Associação dos Delegados da PF cobra ao Congresso aprovação de mandato para diretor da corporação

José Matheus Santos
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José Matheus Santos
Publicado em 24/04/2020 às 10:34
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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O presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, cobrou aprovação de lei por parte do Congresso Nacional instituindo mandato para o cargo de diretor da PF. Atualmente, a nomeação do cargo é de competência do presidente da República.

Na avaliação de Edvandir, as trocas geram instabilidades dentro da corporação. A declaração se deu no contexto da possível saída do ministro da Justiça, Sergio Moro, do governo após o presidente Jair Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, nesta sexta-feira (24).

"A repercussão é imensa, mas já era uma troca esperada desde o ano passado quando o governo afirmou que pretendia fazê-la. O cargo de diretor-geral da Polícia Federal não tem autonomia. Por isso, seria importante um mandato para o diretor geral da PF, como tem o FBI e outras polícias do mundo por exemplo", disse Edvandir Paiva, em entrevista à Rádio Jornal.


"Entendo que é necessária uma aprovação (por parte do Legislativo) nesse sentido", acrescentou.

Em relação a prováveis substitutos de Moro, o presidente da Associação dos Delegados da PF não quis elencar nomes e classificou escolhas para o cargo como de cunho político.


"Não temos nome ideal. A escolha é política, do presidente Bolsonaro. O ministro Moro, por mais que seja um técnico, a partir do momento em que ele se tornou um ministro da Justiça, ele se tornou um político. A gente deixa para o mundo político a escolha do ministro. Nos preocupamos com a PF porque é uma polícia do estado e não deveria estar em uma situação dessas de desproteção. São 4 diretores em 3 anos e não há empresa que consiga desenvolver um trabalho com tranquilidade sem o mínimo de previsão", frisou Edvandir Paiva.

"O novo diretor que será nomeado nas próximas horas certamente também não terá garantia", disse Paiva.

O presidente da ADPF disse que não teme por interferências em investigações da Polícia Federal.

"Não temo por investigações, eu temo pela PF ficar sob especulação diuturnamente. A cada momento que tem uma troca, isso prejudica a imagem da Polícia Federal sobre regularidade da investigação porque gera dúvidas e especulações sobre o trabalho", disse.

"Como não temos proteção na Legislação, sempre passamos por essas desconfianças. Temos uma cultura institucional muito forte, e qualquer movimentação de eventuais interferências em investigações denunciaremos em público", frisou Edvandir.

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