Dinheiro do CaboPrev foi investido em fábrica de lanche para cães e gatos que nunca saiu do papel, diz gestão Keko do Armazém

jamildo
jamildo
Publicado em 07/05/2021 às 8:45
O CaboPrev é o órgão gestor do regime próprio de Previdência Social do município
(Foto: Reprodução Google Street View)
O CaboPrev é o órgão gestor do regime próprio de Previdência Social do município (Foto: Reprodução Google Street View)
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Na quarta-feira (5), em sessão remota da Câmara Municipal, os responsáveis técnicos do CaboPrev prestaram contas aos vereadores do município sobre a atuação do CaboPrev no ano de 2020.

O relatório da gestora Veritas Capital Management, contratada pelo CaboPrev para gerir os fundos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos servidores do município, mostra que a antiga administradora da entidade permitiu investimentos de R$ 92 milhões em ativos de alto risco.

Deste total, pelo menos R$ 53 milhões não tem mais como voltar aos cofres públicos, mostra o documento.

Entre as piores, e mais vultosas aplicações, está a compra de debêntures da Holding Bittenpar Participações S.A, que lançou títulos de dívida privada para construir uma fábrica de snacks (lanches) de cães e gatos que nunca saiu do papel.

Segundo o balanço, essa empresa lançou R$ 158 milhões em debêntures no mercado e sua dívida atual ultrapassa R$ 273 milhões. Como garantia, a companhia tem apenas um terreno no valor de R$ 40 milhões.

De acordo com a apresentação, outro investimento de alto risco administrado pelo fundo Terra Nova, contratado em 2017 pelo CaboPrev, foi feito na compra de debêntures da XMasseto Participações.

"Essa empresa lançou R$ 40 milhões em crédito privado e hoje deve mais de R$ 60 milhões no mercado. Sua garantia de pagamento é de apenas R$ 5 milhões, relativos a uma cota de outra empresa do grupo. O dinheiro que a XMasseto captou no mercado tinha o objetivo de lançar uma segunda Bolsa de Valores brasileira, projeto que também não saiu do papel", informou a consultoria.

A apresentação seguiu apontando problemas.

"A CaboPrev, através da Terra Nova, ainda aplicou, da mesma forma, alguns milhões na EBPH Participações, empresa alvo da Operação Greenfield da Polícia Federal, que investigou a atuação de uma organização criminosa contra Fundos de Pensão. Também foram feitos aportes em debêntures da CRI Porto Quality, que planejava construir um hospital em Belém e também na M. Invest Planejamento, que pretendia erguer um shopping center. A SPE Solair também recebeu recursos dos servidores do Cabo, num empreendimento de R$ 58 milhões que acumula dívida de mais de R$ 120 milhões atualmente. Nenhum desses projetos foi finalizado, o que leva a gestora Veritas a constatar que todo o investimento está perdido".

Segundo a gestão municipal anunciou, em razão dos problemas, a área jurídica do CaboPrev planeja entrar com novas medidas judiciais contra as pessoas indiciadas na ação civil pública do Ministério Público do Estado (MPPE) sobre a má gestão dos recursos do CaboPrev.

O consultor jurídico da entidade municipal, Jalígson Hirtácides, informou que não pode informar quem será acionado e nem que tipo de movimento será incluído na ação movida pelo MPPE.

“O processo corre em segredo de Justiça e futuras medidas judiciais serão intensificadas dada a constatação do prejuízo consumado de R$ 53 milhões", disse.

Cascata de fundos

Os técnicos da Caboprev mostraram na apresentação que "os investimentos feitos pela Terra Nova geraram perdas de 70% no acumulado de 2020, prejudicando a rentabilidade do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do Cabo, o que ajudou a somar uma perda global de R$ 74 milhões no ano passado".

Uma parte das perdas também foi gerada pelo estresse do mercado financeiro, no ano passado, por causa da pandemia do novo coronavírus.

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