'Não existe democracia plena sem mulheres em espaços de poder', diz Dani Portela, vereadora mais votada do Recife

José Matheus Santos
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José Matheus Santos
Publicado em 16/11/2020 às 9:04
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"Não existe democracia plena sem as mulheres nos espaços de decisão, somos a maioria da população e minoria dos espaços de decisão". Foi assim que a vereadora mais votada do Recife nas eleições 2020, Dani Portela (PSOL), definiu, nesta segunda-feira (16), a desigualdade nos espaços de poder na política brasileira. Neste ano, além dela, apenas mais cinco mulheres foram eleitas para a Câmara de Vereadores do Recife.

Ao Blog, Dani Portela ainda disse que, em seu mandato, dará voz a negros e às mulheres, que, segundo ela, precisam de mais presença nos espaços de poder e de definição de políticas públicas. Ela obteve 14.114 votos dos recifenses.

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"É uma votação simbólica, com uma mulher negra do campo de esquerda, progressista, próxima aos movimentos sociais. Isso representa mais mulheres nos espaços de poder e é preciso mulheres negras nesses locais. Da nova legislatura, apenas eu me declaro negra. O lema da minha campanha foi florescer, sempre digo que precisamos ser uma cidade melhor para mulheres. Além disso, defendi que as pessoas enegrecessem seus votos", disse Portela.

A vereadora eleita é do campo da esquerda e de oposição ao bolsonarismo e ao PSB em Pernambuco. Ela disse que, na próxima legislatura, pretende defender projetos com foco na luta feminista e de movimentos negros, com quem afirma que esteve aliada durante a campanha eleitoral para a vereança.

"Toda construção do nosso programa para uma disputa de eleição era construir esse programa com muitos movimentos sociais, foi uma campanha com movimentos negros, feministas, com luta pela moradia, pelo comércio informal, um movimento que luta por questões sociais. Esse mandato vai ser um mandato de combate a desigualdades, sobretudo ao racismo que é estrutural. Vai ser prioridade pra mim trabalhar o combate ao racismo como eixo estrutural", afirma.

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"São as pessoas negras que mais morrem, inclusive por causas naturais e violentas do recife, as mulheres negras tiveram o maior grau de letalidade na covid-19 no Recife, é fundamental discutir a saúde da população negra", acrescenta.

Passada a vitória nas urnas com mais de 14 mil votos, Dani Portela disse que agora pretende seguir nas ruas do Recife, dessa vez, pedindo votos para a candidata a prefeita Marília Arraes (PT). O vice da petista é João Arnaldo (PSOL).

Portela disse que fará semelhante ao que ocorreu em 2018. Na ocasião, ela foi candidata a governadora de Pernambuco pelo PSOL, mas acabou derrotada no 1º turno. Após a derrota, foi às ruas no 2º turno pedir votos para Fernando Haddad (PT) na disputa pela presidência contra Jair Bolsonaro (na época, no PSL). 

"Eu vou fazer como fiz no segundo turno em 2018, quando fui candidata a governadora. Assim que acabou a eleição, entendi que a luta continuava a partir daquele resultado. E agora, com o mesmo vigor que tive em 2018 para virar voto para Haddad, vou virar voto para candidatura de Marília. São muitos anos de hegemonia do PSB e eu vou colocar meu corpo para eleger uma mulher prefeita do Recife", promete Dani Portela.

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O PSOL integra a vice na chapa de Marília Arraes, com o advogado João Arnaldo Novaes. Neste ano, o partido optou por aliança com Marília Arraes em detrimento de candidatura própria no Recife. Dani Portela diz que a legenda psolista priorizou a formação de frente amplas visando o impacto do pleito de 2020 nas eleições seguintes, em 2022.

"Entendemos que 2020 era ano de formar frentes mais amplas porque é uma disputa que está para além de uma eleição. O resultado de daqui a 15 dias impacta diretamente no resultado de 2022 para o Governo do Estado. E Marília mostrou muita força e muita garra", afirmou.

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