Em votação apertada, Marília Arraes perde indicação do PT para disputa da Mesa Diretora da Câmara e lança candidatura avulsa

José Matheus Santos
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José Matheus Santos
Publicado em 03/02/2021 às 10:35
Marília Arraes é a única deputada federal de Pernambuco. Foto: Ricardo Labastier/Divulgação
Marília Arraes é a única deputada federal de Pernambuco. Foto: Ricardo Labastier/Divulgação
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A bancada do PT na Câmara dos Deputados decidiu, nesta quarta-feira (03), em votação apertada, indicar o deputado João Daniel (PT-SE) como candidato oficial do partido para a segunda-secretaria da Casa.

A eleição da Mesa Diretora ocorre nesta manhã e acontece com votação presencial e secreta entre os parlamentares.

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O placar foi de 24 votos a favor da indicação de João Daniel e 22 votos a favor de Marília Arraes. Com isso, a bancada vai rachada para a disputa.

Marília Arraes se lançou candidata avulsa para a segunda secretaria e vai bater chapa com o colega de partido e contra o deputado Paulo Guedes (PT-MG).

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"A eleição para a Mesa Diretora da Câmara Federal já está começando. A deputada federal Marília Arraes é candidata avulsa na disputa pela Segunda Secretaria. É muito importante garantir a presença de mulheres nos espaços de decisão! Sigo comprometida com a defesa da democracia, das conquistas sociais e de nossa população", afirmou nota da assessoria de Marília nesta manhã.

A segunda-secretaria trata de assuntos pertinentes a passaportes diplomáticos dos parlamentares e representa a Câmara junto a embaixadas, além de influenciar em decisões da Mesa Diretora.

A candidatura de João Daniel tem apoio da ala mais à esquerda do partido. Já Marília tem aval da CNB (Construindo um novo Brasil), corrente mais pragmática do PT.

A deputada pernambucana tinha sido indicada pelo PT para a disputa da primeira-secretaria, um dos cargos mais cobiçados da Casa porque gere o orçamento e questões administrativas da Câmara, na segunda-feira (1º). Marília Arraes foi candidata única na ocasião e a tendência era de que fosse eleita.

Apesar da votação ter acontecido, o novo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), anulou o bloco adversário que apoiava o adversário Baleia Rossi (MDB-SP). Isso faz com que o bloco de Lira tivesse direito a mais cargos da Mesa do que os demais partidos isoladamente.

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A argumentação de Lira era de que o PT, maior partido do bloco adversário, teria feito a inscrição após o prazo limite. A legenda disse que houve problemas técnicos com o sistema de registro.

Para evitar repercussões no Judiciário e eventuais problemas com o bloco de partidos aliado a Baleia, Arthur Lira recuou e cedeu espaços para partidos de oposição na Mesa Diretora. Com o acordo, coube ao PT a segunda-secretaria, e ao PSB, a terceira-secretaria da Câmara. O PDT ficou com uma das quatro suplências.

O PDT chegou a entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar a medida inicial de Lira, mas, com o acordo, o partido retirou o recurso no Judiciário.

Câmara dos Deputados

O deputado federal Arthur Lira (PP/AL) foi eleito presidente da Câmara dos Deputados para o biênio 2021/2022 na noite da segunda-feira (1º).

Ele obteve 302 votos contra 145 votos do principal adversário, Baleia Rossi (MDB-SP).

Arthur Lira é integrante do Centrão e teve apoio do presidente Jair Bolsonaro na disputa da Câmara.

Como é réu por corrupção, o deputado não poderá assumir a Presidência da República, em caso de ausência de Bolsonaro e do vice Hamilton Mourão, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Eram necessários 253 votos para se eleger em primeiro turno nesta eleição Câmara, diante da presença de 504 deputados na Casa.

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