) Estadual. "Assim teremos a possibilidade de estudos para fomentar a geração de energias com matrizes nucleares. A aceitação do tema na Alepe eu diria que hoje é meio a meio. Vamos avançar nas conversas", disse.


Últimas notícias