Historiador Leonardo Dantas será responsável por pesquisa de fatos históricos em projeto de requalificação de quiosques da Orla do Recife

José Matheus Santos
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José Matheus Santos
Publicado em 03/11/2020 às 10:45
Foto: Divulgação
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A requalificação dos 60 quiosques das orlas do Pina e de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, vai contemplar fatos históricos da cidade e de Pernambuco. O projeto é inspirado nos 500 anos do Recife, a serem comemorados em 2037 e é assinado pelo arquiteto Bruno Ferraz. A proposta também envolve a tríade “história, cordel e xilogravura”.

Nesse sentido, o professor Leonardo Dantas e Silva, de 74 anos, iniciou as pesquisas relativas a acontecimentos da capital, que estão relacionados também com a história de Pernambuco.

Até meados de dezembro, Leonardo Dantas vai entregar 60 tópicos, que servirão de inspiração para os artistas populares construírem poemas e entalhes em madeira para impressão de desenhos. A arte vai estampar os novos equipamentos, que vão ser requalificados a partir de uma iniciativa público-privada, coordenada pela Associação dos Barraqueiros de Coco do Recife (ABCR).

Com caminhos burocráticos para finalizar, a reforma, que será 100% financiada por empresas prospectadas no mercado pela própria ABCR, está próxima de sair do papel.

O historiador Leonardo Dantas segue em trabalho para catalogar 59 memórias de Pernambuco. Cada uma delas servirá de referência para os quiosques. Ao equipamento 60, no entanto, vai ser reservada a abordagem especial sobre os 500 anos do Recife.

Foto: Arquivo pessoal

Leonardo Dantas publicou 55 livros, quase todos relativos à capital e a Pernambuco. Entre outros acontecimentos, estão presentes nas obras menções a fatos como a chegada de Duarte Coelho ao Recife, em 1535; a Invasão Holandesa, em 1630; a Revolução Pernambucana de 1817; e a Confederação do Equador, em 1824. 

“Tenho até dezembro para concluir essa fase. Já estou catalogando as passagens históricas. É um processo simples. Além da pesquisa, escrevo até 30 linhas sobre o assunto. Assim que finalizo, entrego o texto para os cordelistas e xilógrafos, que vão transformar a história na arte deles, com poemas e desenhos feitos a partir de xilogravuras”, explicou Leonardo Dantas. “Isto feito, vamos estampá-los no azulejo dos quiosques. Acredito que vai ficar um trabalho muito bonito”, disse o historiador.

Em atividade, após acordo com a ABCR, Leonardo Dantas espera uma melhora da situação sanitária da covid-19 no Brasil para lançar mais dois livros: Arruando Pelo Recife e Olinda, o Teu Nome Bendiz - ambos um roteiro de ruas das cidades irmãs. “Comecei a ler cedo e desde então não parei. Bom fazer parte do projeto da ABCR e poder contribuir com a nossa história para as pessoas”, afirma.

Cordel e Xilogravura

A linha do tempo do Recife até os dias atuais, selecionada por Leonardo Dantas, vai encontrar abrigo entre artistas pernambucanos de cordel e da xilogravura. O contexto histórico de cinco séculos será transformado em arte.

No caso dos poemas populares, a incumbência é da Associação dos Cordelistas de Pernambuco (Acordel), presidida por Felipe Júnior. Cabe à entidade a distribuição das notas de Leonardo Dantas para serem transformadas em literatura de cordel pelos associados da entidade.

“Estamos na expectativa, ansiosos para começarmos o trabalho. Trata-se de uma grande parceria que foi montada pela ABCR. Requalificar os quiosques dando uma roupagem que é a cara do Recife, da nossa arte, através do cordel e da xilogravura. A nossa parceria é orientar e selecionar os cordelistas. São 60 contextos celebrando os 500 anos. E cada um constrói uma poesia. Uma grande linha de tempo na qual vão ser celebrados os 500 anos da cidade”, disse Felipe Júnior.

Sobrinho do mestre J. Borges, o xilógrafo Severino Borges vai contar a história no entalhe das madeiras das quais sairão as gravuras referentes às datas ilustres do Recife selecionadas por Dantas.

“É algo novo no nosso trabalho e, por isso, fico muito feliz de poder expandir conhecimento e visitar novos caminhos a partir da xilogravura. Tenho certeza que vão ganhar os moradores do estado e os visitantes, que vão poder ver uma orla repaginada, repleta de história para ser lida”, afirmou Borges.

Projeto Orla Viva da ABCR

A última reforma dos 60 quiosques das praias do Pina e de Boa Viagem aconteceu em 2009.

O Projeto Orla Viva, elaborado pela Associação dos Barraqueiros de Coco do Recife (ABCR), trata-se de uma iniciativa público-privada. Com a liberação das obras, passa-se à fase de captação de investidores, que vão financiar os 100% dos custos do projeto, articulação dos próprios quiosqueiros junto ao trade.

No último dia 24 de setembro, a ABCR e a PCR assinaram um Termo de Autorização de Uso de Bem Público, com duração de dez anos.

O documento, “selado” durante a assembleia extraordinária convocada pela Associação, é a extensão do “Acordo de Cooperação”, celebrado no final de julho deste ano, com o objetivo de requalificar os quiosques da orla recifense.

No último dia 2 de outubro, a ABCR entregou ao secretário de mobilidade do Recife, João Braga, o projeto arquitetônico e cultural, em reunião na Prefeitura do Recife.

A promessa é de transformar os equipamentos da orla em pontos de encontro e diversão, além de local de exaltação à cultura do Estado, com o envolvimento da história, do cordel e da xilogravura.

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