Trabalho de garis fortalece combate à Covid-19, mas categoria pede ajuda da população sobre riscos de contágio

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Publicado em 16/05/2020 às 8:30
João Antônio Neto trabalha como gari há 43 anos e sente-se realizado na profissão - Foto: Priscila Urpia/Divulgação
João Antônio Neto trabalha como gari há 43 anos e sente-se realizado na profissão - Foto: Priscila Urpia/Divulgação
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O alerta imposto pela pandemia do novo coronavírus, causador da Covid-19, tem mobilizado uma imensa classe de profissionais na luta contra a propagação da doença no mundo. Considerados essenciais neste período de isolamento, assim como os trabalhadores da saúde, milhares de garis têm atuado na linha de frente de combate ao vírus, somando-se à extensa lista de profissões que não podem parar neste momento

João Antônio Neto, 61 anos, é um desses profissionais e seu cotidiano se confunde com a realidade das milhares de pessoas que compõem a categoria em Pernambuco. Morador do bairro de Pau Amarelo, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, João acorda às 2h da madrugada para não chegar atrasado à empresa em que presta serviço, localizada na capital, a 24 km de sua casa. 

João Antônio Neto é um dos milhares de profissionais que estão na linha de frente no combate à covid-19 - Foto: Priscila Urpia/Divulgação

“Tenho que pegar um ônibus às 4h da manhã para poder chegar no Terminal Pelópidas Silveira, no centro de Paulista. De lá, pego outro para chegar no trabalho, por volta das 5h20, mas a gente só bate o cartão mesmo às 6h20. Sou acostumado a acordar cedo desde pequeno. Prefiro chegar essa hora do que me atrasar, porque nunca gostei de chegar em cima da hora. É bom porque dá para vestir a farda com calma, conversar e tomar um cafezinho tranquilamente”, relata.

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Um dos garis mais antigos do Estado, João atua na profissão desde 1977, quando perdeu seu primeiro emprego numa fábrica. Com a experiência de 43 anos no currículo, ele não se vê em outro trabalho, sempre gostou do serviço e até hoje, mesmo com os riscos da pandemia, sai todos os dias de casa agradecendo e pedindo ajuda divina para se proteger da contaminação. “A gente tem nossos cuidados, mas sempre pedimos a Deus para que não aconteça nada. Usamos luvas, máscaras, mas nossa maior proteção é Jesus Cristo, porque a quantidade de gente que anda pegando a doença não é brincadeira”, confessa.

Com 61 anos, João Antônio Neto é um dos garis mais antigos de Pernambuco - Foto: Priscila Urpia/Divulgação Com 61 anos, João Antônio Neto é um dos garis mais antigos de Pernambuco - Foto: Priscila Urpia/Divulgação

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de Pernambuco (Stealmoaic), existem 15,8 mil garis em atividade em Pernambuco. Desse total, 2,7 mil profissionais atuam na linha de frente da limpeza no Recife e Região Metropolitana. O presidente da Força Sindical de Pernambuco, Rinaldo Júnior, explica que a importância da categoria torna-se ainda mais evidente durante a quarentena e reforça a homenagem ao Dia do Gari, celebrado neste sábado, 16 de maio.

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“O gari é um profissional de extrema necessidade porque são eles que tomam conta do serviço de limpeza, sendo responsáveis pela separação e coleta do lixo das cidades. É um profissional essencial não só no Dia do Gari ou durante a pandemia, mas também todos os dias. Neste período, a gente enxerga de forma ainda mais clara o quanto ele é importante para a sociedade, porque se eles pararem, a conservação da limpeza das ruas também deixa de existir e a proliferação de doenças oriundas de lixo orgânico ou hospitalar seria enorme”, ressalta. 

Perigos

Ao lado do papel fundamental dos garis nos 185 municípios do Estado, a população também precisa estar engajada na luta contra a Covid-19. Administrador do Stealmoaic, Rinaldo Lima conta que, apenas no Recife, mais de 30 profissionais foram afastados das atividades por suspeita ou confirmação da doença. Ele alerta que o descarte irregular de material contaminado tem contribuído muito para a propagação da doença, pondo em risco o trabalhador e sua família.

“Nesse período de pandemia, a população tem colocado as máscaras descartáveis no mesmo saco do lixo orgânico, que é o resíduo do dia a dia, quando, na realidade, não se deve fazer isso. A probabilidade de o gari se contaminar quando pega esse lixo é muito maior. O ideal é que esses produtos com risco de contaminação sejam colocados em sacos separados, de preferência com cores diferenciadas, porque o gari já sabe aquele lixo tem que ser pego de uma forma mais cuidadosa”, recomenda o administrador, lembrando ainda que o sindicato tem reforçado constantemente dicas de segurança para garantir a saúde dos profissionais.

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