Intenção de consumo do pernambucano tem o maior recuo da série histórica em maio

jamildo
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jamildo
Publicado em 28/05/2020 às 13:07
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O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) Pernambucanas, indicador utilizado para medir a avaliação que os consumidores em Pernambuco fazem sobre aspectos importantes da condição de consumo, como a sua capacidade de consumo, atual e de curto prazo, nível de renda doméstico, segurança no emprego e qualidade de consumo, presente e futuro, voltou a cair em maio de 2020.

De acordo com a Fecomércio, o indicador serve como um antecedente do consumo, a partir do ponto de vista dos consumidores, desta forma, crescimentos (redução) no indicador significam um aumento (queda) no consumo das famílias para o período indicado.

O índice variou -14,2% no comparativo mensal, maior recuo da série histórica iniciada em 2010.

Conforme a avaliação da entidade, a queda reflete a atual situação crítica pela qual passa o consumo no estado de Pernambuco, onde grande parte das famílias tiveram uma maior restrição em sua renda, seja pela queda no faturamento dos negócios, com o fechamento de grande parte do comércio, redução de jornada de trabalho, demissão e do lado da informalidade a falta de fluxo de pessoas para continuar vendendo.

Eles observam que mesmo aquelas pessoas que não foram tão afetadas pela atual conjuntura, tiveram o nível de consumo reduzido por influência da atmosfera mais conservadora, que cria incentivos para direcionamento na compra de quase que exclusivamente de bens essenciais.

Pesquisas de mercado já apontavam uma redução na intenção de consumo para o período, com a grande parte da população evitando compras com valores médios altos, como os de bens duráveis, e com o pagamento sendo mais efetuado crédito, o que confirma um orçamento mais restrito que nos 3 meses anteriores.

"Nem mesmo a comemoração do dia das mães, segunda data mais importante para o comércio em termos de faturamento médio, foi capaz de evitar uma queda brusca no consumo das famílias", destacam.

Outro ponto que também não mostrou força suficiente para segurar o consumo, mas tem a sua importância para a manutenção das compras de produtos essenciais, foi o auxílio emergencial de R$ 600 disponibilizado pelo governo para a população de renda baixa e que se encontra mais vulnerável no atual cenário econômico.

O resultado dá continuidade a uma sequência de recuos na avaliação das famílias pernambucanas sobre o nível de consumo. O número de 71,6 pontos se encontra na zona negativa, abaixo dos 100 pontos, sendo é o menor patamar do índice desde dezembro de 2017, quando a avaliação ficou em 71,5 pontos. Quando se analisa por classe de renda, verifica-se que ambos os grupos, os que possuem renda abaixo e acima de 10 salários, mostram queda no nível de consumo. Os de menor rendimento continuam na zona negativa com 68,9 pontos, já a população que possui um maior patamar de renda, apesar da queda de 12% em maio, continua na zona positiva com 101,0 pontos. Para os mais pobres o cenário é bastante adverso, mesmo com disponibilidade do auxílio, pois o desemprego cresce, além de itens pontuais no grupo de alimentação e bebidas apresentarem pressão nos preços.

Na análise por indicadores, as maiores quedas, no comparativo mensal, se encontram com as avaliações das famílias pernambucanas em relação à “Perspectiva profissional” e o “Momento para duráveis”. O recuo do primeiro reflete piora na sensação de segurança dos que continua empregados, além de apontar uma projeção de maior dificuldade para retornar ao mercado pelos que já perderam seus empregos. Já o alto decréscimo do segundo é ancorado pelo movimento de consumo mais conservador, que evita bens mais caros como os duráveis. Os demais indicadores como “Emprego atual”, “Renda atual”, “Compra a prazo”, “Nível de consumo atual” e “Perspectivas de consumo” também mostraram recuos significativos.

A entidade destaca que o movimento de recuperação do nível de consumo das famílias já se mostrava lento e resistente antes da pandemia da covid19, ainda um reflexo do mercado de trabalho bastante deteriorado no estado. Para o mês de junho se espera uma intenção de compras igual ou menor que em maio, visto que existe uma expectativa de continuidade nas medidas de isolamento e restrição do setor produtivo, fazendo com que mesmo com o período apresentando duas datas importantes, o consumo venha a continuar frio.

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