Arraes e os tempos que correm. Por Edson Barbosa

jamildo
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Publicado em 19/03/2021 às 16:20
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
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Por Edson Barbosa, em artigo enviado ao blog

Recife, setembro de 1998, Poço da Panela, esperei ele entrar na sala diante de duas canecas de chá de boldo e fé em Deus.

- bom dia Dr Edson, quer dizer que eu vou ter de explicar ao povo de Pernambuco que não sou ladrão!?

Sua mão direita espalmada explodiu sobre a mesa e os olhos apertados me fulminaram.

- até hoje o senhor fez do silêncio o seu maior alto falante, agora precisamos da sua palavra, doutor Arraes.

Do outro lado da mesa, a professora Tania Bacelar e o engenheiro João Recena, ambos Secretários de Estado, olhavam firmes pra mim, piedosos, solidários, como se agradecidos pelo diálogo que escutavam.

Aquele instante mágico encerrou uma das mais sórdidas campanhas na tentativa de desmoralização de um homem honrado, como Dr. Miguel Arraes de Alencar.

Sua palavra desmontou solenemente a acusação que virou a onda, dos “precatórios transacionados ao arrepio da lei”.

Os adversários injuriosos se calaram.

O assunto foi transitado e julgado em última instância pelo STF, anos depois.

Quando a força da palavra de um homem encontra eco de verdade na percepção do outro, não há infâmia ou injúria que resista.

O juízo parcial vira pó. A verdade foi dita, plena.

Esse é o ponto da posição de Lula diante da sociedade. Mais do que ...“não há provas contra mim”, o que vale mesmo é “...não sou isso que tentam injustamente me imputar”.

A decisão do ministro Edson Fachin, que será submetida ao pleno do STF, é apenas o desenrolar jurídico/administrativo de parte da questão no tempo do rito judicial. Do mesmo modo, a suspeição do juiz Sérgio Moro, o cipoal de ações e o tremendo imbróglio jurídico que virá.

No jogo da política o que vai valer mesmo, ou não, é a força da palavra de Lula. E nesse quesito, o ex-presidente largou forte, cantando pneu e soprando fumaça na cara do seu principal adversário pra 2022, e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro.

Essa é uma corrida de 19 meses, complicada, com muitos obstáculos a superar.

O que pode parecer previsível hoje, “...pode ser como uma nuvem. A gente olha pro céu, ela tá lá, baixou a vista, olhou de novo, ela não mais está”.

Atribui-se essa frase a Ulisses Guimarães ou Magalhães Pinto, já escutei as duas versões de autoria. “Pouco importa quem disse...”, diriam ambos.

O fato é que a nuvem virou vendaval.

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