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Em meio a desavenças, Marília Arraes defende 'legado' do PT e comemora 41 anos do partido

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 10/02/2021 às 10:44
Marília Arraes é a única deputada federal de Pernambuco. Foto: Ricardo Labastier/Divulgação
Marília Arraes é a única deputada federal de Pernambuco. Foto: Ricardo Labastier/Divulgação
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A deputada federal Marília Arraes (PT-PE) publicou, nesta quarta-feira (10), nas redes sociais, mensagem em alusão aos 41 anos de fundação do PT. A parlamentar saiu em defesa do "legado" do partido no Brasil.

"Hoje o PT completa 41 anos de existência. Durante todo esse tempo, o PT construiu um legado marcado pelo combate à miséria, a redução das desigualdades, a defesa dos direitos de nossa população, do desenvolvimento econômico com justiça social e em defesa da democracia", escreveu Marília.

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A deputada se filiou ao PT em 2016, mesmo ano do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, que marcou a saída do partido do poder após 14 anos.

"Me filiei ao PT em 2016. Naquele momento, o partido enfrentava o início de um dos mais duros e absurdos processos de perseguição política ocorrido em nosso País", acrescentou Marília.

Marília Arraes ainda fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e classificou o governo como "entreguista e irresponsável".

"Em meio a um Governo entreguista e irresponsável, o compromisso e a força do PT em continuar lutando pelo resgate dos direitos cassados, da melhoria de vida de nossa população e pelo crescimento econômico sustentável do Brasil é ainda mais importante. Parabéns ao PT!", finalizou a deputada federal pernambucana.

Na semana passada, a candidatura avulsa de Marília Arraes à Segunda Secretaria da Câmara gerou reações no partido, como da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e, em Pernambuco, do ex-secretário estadual de Agricultura, Dilson Peixoto.

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Inicialmente, a petista era candidata do partido à Primeira Secretaria da Câmara. Marília Arraes foi candidata única ao cargo pelo PT. A votação chegou a ser realizada, no entanto, assim que assumiu a presidência da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL) anulou o bloco de apoio ao adversário Baleia Rossi (MDB-SP).

Lira alegou que o PT atrasou por 6 minutos o registro no bloco de apoio a Baleia. O Partido dos Trabalhadores alega que houve problema no sistema interno da Câmara. Com a anulação, Arthur Lira convocou a eleição para o dia seguinte. Como houve um impasse na Casa entre os dois lados, a eleição foi adiada para a quarta-feira (3) para que houvesse um acordo entre os dois blocos, o que aconteceu.

FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

No acordo, o PT perdeu a Primeira Secretaria, um dos cargos mais importantes e responsável pelo Orçamento da Câmara, e passou a ter direito de indicação para a Segunda Secretaria, responsável pela emissão de passaportes diplomáticos e de relações internacionais da Casa.

Na manhã da quarta-feira, horas antes da votação, Marília teve a indicação partidária derrotada pela bancada, por 24 votos a 22. O indicado foi João Daniel (PT-SE). A deputada não foi a única a se lançar avulsa dentro do PT. Além dela, disputou o cargo o deputado Paulo Guedes (PT-MG).

Na votação, Marília Arraes foi para o segundo turno contra João Daniel, quando venceu o colega de bancada. Paulo Guedes ficou em terceiro lugar no primeiro turno e não avançou para a nova etapa.

Marília e o PT

Marília Arraes se filiou ao PT em 2016. Já em 2014, ela estava próxima ao partido quando decidiu bater de frente com o PSB, do qual era filiada desde 2008.

Há seis anos, Marília discordou dos rumos do PSB, que lançou o seu primo, Eduardo Campos, como candidato à presidência da República, rompendo com o PT e em aliança com políticos de direita.

Em 2016, no mesmo ano em que se filiou ao PT, Marília foi reeleita vereadora, a sexta mais votada do Recife. 

Dois anos depois, lançou-se pré-candidata a governadora de Pernambuco, teve aval do diretório estadual do PT, mas a direção nacional petista vetou a postulação e determinou aliança com o PSB, que tinha como candidato à reeleição Paulo Câmara.

Na ocasião, o PT fez um acordo com o PSB em três frentes: o PSB declararia neutralidade na eleição presidencial e não apoiaria Ciro Gomes (PDT), mas a ala pernambucana do PSB apoiaria Fernando Haddad; o PSB retiraria a candidatura de Márcio Lacerda a governador de Minas Gerais em prol da reeleição de Fernando Pimentel; e, por fim, o PT de Pernambuco ficaria coligado o PSB no palanque de Paulo Câmara.

Em 2018, apesar da aliança entre PT e PSB, Marília Arraes não apoiou Paulo Câmara ao Governo do Estado e seguiu na ala petista crítica à gestão do governador. O senador Humberto Costa disputou a reeleição no palanque do PSB e venceu o pleito.

Há dois anos, após ter sido rifada das pretensões para o Executivo estadual, Marília Arraes decidiu se lançar candidata a deputada federal e foi a segunda mais votada de Pernambuco com mais de 193 mil votos.

Em 2020, ela foi candidata a prefeita do Recife pelo PT, após determinação da Direção Nacional do partido. Dessa vez, Marília não obteve o apoio do Diretório do PT no Recife, que defendia aliança com o PSB, que teve João Campos como candidato à Prefeitura.

João Campos e Marília Arraes disputaram o segundo turno no Recife, com a vitória do candidato do PSB. Na campanha eleitoral, o pessebista, que largou atrás na corrida segundo as pesquisas de intenções de voto, partiu para ataques e críticas ao PT e à então candidata Marília.

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