Após endosso de políticos da direita a Marília Arraes, PSOL diz que apoio não é aliança

José Matheus Santos
Cadastrado por
José Matheus Santos
Publicado em 20/11/2020 às 8:00
Marília Arraes e João Arnaldo. Foto: Ricardo Labastier/Divulgação
Marília Arraes e João Arnaldo. Foto: Ricardo Labastier/Divulgação
Leitura:

O PSOL reafirmou o apoio à candidata do PT a prefeita do Recife, Marília Arraes, por meio de nota divulgada nesta sexta-feira (20). A manifestação ocorre após políticos do campo da direita anunciarem apoio à candidata no 2º turno na eleição do Recife.

Em nota, o PSOL diferencia apoio em segundo turno em relação a eventuais alianças programáticas. 

"Os diversos setores de oposição ao PSB, torcem por sua derrota política e eleitoral na capital. Por isso, alguns fizeram declaração de apoio a nossa candidatura. Dentre eles, figuras historicamente conhecidas pelo seu conservadorismo e ataque aos direitos das mulheres e das LGBTS. De nossa parte, reafirmamos que não há nenhuma sinalização de aliança com esses setores, muito menos qualquer diálogo de composição", diz o partido.

O PSOL tem o advogado João Arnaldo como candidato a vice de Marília no Recife.

Nesta semana, o ex-senador Armando Monteiro (PTB), o presidente estadual do Podemos, deputado federal Ricardo Teobaldo, e o prefeito de Jaboatão dos Guararapes e presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, anunciaram apoio a Marília no 2º turno contra João Campos no Recife.

O objetivo do campo da oposição à direita é minar o projeto do PSB no Recife para ter mais chances de êxito na eleição para o Governo de Pernambuco em 2022, quando o prefeito Geraldo Julio é o potencial candidato do partido a governador, e uma vitória de João Campos na capital fortaleceria, em tese, esse projeto para a sucessão de Paulo Câmara no estado.

No caso de Anderson Ferreira, ele é aliado do presidente Jair Bolsonaro no âmbito nacional e ligado ao segmento evangélico. Nesta semana, o deputado federal Felipe Carreras (PSB) chegou a cobrar "coerência" do PSOL no Recife após essa declaração de apoio. O PCdoB, que integra a coligação de João Campos, também soltou uma nota em que diz que o candidato do PSB "não flerta com bolsonaristas".

No entanto, há presença de aliados do presidente Jair Bolsonaro nos dois palanques do 2º turno no Recife. PP, PSD, Avante e Republicanos - este último o partido do senador Flavio Bolsonaro e do vereador do Rio Carlos Bolsonaro, filhos do presidente - fazem parte da base aliada de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional.

Na nota desta sexta-feira (20), o PSOL diz que as suas bandeiras são "inegociáveis" e que "com firmeza" ajudará a eleger Marília Arraes prefeita do Recife.

"O PSOL seguirá firme na defesa de seus princípios e sendo o polo dessa Frente, que não abrirá mão de nenhuma pauta de interesse da nossa base social. Somos parte da renovação popular que Recife concretizou nas urnas, continuaremos lutando por uma cidade mais justa, sem desigualdades e por uma Recife mais humana. O PSOL segue firme na defesa das suas bandeiras, que para nós são INEGOCIÁVEIS, e é com firmeza que iremos eleger a companheira Marília Arraes Prefeita da Cidade do Recife", acrescenta o PSOL.

