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Ex-advogado de Bolsonaro e advogados de Lula e Witzel são alvo de buscas em investigação supostos desvios no Sesc, Senac e Fecomércio do Rio

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 09/09/2020 às 8:48
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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O Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quarta-feira (9), a “Operação E$quema S” para cumprir 50 mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas, escritórios de advocacia e outras empresas investigadas por suposto desvio, entre 2012 e 2018, de cerca de R$ 355 milhões do Serviço Social do Comércio do Rio (Sesc RJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Rio (Senac RJ) e da Federação do Comércio do Rio (Fecomércio/RJ).

Entre os alvos das buscas estão o advogado Frederick Wassef, que já defendeu o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Jair Bolsonaro, o advogado Cristiano Zanin, que representa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a advogada Ana Tereza Basilio, que defende o governador afastado do Rio Wilson Witzel.

Frederick Wassef. Foto: Reprodução/TV Globo

O Ministério Público Federal afirma que, entre 2012 e 2018, o Sesc, o Senac e a Fecomércio do Rio teriam destinado mais de 50% do seu orçamento anual a contratos com escritórios de advocacia.

Agentes da Polícia Federal também têm como alvos escritórios de parentes de ministros do STJ e do TCU no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. Entre eles firmas do ex-ministro César Asfor Rocha (STJ) e seu filho Caio Rocha, os advogados Eduardo Martins (filho do presidente do STJ, Humberto Martins) e Tiago Cedraz (filho do ministro do TCU Aroldo Cedraz).

Ao todo, aproximadamente 170 policiais federais dão cumprimento a 51 mandados de busca e apreensão em seis estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Alagoas, Ceará e Pernambuco. No Recife, foi cumprido um mandado de busca e apreensão em um escritório de advocacia no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul da cidade. O nome do local não foi divulgado.

A denúncia, já aceita pela Justiça Federal, aponta ao menos R$ 151 milhões foram desviados em esquema liderado por Orlando Santos Diniz, ex-gestor das entidades e delator, e também por Marcelo Almeida, Roberto Teixeira, Cristiano Zanin, Fernando Hargreaves, Vladimir Spíndola, Ana Tereza Basílio, José Roberto Sampaio, Eduardo Martins, Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo. Os 11 foram denunciados por organização criminosa, indicou a Procuradoria.

Foto: Jedson Nobre/Acervo JC Imagem

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, o esquema incluía ‘o uso de contratos falsos com escritórios daqueles acusados ou de terceiros por eles indicados, em que serviços advocatícios declarados não eram prestados, mas remunerados por elevados honorários’.

“As apurações comprovaram que Diniz era persuadido pelos integrantes da organização criminosa no sentido de que novos contratos (e honorários) eram necessários para ter facilidades em processos em curso no Conselho Fiscal do Sesc Nacional, no TCU e no Judiciário. Como os contratos eram feitos com a Fecomércio/RJ, entidade privada, o seu conteúdo e os seus pagamentos não eram auditados pelos conselhos fiscais do Sesc e do Senac Nacional, pelo TCU ou pela CGU, órgãos que controlam a adequação dos atos de gestão das entidades paraestatais com a sua finalidade institucional”, disse o MPF em nota.

As medidas de busca e apreensão foram autorizadas pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

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