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Liana Cirne deverá ser candidata nas eleições 2022 em Pernambuco. PT fala em priorizar estratégia nacional e eleição de deputados

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 31/05/2021 às 9:53
Társio Alves/Foto
Társio Alves/Foto
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Alvo de spray de pimenta enquanto tentava dialogar com policiais militares durante a manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro no Recife no sábado (29), a vereadora Liana Cirne (PT) deverá ser candidata a deputada estadual nas eleições de 2022 em Pernambuco.

O PT já tinha a candidatura alinhada desde o mês de abril, antes mesmo da repercussão nacional da agressão à vereadora no último sábado.

A parlamentar foi a mais votada do PT no Recife nas eleições de 2020, com mais de 6 mil votos.

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Professora de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Liana Cirne é ligada à deputada federal Marília Arraes, também do PT.

Liana faz parte da ala petista crítica ao PSB no Recife e em Pernambuco. Ela é a líder da bancada do PT na Câmara Municipal. Além de Liana, são vereadores petistas na capital pernambucana Jairo Britto, também de oposição ao prefeito João Campos, e Osmar Ricardo, próximo ao PSB.

Nos bastidores do PT, nomes já são cotados como prováveis candidatos nas chapas proporcionais no próximo ano. Para estadual, devem disputar no PT, além de Liana, o ex-prefeito de Serra Talhada Luciano Duque, o ex-prefeito de Petrolina Odacy Amorim e o atual deputado estadual e presidente do PT em Pernambuco, Doriel Barros, que deverá tentar a reeleição.

Nas hostes petistas, há quem não descarte que Liana Cirne tente uma vaga de deputada federal depois da repercussão nacional do episódio do sábado (29) em que foi agredida por integrantes da Polícia Militar durante protestos contra Jair Bolsonaro no Recife.

Entretanto, segundo apurou o Blog, pela proximidade com Marília Arraes, Liana tende a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

No Parlamento Estadual, o PT tem atualmente três deputados: Doriel Barros, Dulcicleide Amorim e Teresa Leitão.

PT diz que prioridade é estratégia nacional

Em resolução aprovada neste domingo (30), o Diretório do PT de Pernambuco frisa que uma das prioridades do partido no âmbito local será a formação de chapas para as disputas de deputado federal e estadual.

"Não podemos errar na medida. Está em jogo nas próximas eleições o futuro do País e das próximas gerações. Por isso, constituímos o GTA estadual e como primeira tarefa aprovamos o objetivo de construirmos chapas fortes para deputados estaduais e federais. Nossa presença no Poder Legislativo é fundamental e nosso objetivo é termos uma chapa representativa nos segmentos, com presença de várias representações das regiões do Estado. Nossa meta é ampliar nossas bancadas na Câmara e na Assembleia Legislativa, pois ter uma representação forte no parlamento fortalece nossa luta permanente pela democracia e pela vida", afirma o partido.

O PT pernambucano também afirma que a estratégia para as próximas eleições será priorizar a orientação nacional. O partido deverá ter o ex-presidente Lula como candidato à Presidência da República no próximo ano.

"Pensando na responsabilidade e no compromisso definimos que a prioridade é seguir a orientação nacional, ou seja, por meio de nosso grande líder Lula. As conversas estão a pleno vapor e sabemos da importância de Pernambuco, pois em 2006 perdemos a grande oportunidade de governarmos nosso Estado. Naquele momento fomos penalizados, principalmente pela forma caluniosa que culminaram com acusações (hoje já dirimidas pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a inocência do senador Humberto Costa, nosso candidato a governador naquela campanha eleitoral) e, mesmo após aquele processo, fomos decisivos para a vitória da Frente Popular de Pernambuco daquele momento", diz o PT de Pernambuco.

Para 2022, PSB e PT têm se reaproximado para a formação de uma possível aliança eleitoral. O PSB deverá ter Geraldo Julio, ex-prefeito do Recife e atual secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, como candidato a governador na sucessão de Paulo Câmara. O PT avalia que uma aliança com o PSB pode ser importante para o projeto presidencial de Lula e isso passa por uma coligação em Pernambuco.

"O PT de Pernambuco está pronto para defender a estratégia nacional. Iremos debater e deliberar dentro de nossas instâncias, dialogando e construindo com a Direção Nacional do Partido, de modo que o PT de Pernambuco seja protagonista e decisivo para a vitória da Frente Anti-Bolsonaro em Pernambuco, elegendo uma chapa majoritária comprometida com o projeto nacional, uma bancada federal e estadual sintonizadas com a transformação do Brasil e de Pernambuco, cujo objetivo central é derrotar Bolsonaro nas eleições de 2022", afirmam os petistas, sem menção direta ao PSB.

Atualmente, o PT não faz parte da base aliada do PSB, após a disputa tensa no segundo turno do Recife entre João Campos e Marília Arraes. Na segunda etapa da disputa pela Prefeitura, a campanha se acirrou entre os dois partidos, e o PSB, que largou atrás nas pesquisas de intenção de voto, fez inserções eleitorais no rádio e na televisão em alusão negativa a lideranças nacionais do PT, deixando de fora o ex-presidente Lula.

Sobre as manifestações do sábado no Recife, marcada pela ação de policiais militares de Pernambuco em repressão a manifestantes, o PT classificou a medida como "truculenta" e pediu "que se faça necessária a punição exemplar de todos os envolvidos nos atos de violência e intolerância da Polícia Militar de Pernambuco".

"É fundamental que o governo do Estado apure e noticie à sociedade o resultado da apuração, dos responsáveis pelos atos e das medidas adotadas para que se evitem situações similares no futuro", diz o PT.

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