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Falas homofóbicas de Flávio Koury, conselheiro do Sport, sobre Gil do Vigor completam um mês. Romero Albuquerque vê tentativa de fazer caso 'cair no esquecimento'

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 14/06/2021 às 14:44
Foto: Anderson Stevens/Sport Club do Recife
Foto: Anderson Stevens/Sport Club do Recife
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Nesta segunda-feira (14), completa um mês que o Blog revelou, em primeira mão, que o ex-BBB foi alvo de comentários homofóbicos promovidos por Flávio Koury, advogado e conselheiro do Sport, durante uma conversa em grupo de WhatsApp de integrantes do Conselho Deliberativo do clube. Três depois da revelação, Koury pediu desculpas.

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Nos ataques, Koury criticou o fato de Gil ter feito, na Ilha do Retiro ao visitar o Sport, a dança que ficou famosa como "tchaki, tchaki" durante o Big Brother Brasil 21.

Os áudios foram vazados pelo deputado estadual Romero Albuquerque (PP), também conselheiro do Sport. O parlamentar disse, na ocasião, que as falas de Koury não poderiam ficar restrita às conversas no aplicativo de mensagens. Em nota oficial, em maio, o Sport Club do Recife disse não compactuar com a homofobia e enalteceu Gil do Vigor.

Apesar do posicionamento do clube, 30 dias após a revelação das falas, com repercussão nacional, ainda não houve deliberação do Conselho do Clube sobre se haverá ou não punição a Flávio Koury.

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O Conselho Deliberativo do Sport se reúne mensalmente, na segunda terça-feira de cada mês.

Na recente reunião de 08 de junho, o Conselho formou uma comissão de Ética, mas sem menções diretas a Flávio Koury na reunião.

O colegiado é composto por cinco integrante: três indicados pela presidência do Conselho Deliberativo e dois pelo plenário. A partir da criação dessa comissão, é que será possível decidir sobre a punição ou não a Flávio Koury.

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'Risco de cair no esquecimento'

Autor do pedido de exclusão de Flávio Koury do Conselho, o deputado estadual Romero Albuquerque (PP), também conselheiro do Sport, avalia que há tentativa de fazer com o que o caso "caia no esquecimento" e fique sem punição rígida.

"Se houvesse consenso da expulsão de Flávio, já teria formado o conselho de ética e convocado uma sessão extraordinária para o caso ser resolvido, mas acho que estão adiando para cair no esquecimento e Flávio Koury não ser tão punido", afirma Romero.

"Querem fazer com que o caso fique mais frio para não dar muito Ibope", acrescenta.

Para Albuquerque, pode ocorrer uma tentativa de, com o passar do tempo, haver uma pena mais branda para Koury, como uma advertência. "(Pode ocorrer isso) Pelo fato dele ter colocado várias pessoas renomadas para fazer parte do conselho de ética e o tempo que está levando para solucionar", diz Romero.

Romero Albuquerque também disse que fará um pedido para a convocação de uma reunião para que seja votada abertura de processo contra Flávio Koury.

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Trâmite

A reportagem tentou entrar em contato com o presidente do Conselho do Sport, Pedro Lacerda, nesta segunda, mas ele não atendeu às ligações. 

No dia 17 de maio, ele havia dito ao site "NE45" como funciona o trâmite de um processo de exclusão, que foi protocolado pelo deputado estadual e conselheiro Romero Albuquerque (PP): "O presidente da Comissão de Ética vai fazer uma análise técnica de processabilidade, da possibilidade daquele pedido ser levado adiante. Então ele vai fazer uma análise, ver se os pré-requisitos estão previstos e ele manda notificar o denunciado abrindo prazo para uma defesa prévia por escrito em até 15 dias”, disse Pedro.

A partir daí, de acordo com Pedro Lacerda, a Comissão de Ética tem 30 dias para emitir um parecer sobre a defesa, que pode ser prorrogável ‘por período igual’, ou seja, mais 30 dias. “É um processo que vai ter que seguir esse trâmite”, afirmou Pedro Lacerda ao "NE45" há três semanas.

Segundo o Blog apurou, até a semana passada o processo não tinha começado a tramitar ainda. Caso seja constatada infração de ética conforme o estatuto, o conselheiro pode sofrer desde a penalidade de censura a exclusão.

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