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Prefeito e vice-prefeito de Agrestina são presos em operação da Polícia Federal contra supostos desvios de recursos públicos

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 10/09/2020 às 8:28
Prefeito de Agrestina, Thiago Nunes (esquerda) e o vice Zito da Barra (direita) - FOTO: PREFEITURA DE AGRESTINA
Prefeito de Agrestina, Thiago Nunes (esquerda) e o vice Zito da Barra (direita) - FOTO: PREFEITURA DE AGRESTINA
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A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (10), o prefeito de Agrestina, Thiago Nunes (MDB), e o vice, Zito da Barra (PSDB), em operação realizada na cidade.

As prisões fazem parte da terceira fase da Operação Pescaria, que mira desarticular uma suposta organização criminosa especializada no desvio de recursos públicos na Prefeitura de Agrestina.

A PF apura supostos crimes de organização criminosa, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Thiago Nunes e Zito da Barra tiveram os mandatos cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) em junho. Mas os gestores foram beneficiados por uma jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que afastamentos de prefeitos em meio à pandemia fossem postergados. A Corte superior alegou que troca de prefeitos em meio à crise sanitária poderia prejudicar o combate ao coronavírus.

Foto: Divulgação

Thiago Nunes está no segundo mandato como prefeito de Agrestina. Ele foi eleito em 2012 pelo PDT e reeleito em 2016 pelo MDB. Já Zito da Barra está no primeiro mandato como vice-prefeito, após ser eleito em 2016 pelo PSDB na chapa com Thiago. Em 2012, Zito venceu para vereador pelo PTB. No pleito seguinte, integrou a composição com Thiago Nunes.

Investigações

De acordo com a investigação, as vantagens ilícitas teriam sido obtidas por meio da contratação fraudulenta de empresa de “fachada”, com recursos oriundos de verbas federais, "frustrando o caráter competitivo do processo licitatório e promovendo a execução dos contratos por meio de terceiros desqualificados".

A investigação que culminou com a deflagração da operação mira a lavagem dos lucros obtidos supostamente de forma ilícita pela organização criminosa, levada a cabo por meio da utilização de conta bancária de titularidade de um “laranja” vinculado ao grupo.

"Esta conta bancária servia aos investigados para o recebimento de transferências bancárias e depósitos em espécie, estes na sua maioria em valores baixos e sem a identificação da origem, realização de saques de valores vultuosos, bem como, também, para a utilização de títulos de crédito ao portador (cheques) assinados em branco, tudo com o propósito de dificultar a identificação da origem criminosa do dinheiro", diz a Polícia Federal em nota.

Além dos mandados de prisão preventiva contra o prefeito e o vice-prefeito de Agrestina, a PF também cumpre outros três mandados de prisão preventiva, 13 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais, além de mandados de afastamento de funções públicas dos ocupantes de cargos na Prefeitura.

Os outros três presos dentro da terceira fase da operação Pescaria são um funcionário da prefeitura de Agrestina e dois empresários que estavam envolvidos no suposto esquema criminoso. Os nomes não foram revelados. Na residência de um desses suspeitos, a PF encontrou R$ 110 mil em espécie dentro de um cofre.

Foto: Divulgação/PF

Também são cumpridos mandados de afastamento de sigilos bancário e fiscal dos investigados, todos expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

Após ser detido, o prefeito Thiago Nunes foi levado para a delegacia da Polícia Federal em Caruaru, também no Agreste de Pernambuco. 

As duas fases que antecederam a Operação Pescaria III foram deflagradas respectivamente em 21 de fevereiro de 2019 e 28 de março de 2019.

A operação conta com o emprego de 70 policiais federais, além de servidores da Controladoria-Geral da União.

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