Ato nacional em Brasília pressiona Parlamento e exige auxílio de R$ 600 para 70 milhões de brasileiros

jamildo
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Publicado em 24/05/2021 às 15:10
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Na quarta-feira (26), a partir das 10h, as centrais sindicais e os movimentos sociais, de forma unitária, farão ato nacional e presencial em Brasília, em frente ao Congresso Nacional.

Eles prometem um ato presencial, porém, sem aglomeração e sob todos os protocolos sanitários para evitar contágio e propagação do coronavírus. "Em respeito à vida, à ciência e às famílias de quase meio milhão de pessoas que morreram nem de Covid-19 e em consequência do negacionismo e incompetência do governo federal", afirmam.

"Pandemia, desemprego, falta de vacina no braço e de comida no prato. O povo brasileiro está passando fome e a redução do valor e do alcance do auxílio emergencial, um crime cometido pelo governo federal, levou essa situação ao extremo."

O ato será integralmente transmitido, ao vivo, para todo o Brasil, via redes sociais e Youtube dos organizadores, além de TVs comunitárias.

CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, CSB, Intersindical, Pública, CSP-Conlutas, CGTB, CONTAG, MST e Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo organizaram o ato 26M em defesa do auxílio emergencial de R$ 600, contra a fome e a carestia, por vacina no braço e comida no prato.

Também ratearam o custo da doação de três toneladas de alimentos agroecológicos a catadores de material reciclável cooperativados.

A mobilização terá as presenças e falas dos presidentes nacionais das centrais sindicais e das lideranças dos movimentos sociais, além de parlamentares. Todos falarão do alto de um caminhão de som, voltados ao Parlamento.

O ato também marcará o lançamento e a entrega a lideranças partidárias no Congresso Nacional da primeira Agenda Legislativa das Centrais Sindicais para a Classe Trabalhadora.

Os sindicalistas solicitaram audiência com os presidentes Arthur Lira (Câmara dos Deputados) e Rodrigo Pacheco (Senado) para entregar o documento.

Elaborada em conjunto com o DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), a Agenda é um documento de resistência e atuação propositiva junto ao Congresso Nacional, que traz o posicionamento e faz propostas do movimento sindical a 23 projetos em tramitação na Câmara dos Deputados e Senado.

"A maioria desses projetos afeta negativamente a vida e os direitos da classe trabalhadora, como a reforma administrativa, privatizações e auxílio emergencial reduzido", reclamam.

“Nos últimos anos o povo brasileiro tem enfrentando ataques, sobretudo, nos direitos trabalhistas. Estamos apresentando a nossa Agenda Legislativa para este ano com o foco na defesa da vida, dos empregos e da democracia, contra os ataques desse governo genocida. O primeiro grande embate é a defesa do auxílio emergencial de R$ 600, não podemos aceitar que o presidente em uma canetada aumente o próprio salário em mais de R$ 10 mil e para o povo ofereça R$ 150 de auxílio”, afirma Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros).

Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), destaca o ineditismo da iniciativa.

“Pela primeira vez, de forma unitária, as Centrais Sindicais têm uma proposta de resistência e atuação propositiva junto ao Congresso Nacional, que, neste momento, é traduzida nessa importante Agenda Legislativa que disseca, se posiciona e também faz proposições a projetos e medidas que estão na pauta da Câmara dos Deputados e Senado e afetam diretamente a classe trabalhadora”, diz.

"A agenda legislativa é um grande sinal de que os trabalhadores estão se organizando para atuar no Congresso em defesa da democracia", complementa Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores).

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, reforça ainda que os parlamentares devem “colocar a mão na consciência” para um gesto de “grandeza” pelos brasileiros, “exigindo a votação da medida provisória do auxílio emergencial, para que ela não caduque como deseja o governo”.

ATO COMEÇA NA COLHEITA

Ao final do ato, serão doados alimentos, cultivados sem agrotóxicos, pela agricultura familiar em áreas da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares) e assentamentos do MST.

Serão mais de 600 cestas com, ao mínimo, 16 itens colhidos na véspera (terça-feira, 25) do ato e transportados em quatro caminhões até a frente do Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios, onde serão expostos simbolicamente no gramado, em forma de mosaico.

Serão doados a 600 catadores de material reciclável da CENTCOOP, cooperativa na periferia do Distrito Federal, trabalhadores atingidos pela falta de emprego e redução do auxílio emergencial.

30 MILHÕES SEM AUXÍLIO

Em 2020, o auxílio emergencial foi de R$ 600, chegando até 1.200 para mães chefes de família com filhos menores de 18 anos. Neste ano, por decisão do governo federal, esse valor vai de R$ 150 a R$ 375, no máximo.

No ano passado, 68 milhões de brasileiros tinham direito ao auxílio por conta da pandemia. Neste ano, esse número, segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), baixou para 38,6 milhões de beneficiados.

"Em consequência das novas regras impostas pelo governo federal, quase 30 milhões de brasileiros passaram a viver em insegurança alimentar", reclamam.

Oficialmente, o Brasil tem 14,5 milhões de famílias vivendo em extrema pobreza registradas no CadÚnico (Cadastro Único do governo federal), ou seja, 40 milhões de pessoas, mas milhões estão fora das estatísticas oficiais nessa pandemia.

Os R$ 600 garantiram a segurança alimentar e a roda da economia girando em 2020, quando a cesta básica nas maiores capitais do país era de R$ 500. Neste ano, subiu e custa R$ 600, enquanto o auxílio, para milhões, baixou a menos de um terço do valor do ano passado.

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