'Recife vai ter que escolher entre continuar com o abandono do PSB ou se quer mudar', diz Marília Arraes

José Matheus Santos
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José Matheus Santos
Publicado em 16/11/2020 às 11:28
Foto: Brenda Alcântara/JC Imagem
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A candidata a prefeita do Recife pelo PT, Marília Arraes, disse, nesta segunda-feira (16), em entrevista à Rádio Jornal que, no segundo turno, os recifenses terão de escolher entre a continuidade do PSB, do candidato João Campos, no poder ou "mudar".

"A discussão agora no segundo turno, o que está em jogo, é se o Recife quer continuar 4 anos como uma gestão que está aí ou se quer fazer diferente e mudar, com experiência, com segurança e maturidade. É isso que está em jogo. Mesmo as pessoas que tem um posicionamento mais na direita, na centro-direita, (acreditam que) não dá para continuar com o PSB, que tem abandonado a mobilidade, a saúde, as políticas de habitação", disse Marília.

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A candidata Marília Arraes ainda acenou para eleitores que votaram em candidatos do campo da direita no Recife e reforçou o discurso de que João Campos representa a continuidade do PSB.

"Quem concordar com nosso projeto é muito bem vindo, a nossa maior aliança é com a sociedade, com o povo do Recife, a gente teve praticamente a mesma votação do candidato da gestão, mesmo com a disparidade de tempo de TV e de recursos financeiros. Quem quiser venha se incorporar a nós, é isso que importa", afirmou.

Marília Arraes defendeu o legado das gestões do PT no Recife (2001-2012) e disse que o PSB "abandonou" as políticas públicas desenvolvidas pelos governos petistas.

"(As gestões do PT) Priorizavam as pessoas que mais precisam, com participação popular, teve políticas efetivas para as obras de morros, uma política de habitação que foi abandonada pelos governos do PSB. E a gente quer olhar para frente, as pessoas sabem como a cidade foi governada, mas a gente usa o passado como inspiração e a liderança do processo é minha, eu sou Marília Arraes, tenho meus compromissos, não me escoro na historia de ninguém ao contrario de Joao Campos que escora porque não tem história de vida", alfinetou Marília. João Campos foi eleito em 2018 para o primeiro mandato de deputado federal e atualmente exerce o cargo parlamentar.

Foto: Brenda Alcântara/JC Imagem

Marília Arraes ainda criticou a gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB), aliado de João Campos, e citou o avanço das palafitas na cidade e deslizamentos de morros que culminaram com mortes para falar contra a atual gestão.

"Está muito claro que, durante esses 8 anos, muito do que foi avançado no início da década de 2000 foi destruído. Em 2020, tem gente que dorme em fila para marcar uma consulta, isso é um absurdo, voltou a morrer gente porque desliza barreira, palafitas voltaram porque não tem uma política efetiva de habitação, Recife é a capital mais desigual do país, tudo isso é obra do PSB", disse.

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A candidata ainda destacou a proximidade dos percentuais de votos nas urnas com João Campos, apesar das disparidades dos candidatos a vereador nas respectivas coligações e de recursos, critérios em que o candidato do PSB tinha mais em números.

"Foi cargo comissionado na rua sendo obrigado a pedir voto para não perder emprego, exército de vereadores nas ruas e tivemos praticamente a mesma votação. A cidade deu o recado que não quer mais o PSB", disse.

'Dança de pensamentos ideológicos'

Marília Arraes ainda citou o apoio do PSB a Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014. Na ocasião, o tucano teve apoio também de João Campos, além do prefeito Geraldo Julio e do governador Paulo Câmara. A petista também relembrou o apoio do PSB ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e o fato de, dois anos depois, ter firmado aliança com o PT para reeleger Paulo Câmara para o Governo do Estado.

"Em 2013, foram para oposição ao PT, depois votaram em Aécio, fizeram campanha, acho que esqueceram isso, apoiaram o impeachment em 2016, quando foi em 2018, viram que iriam perder o governo do Estado aí fizeram o L de Lula Livre. O PSB está desonrando totalmente a história de (Miguel) Arraes, gestões sem compromisso com quem mais precisa", disse.

Marília Arraes também afirmou que o PT "participou pouco" das gestões do PSB no Recife por causa de "vai e vem em pensamentos ideológicos". O PT participou até outubro da secretaria de Saneamento do Recife, com Oscar Barreto, que entregou o cargo. Ele é da ala petista próxima ao PSB e é crítico de Marília dentro da sigla petista.

"Eu acho que João Campos nem lembra (do início da gestão do PT no Recife), porque há 20 anos ele estava no Jardim da Infância. Para tomar decisões numa capital como Recife, precisa-se de experiência de vida mesmo. O povo do Recife está enxergando isso e já deu o recado no domingo. E o PT participou pouquíssimo durante esses 8 anos por causa desse vai e vem do PSB na dança de pensamentos ideológicos", alfinetou.

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