Com Lula elegível, PSB vê 'maiores chances' de aliança com PT em Pernambuco em 2022. Dobradinha preocupa PDT, de Ciro Gomes

José Matheus Santos
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José Matheus Santos
Publicado em 16/04/2021 às 10:58
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Imagem de 2019 com João Campos, Geraldo Julio e Lula no Recife - FOTO: Foto: Divulgação
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Após o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar, por 8 votos a 3, a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Operação Lava Jato, o PSB de Pernambuco passou a ver maiores chances de uma composição em 2022 com o petista no estado.

Fontes ouvidas pelo Blog antes da sessão desta quinta do STF estavam cautelosas quanto à decisão final do STF, se haveria mesmo a confirmação das anulações, o que veio a se confirmar.

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Para um deputado federal do PSB, ouvido nesta sexta, com a ratificação pelo plenário do Supremo da decisão do ministro Edson Fachin, o caminho está pavimentado para uma candidatura de Lula à presidência da República, bem como para um arco da alianças que inclua o PSB, que diz ter como uma das prioridades em 2022 derrotar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que deverá tentar a reeleição.

"O PSB tem como prioridade, assim como outros partidos de oposição, derrotar Bolsonaro na eleição de 2022. Primeiro, devemos discutir programas e propostas para em seguida discutirmos nomes. No caso de Pernambuco, não descartamos aliança com Lula ou com qualquer outro nome do PT, pois estamos abertos e temos uma ligação histórica de muitas eleições. Acho possível uma aliança", afirma este deputado, sob reserva de fonte.

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Um integrante da Direção Nacional do PSB, também sob reserva, diz que, com a confirmação pelo plenário do STF da decisão de Fachin, as chances de aliança do partido com o PT "aumentam". "Há mais chances, claro, não se pode negar o potencial eleitoral de Lula. Mas não é fato consumado, tem muito tempo até 2022, entretanto, não há portas fechadas no PSB. (Portas fechadas) Só para Bolsonaro e autoritários como ele".

Para 2022, o PSB tem como provável candidato a governador o ex-prefeito do Recife e atual secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Geraldo Julio, na tentativa de suceder Paulo Câmara.

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Na semana passada, conforme o Blog revelou em primeira mão, o ex-presidente Lula e o governador Paulo Câmara se reuniram de forma virtual para debater a conjuntura política e cenários com vistas à próxima eleição.

O encontro foi interpretado como uma sinalização de que o ex-presidente estaria disposto a retomar aliança com o PSB, o que ocorreu nas eleições de 2018, por exemplo, apesar da disputa dura do partido com o PT no segundo turno das eleições para a Prefeitura do Recife em 2020.

Integrantes do PT Nacional trabalham para retomar as pontes com o PSB e veem que o prefeito do Recife, João Campos, pode ter um dos focos de resistência a uma nova aliança entre as duas legendas. Entretanto, membros do Diretório Nacional petista avaliam que Lula tem uma boa relação com a família do ex-governador Eduardo Campos e que isso poderia ser um caminho para a retomada de alianças políticas.

O PT, por sua vez, até antes mesmo da decisão do STF sobre Lula, tinha como nome mais cotado o de Humberto Costa. Nesse caso, o objetivo de lançar a postulação do senador seria para fazer um palanque para a candidatura do PT na eleição presidencial. Agora, com Lula elegível - e se isso se efetivar até as convenções partidárias do próximo ano, os planos devem priorizar uma aliança em torno da factível candidatura do ex-presidente ao Palácio do Planalto.

Lula deve intensificar nos próximos meses os diálogos com partidos como PSB, MDB e PSD. Ainda que haja alas nessas legendas contrárias à eventual aliança com Lula, o PT entende que é possível firmar alianças em estados.

Como Pernambuco é o principal estado sob o comando do PSB, uma aliança em Pernambuco seria prioridade para o PT em troca de um apoio à postulação de Lula no âmbito nacional.

