'PSB é um grande partido, mas em Pernambuco acumula contradições', diz Túlio Gadêlha. Deputado defende unidade da oposição a Bolsonaro em 2022

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 28/04/2021 às 7:44
Túlio Gadêlha (Foto: Leo Motta/JC Imagem)
Túlio Gadêlha (Foto: Leo Motta/JC Imagem)
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O deputado federal Túlio Gadêlha (PDT) disse, nesta terça-feira (27), ao ser questionado sobre uma eventual aliança do seu partido com o PSB na eleição presidencial de 2022, que "toda aliança é benéfica, desde que não apresente contradições". Nesse último ponto, o parlamentar elencou o que considera incoerências do PSB em Pernambuco.

Em 2022, o PDT tem Ciro Gomes como pré-candidato a presidente. Para o partido, já ficou claro: uma aliança com o PSB é prioridade. Mas os pessebistas passaram a se reaproximar do PT nas últimas semanas, após a retomada da elegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a anulação das condenações na Operação Lava Jato e decretação pelo STF da falta de imparcialidade de Sergio Moro ao julgar o petista no caso do tríplex do Guarujá (SP).

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Túlio avalia como errada a estratégia da oposição a Bolsonaro de atuar em estratégias diferentes.

"Acho que o PT e o PDT estão se movimentando para formarem seus blocos. Acho um erro esse movimento separado das oposições. Em qualquer projeto político, toda aliança é benéfica, desde que não apresente contradições. O PSB é um partido grande, mas em Pernambuco acumula desgaste e contradições. Já estiveram no palanque de Aécio, foram favoráveis ao impeachment de Dilma, apoiaram Haddad, apalavraram apoio a Ciro, agora sinalizam para Lula. Vai entender", disse Túlio, em resposta por escrito ao Blog.

O deputado defendeu que a oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atue em unidade de olho na próxima eleição presidencial. Túlio admite que é difícil que isso aconteça, o que é reforçado pelos atritos entre PT e PDT nos últimos anos.

"Defendo que a estratégia seja a formação de um bloco, de uma unidade da oposição. É sonhar? É. Mas se não somos capazes de nos unir diante do genocídio do nosso povo, acredito que não estejamos à altura para governá-lo. Isso vale para Lula e Ciro. Com a oposição dividida, seremos sempre degraus para Bolsonaro subir", afirmou Túlio.

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Sobre espaço para convivência política com o PSB em Pernambuco, caso haja aliança dos pessebistas com o PDT nas eleições do próximo ano, Túlio diz que "é difícil esquecer 2020", quando um suposto áudio do deputado foi utilizado pela campanha do segundo turno do PSB no Recife para atacar a candidata do PT, Marília Arraes. Na suposta gravação, Túlio teria dito que Marília o teria incentivado a fazer fundo de campanha com assessores parlamentares.

"É difícil esquecer 2020. O PSB panfletou fake news sobre a candidata Marília Arraes, chamando-a de abortista, dizendo que ela defendia a legalização das drogas, a ideologia de gênero nas escolas. Eu lembro daquele panfleto vermelho. Eu também já fui vítima de fake news. Sobre o áudio, foram obrigados pela Justiça Eleitoral a retirar do guia. Preferiram manter pagando multa diária. Em suma, uma campanha horrível. Em Pernambuco existe um espaço político enorme para os que estão longe do PSB", disse o pedetista.

Anulação das condenações de Lula

Túlio Gadêlha também defendeu a anulação das condenações do ex-presidente Lula na Lava Jato e que o ex-juiz Sergio Moro atuou com parcialidade nos processos do petista na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba. Entretanto, o deputado frisou que não está no grupo dos que acreditam na inocência de Lula.

"Existem dois tipos de lulalivristas: o primeiro, são os que acreditam na sua inocência; o segundo, os que defendem que Moro agiu com parcialidade. Eu estou no segundo grupo. E isso, já foi comprovado. Moro agiu com interesse político. Descobriram que o juiz tinha lado. O árbitro foi expulso do jogo. Os gols foram anulados. A partida recomeçou e o PT joga com os titulares", disse Gadêlha.

Nos bastidores do PDT, a retomada dos direitos políticos de Lula e a provável candidatura dele a presidente ligaram o alerta no projeto de candidatura de Ciro Gomes, já que o PT é visto como "forte" na disputa, sobretudo com o ex-presidente no páreo.

Questionado sobre o assunto, Túlio Gadêlha disse: "Não coloco projeto político a frente de princípios. Estive com Lula no ABC Paulista, em 2018, um dia antes dele ser preso, mesmo sabendo que uma possível candidatura dele desidrataria o projeto Ciro Gomes. Fui contra a prisão de Lula e defendi sua soltura por compreender que aquela condenação era motivada por interesse político. Hoje a Justiça provou tudo isso."

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