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Mesmo com partido crítico a mudanças em aposentadorias, vereadores do PCdoB não devem se opor a Reforma da Previdência de João Campos

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 15/06/2021 às 11:03
Foto: Facebook / Reprodução
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A bancada do PCdoB na Câmara de Vereadores do Recife não deverá se opor ao projeto de Reforma da Previdência do prefeito João Campos (PSB) nas aposentadorias de servidores públicos municipais.

O projeto de mudanças na Previdência dos servidores foi anunciado pela Prefeitura no dia 07.

O PCdoB tem posição crítica a mudanças em aposentadorias. Votou contra o projeto do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados em 2019 e tem atuado nesse sentido em reformas previdenciárias em estados e municípios, como nos ajustes nas aposentadorias em São Paulo e no Rio Grande do Sul, onde o partido é de oposição.

A legenda comunista adotou, nessas ocasiões, os discursos de que havia tentativa de "retirada de direitos" dos aposentadores e dos servidores públicos. "Para mim, é a reforma da maldade, da crueldade. Milhares de pessoas vão perder direitos. Quando você vê que há uma intenção de acabar com tudo que é do estado, essa coisa do estado mínimo, não é por aí. Num momento muito difícil da economia, fazer uma reforma dessas, vai acabar destruindo muitas famílias. Sou completamente contra essa reforma", disse a deputada estadual paulista Leci Brandão (PCdoB) sobre a Reforma de João Doria em São Paulo.

Na reforma do governo Bolsonaro, o deputado federal pernambucano Renildo Calheiros (PCdoB) classificou o projeto como uma "perversidade" e fez alerta aos colegas parlamentares: "não será algo tão simples. Os deputados que tirarem direitos do trabalhador serão lembrados na eleição. A maioria dos apoiadores da reforma trabalhista perderam seus mandatos na eleição passada".

No Recife, o PCdoB tem dois vereadores: Almir Fernando e Cida Pedrosa. Ambos tendem a não se opor à Reforma da Previdência do prefeito João Campos, segundo apurou o Blog com fontes do partido e da Câmara.

O partido faz parte da base aliada do governo do PSB no Recife e teme "não se indispor" com João Campos, com quem o PCdoB tem boa relação. A reportagem apurou que um voto de abstenção (nem a favor nem contra) está em avaliação no PCdoB.

Mais de uma semana após a divulgação do projeto, o PCdoB ainda não tem posição oficial sobre a Reforma da Previdência no Recife. É o que afirma a vereadora Cida Pedrosa, ao ser procurada pela reportagem.

"Estamos discutindo no partido, ainda não temos posição formada", afirmou.

Questionada se um eventual voto a favor da Reforma contrariava posições recentes do PCdoB, a vereadora Cida Pedrosa respondeu brevemente: "isso se resolve nas instancias partidárias", resumiu.

A parlamentar também disse que uma eventual posição contrária não traria um desgaste para a relação do PCdoB com o PSB: "de jeito nenhum, somos aliados".

Blog não conseguiu contato com o vereador Almir Fernando, também do PCdoB no Recife.

Entenda a Reforma da Previdência do Recife

A Prefeitura do Recife anunciou, na segunda-feira (7), mudanças no sistema previdenciário dos cerca de 19 mil servidores municipais da cidade.

O projeto foi divulgado pela secretária de Finanças, Mayra Fischer, e pelo controlador do município, Ricardo Dantas.

De acordo com o governo João Campos (PSB), as modificações têm como objetivo equilibrar as contas públicas e viabilizar investimentos de até R$ 1,5 bilhão nos próximos três anos.

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Além disso, a gestão alega que, com as novas medidas, será possível "viabilizar a criação do Hospital da Criança, dobrar a vaga de creches, criar o Embarque Digital, fortalecer a rede de drenagem do município, entregar 50 mil títulos de posse, dois novos grandes parques, o Compaz Bidu Krause, realizar mil obras do Parceria por ano, calçar novas ruas e ampliar o Crédito Popular", promessas de campanha de João Campos (PSB) nas eleições de 2020.

Os ajustes da gestão João Campos foram anunciados menos de um ano após a gestão Geraldo Julio, em 2020, deixar de recolher valores da Previdência do Recife para investir no combate à covid-19. Na época, o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) foi contra a medida.

O texto da proposta foi enviado na segunda-feira (07) para a Câmara de Vereadores do Recife, que terá que apreciar e votar o projeto.

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O gestão João Campos alega que as medidas obrigatórias estarão alinhadas à Reforma da Previdência feita em 2019 pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) para que a cidade “possa continuar recebendo recursos do Governo Federal e com aval para realizar operações de crédito”. Segundo a Prefeitura do Recife, caso as adequações não sejam feitas, a capital pernambucana ficará com as contas negativadas.

A proposta da Prefeitura prevê o reajuste de pouco mais de 1 ponto percentual na alíquota de contribuição, passando de 12,82% para 14% - exigência para ser cumprida ainda neste ano - e a idade mínima para aposentadoria será fixada em 61 anos para mulheres e 64 anos para homens.

Além disso, o cálculo para o valor das aposentadorias será modificado. O cálculo do sistema previdenciário do Recife passará a valer com a média das 90% maiores remunerações, em índice menor que o do Governo Federal, que é de 10%.

A pensão por morte ficará em 50% da cota familiar e 15% por dependente. Na reforma do Governo Federal, em que o prefeito João Campos votou contra, na época em que era deputado federal, ficou estabelecido que seria 50% da cota familiar e 10% por dependente. Ou seja, o Recife terá percentuais menores.

Ainda conforme a Prefeitura do Recife, não haverá alteração para quem já recebe aposentadoria.

Outras medidas impostas pela legislação federal são vincular o teto do regime previdenciário do município ao teto do regime geral para os novos servidores concursados. Além disso, será criada a previdência complementar para os novos servidores que, ao aderir, poderão ter o dobro do teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), segundo a Prefeitura.

As mudanças devem englobar um total de 19 mil servidores estatutários que, para se aposentar, deverão seguir as novas regras de transição, entre elas o sistema de pontuação para alcançar a aposentadoria, somando a idade com o tempo de contribuição. Cerca de mil servidores que já reúnem as condições para se aposentar poderão fazê-lo com as regras atuais, informou a gestão municipal.

Os professores terão regras diferentes no novo regime previdenciário dos servidores municipais. Para a categoria, valerá a idade mínima de 56 anos para mulheres e 59 anos para homens, ou seja, cinco anos a menos do que as demais categorias.

O projeto de lei também prevê alterações no Estatuto do Servidor Público Municipal, com o fim do pagamento da licença-prêmio. Com isso, o estatuto seguirá modelos dos servidores do Governo Federal e do Governo de Pernambuco.

Também será empregado um Programa de Desligamento Voluntário para os servidores da administração indireta do município que estão sob o regime da CLT - Autarquias de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), de Urbanização do Recife (URB) de Serviços Urbanos do Recife (Csurb) e de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), além da Empresa Municipal de Informática (Emprel).

Segundo a prefeitura, o programa "oferece vantagens para os servidores que optarem por aderir ao desligamento, como uma indenização de até 15 vezes a remuneração mensal do servidor (sendo o referente a 12 salários mensais e três licenças-prêmio) e a manutenção do acesso ao Saúde Recife por até 12 meses. Vale a ressalva de que metade do público-alvo dessa ação já está aposentada".

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