Em culto, pai de vereadora do Recife pede votos em João Campos para 'não perder 232 cargos na PCR'. Marília Arraes aciona Justiça Eleitoral

jamildo
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Publicado em 22/11/2020 às 16:31
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Neste domingo, Marília Arraes anunciou o apoio de 12 congregações evangélicas, em busca de voto conservador. Com a iniciativa, a petista tenta barrar a campanha dos adversários fustigando-a pelo flanco da fé.

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Mas a guerra pelo voto conservador não fica apenas no palco religioso.

A guerra pelo voto conservador no Recife, no segundo turno das eleições, acaba de ir parar na Justiça eleitoral, neste sábado.

> Marília Arraes anuncia apoio de 12 congregações evangélicas, em busca de voto conservador

O petista Múcio Magalhães, um dos coordenadores da campanha de Marília Arraes no Recife, assinou uma peça, em nome do partido, acusando o candidato João Campos e o PSB de abuso de poder econômico e político por supostamente usar a estrutura da PCR para comprar votos junto a setores de eleitores na cidade.

Nem a campanha do socialista João Campos nem a prefeitura do Recife se pronunciaram.

Veja abaixo o vídeo entregue ao TRE.

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A peça de resistência da ação é um vídeo em que o ex-vereador Menudo, pai da vereadora reeleita Natália de Menudo, diz que perderia os 232 empregos que tem na prefeitura e não poderia elevar este número, se o PT vencer as eleições.

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"Conforme se depreende da gravação de mídia em anexo, o ex-vereador Estéfano Menudo, em culto de Ação de Graças promovido em 20 de novembro de 2020, aduz que tem na prefeitura, atualmente, 232 empregos, e que pretende aumentar o quantitativo para 300 ou 400. Todavia, caso o Partido dos Trabalhadores venha a vencer as eleições, tais cargos não mais seriam destinados à escolha dele, pelo que o partido ao qual integra, o PSB, tem que vencer as eleições e, por conseguinte, garantir a perpetuação de troca de cargos por votos", diz a representação.

Veja abaixo alguns trechos destacados, sempre de acordo com a representação assinada pelo PT, publicada na íntegra lá embaixo.

Foto: Divulgação

Ex-vereador falou em culto de gratidão

". a moldura fática enquadrada nos presentes autos põe em evidência o modus operandi dos investigados, no sentido de instrumentalizar indivíduos como meio de perpetração de compra de apoio político e abuso de poder econômico para fincar laços inquebrantáveis com o poder. Nota-se que o senhor Estéfano Menudo, bem como a Senhor Natália estavam visivelmente constrangidos no pronunciamento em apreço, onde se diz que a senhora Marília Arraes é amiga dele, mas tem que dar cabo às atitudes veiculadas na mídia em anexo para satisfazer os caprichos da candidatura do Investigado João Campos. Ou seja, o aparelhamento para fins de perpetuação no poder do PSB, de Geraldo Júlio e de João Campos sequer encontra limites éticos nas relações interpessoais, posto que instrumentalizam cidadãos para angariarem votos em troca de cargos comissionados, ainda que seja em detrimento de pessoas do convívio dos apoiadores".

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"Cumpre salientar que Estefáno Menudo não mais é vereador, porém, sua filha Nathalia de Menudo, é vereadora eleita pelo PSB. Ademais disso, resta nítida a utilização de cargos comissionados como vantagem para arregimentação de eleitores, tanto pela promessa de aumentar o número de comissionados pela prefeitura, quanto pela chantagem emocional ao versar que os atuais ocupantes de cargos comissionados pelo PSB seriam retirados da prefeitura, despertando temor na população. Tanto é assim, que, repita-se, o Senhor Estéfano estava visivelmente constrangido ao explicitar os dizeres no culto".

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Abuso de poder

"Sendo esse o contexto, denota-se, à toda evidência, a ocorrência abuso de poder político e econômico, consubstanciada na utilização de cargos comissionados na prefeitura do Recife como moeda de troca para angariar votos ilicitamente, em um total

acinte ao princípio da legalidade, ao princípio da paridade de armas e à normalidade, que deve imperar no pleito, razão pela qual vale-se desta Ação de Investigação Judicial para buscar o equilíbrio na disputa e a devida responsabilização pelo estratagema ardil levado à cabo pelos Representados".

"Suposta manipulação do eleitorado"

"Assim, quando o representado aduz que tem todos esses empregos porque teria vínculo com o PSB, e que sua intenção é manter tais empregos e conseguir muito mais, e, para isso, a prefeitura tem que se manter no PSB, resta nítida a manipulação do eleitorado através da utilização ilícita de cargos comissionados, pelo que não há outra conclusão, senão a clarividente ocorrência de abuso de poder político".

Política em culto religioso

"Outrossim, tais dizeres ocorreram em sede de culto de Ação de Graças, pelo qual se pode observar grandiosa estrutura, com equipamentos de som, ornamentação elaborada, bandas de louvor, dentre outros elementos que evidenciam a ocorrência,

também, de abuso de poder econômico, porquanto movimenta-se toda a estrutura financeira da Igreja para reunir fieis e manipular os mesmos com a chantagem em torno dos cargos comissionados".

Abuso de poder político

"Diante dos fatos narrados, ressoa inconteste o abuso de poder econômico, tendo em vista a grandiosa estrutura utilizada pelo representado na arregimentação de fieis em prol de seu projeto político. Outrossim, resta configurado também o abuso de poder político, tendo em vista que cargos comissionados na prefeitura são utilizados como via de captação de votos para o candidato à prefeitura pelo PSB. ... Destarte, não obstante as falas não partirem do candidato à prefeito pelo PSB, como é cediço e consoante o locutor deixou claro em sua fala, o responsável pela manipulação destes cargos enquanto moeda de troca, é o atual prefeito de Recife/PE, bem como o responsável pela oferta de novos cargos e a disposição dos já ofertados"

Foto: Câmara do Recife/Divulgação

"Chantagem eleitoral"

"A gravidade dos fatos narrados é solar, uma vez que os cargos comissionados devem ser ocupado por pessoas escolhidas em atenção aos princípios da administração pública, versados no artigo 37 da Magna Carta de 1988, e não por terem votado na gestão atual. Ao manipular os cargos comissionados para chantagear o eleitorado e angariar, de forma ilícita, votos para o candidato João Campos, aufere-se grande acinte à lisura das eleições, pois que utiliza-se da máquina pública para obtenção de vantagem eleitoral, ainda mais em se tratando da utilização de um culto, onde as pessoas foram movidas por sua fé e se depararam com chantagens eleitoreiras, pelo que ressoa inconteste a gravidade dos fatos narrados".

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