Veja a íntegra da nota do PSOL

COM MARÍLIA PARA DERROTAR O BOLSONARISMO E O PSB

O Brasil vive hoje uma página bastante delicada e perigosa de sua história. A soma da crise econômica mundial – e seu consequente aumento da desigualdade – com a política desastrosa de grande parte da esquerda que tentou pelas vias da conciliação entre as classes solucionar os problemas criados pelos mais ricos, levou à um desgaste das grandes massas de trabalhadores com a política. Essa desilusão com a política e a busca por alternativas deixou um espaço aberto para a disputa dos rumos da nossa sociedade que a Direita buscou ocupar não sem recorrer à seus velhos métodos golpistas e divisionistas da classes trabalhadora. Como resultado, na última eleição um projeto autoritário e conservador de sociedade ganhou a opinião pública e o governo do nosso país. Desde então, vivemos sob a égide de um governo assombroso, que busca constantemente minar direitos sociais, atacar os setores oprimidos da sociedade e assim, se recuperar da crise jogando nas nossas costas a conta dela. Não por acaso, em plena pandemia, os bilionários brasileiros ficaram mais ricos, enquanto a maior parte da população amarga sofrimento, fome e desemprego e ainda precisa contar seus mortos pela Covid diante do deboche do presidente Bolsonaro. Danos ao meio ambiente e perseguição aos povos indígenas; intolerância às diferenças de ideias; Cruzadas contra a ciência, a educação e os valores democráticos. Esse é o pacote de maldades do Bolsonarismo para o Brasil. Por isso, hoje, a principal tarefa que temos é derrotar esse projeto e junto com trabalhadores, mulheres, negros e negras e as LGBTs voltar à sonhar uma sociedade sem desigualdade e sem opressão.

O PSOL tem se colocado como principal oposição à esse governo desde o início, priorizando a vida das pessoas e combatendo a política de extermínio da população pobre. Em conjunto com diversos movimentos sociais e partidos da oposição, pedimos o impeachment de Bolsonaro e Mourão. Dito isto, o resultado de nossas lutas fizeram com que os candidatos bolsonaristas em diversas regiões do país fossem derrotados já no primeiro turno. É preciso um olhar gigante para essas vitórias contra o conservadorismo. Em Recife, tivemos a vereadora mais votada, a companheira Dani Portela, e duplicamos nossas cadeiras na Câmara Municipal reelegendo Ivan Moraes. Como parte desse processo para derrotar a direita e o bolsonarismo, levamos Marília Arraes, do PT e seu vice, o companheiro João Arnaldo, do PSOL, para o segundo turno.

O PSOL tem como princípio a defesa intransigente dos interesses da classe trabalhadora e dos oprimidos. E é nesse sentido que queremos aqui reafirmar esse compromisso e um outro compromisso que nos levou à construção da aliança PT-PSOL, que é derrotar o ciclo de renovação da hegemonia do PSB, que hoje na capital Pernambucana é liderado por João Campos.

A gestão do PSB levou Recife ao título de “a capital da desigualdade”, realidade que é anterior à pandemia e que, portanto, não pode ser associada à ela. E apesar da tentativa do atual prefeito Geraldo Júlio de construir um índice de aprovação da gestão perante a população, com altos gastos em publicidade, o sentimento de abandono é compartilhado pelos recifenses. A ausência de uma política habitacional que resolva o déficit histórico de moradias, o aumento de pessoas em situação de rua, a perseguição ao comércio popular de rua, a ausência de transparência nos gastos públicos, o extermínio das políticas de participação social e o fracasso na construção de um transporte público de qualidade e eficiente serão alguns dos legados deixado pelos Campos no poder.

Os diversos setores de oposição ao PSB, torcem por sua derrota política e eleitoral na capital. Por isso, alguns fizeram declaração de apoio a nossa candidatura. Dentre eles, figuras historicamente conhecidas pelo seu conservadorismo e ataque aos direitos das mulheres e das LGBTS. De nossa parte, reafirmamos que não há nenhuma sinalização de aliança com esses setores, muito menos qualquer diálogo de composição. O PSOL seguirá firme na defesa de seus princípios e sendo o pólo dessa Frente, que não abrirá mão de nenhuma pauta de interesse da nossa base social. Somos parte da renovação popular que Recife concretizou nas urnas, continuaremos lutando por uma cidade mais justa, sem desigualdades e por uma Recife mais humana. O PSOL segue firme na defesa das suas bandeiras, que para nós são INEGOCIÁVEIS, e é com firmeza que iremos eleger a companheira Marília Arraes Prefeita da Cidade do Recife.

Recife, 19 de novembro de 2020

Diretório Municipal do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL em Recife.

Últimas notícias