No PSB local, a avaliação é que uma aliança em Pernambuco com o PT é possível e uma aliança entre Geraldo Julio e Lula traria benefícios eleitorais para ambos.

Na composição, o PT poderia sacrificar Humberto Costa para governador, que até o momento não confirmou publicamente a intenção de disputar, em prol de um apoio do PSB, ou de parte dele, a Lula no âmbito nacional.

Conforme revelou o Blog em março e em apurações nesta sexta-feira, a avaliação de parlamentares do PSB é de que, com a alta popularidade de Lula no estado, sobretudo no interior, a eleição de Geraldo Julio (PSB) para governador ficaria mais segura, diferentemente de uma aliança com o PDT, de Ciro Gomes - menor potencial de votos no estado em relação a Lula, historicamente.

"Quem traria mais benefícios para o nosso palanque? Uma aliança com Ciro Gomes ou com Lula, sendo candidato?", resumiu um integrante do PSB de Pernambuco ainda em março ao Blog.

No mês passado, como mostrou a reportagem, a fala de um deputado do PSB, de outro estado, reforça a força do grupo de Pernambuco no partido. Este parlamentar é contrário à aliança do PSB com o PT e defende um movimento em prol de nomes de centro, como Luciano Huck. "O momento pede equilíbrio", afirmou. Entretanto, o parlamentar admitiu, na ocasião: "quem comanda o PSB é o grupo de Pernambuco".

PDT acende alerta

Com a ratificação do STF ao anular as condenações de Lula, acompanhantes da cena política local avaliam que um dos maiores prejudicados poderá ser o PDT, que pretende lançar como candidato a presidente o ex-ministro Ciro Gomes.

Pedetistas seguem aliados do PSB em Pernambuco, tanto no Governo do Estado como na Prefeitura do Recife. Na capital, inclusive, a vice-prefeita é a pedetista Isabella de Roldão.

O palanque do PSB em Pernambuco está no radar do PDT para ser base eleitoral de Ciro Gomes no estado. Com Lula no páreo, um dirigente local pedetista afirma: "o alerta acendeu, mas vamos seguir aliados do PSB. 2022 deve ser resolvido em 2022".

O PDT tenta passar por um processo de fortalecimento em Pernambuco e trabalha para ampliar o número de deputados estaduais e federais. A legenda tem atualmente apenas 1 deputado estadual e 2 federais e pretende ampliar o número de parlamentares, sobretudo na Assembleia Legislativa em 2022. 

Entretanto, dirigentes da sigla veem dificuldade em isso acontecer em eventual rompimento com o PSB meses antes da eleição de 2022.

A aliança com o PSB é tratada como "plano A" do PDT. Em 2020, os dois partidos estiveram juntos em eleições de capitais, como Maceió, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, com a dobradinha de João Campos e Isabella de Roldão.

Acordão em 2018

Em 2018, o PSB não apoiou o PDT e ficou “neutro” na eleição presidencial. Em Pernambuco, estado do grupo mais forte do PSB, os pessebistas apoiaram Fernando Haddad (PT) para presidente, em 2018. Dois anos antes, o PSB apoiou o impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

PT e PSB fizeram acordo de bastidor em 2018. O PT retirou a pré-candidatura Marília Arraes para o Governo de Pernambuco e apoiou Paulo Câmara. E o PSB rifou aliança provável com Ciro Gomes e apoiou o PT em Pernambuco.

O palanque em Pernambuco, além de Paulo Câmara e da vice Luciana Santos (PCdoB), juntou Humberto Costa (PT) e Jarbas Vasconcelos (MDB), que foram candidatos e eleitos para o Senado Federal.

Em 2020, no Recife, PT e PSB estiveram em campos opostos. O PSB lançou João Campos, com apoio do PDT, e o PT lançou Marília Arraes, que perdeu no segundo turno para o filho do ex-governador Eduardo Campos.

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