MINISTÉRIO PÚBLICO

PGR pede abertura de investigação para apurar suposta prevaricação de Bolsonaro no caso Covaxin

Procuradoria-Geral da República quer depoimento de Bolsonaro e outras medidas durante a investigação.

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 02/07/2021 às 13:08
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Jair Bolsonaro, presidente da República - FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), na manhã desta sexta-feira (02), a instauração de inquérito para apurar a suposta prevaricação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no caso das possíveis irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin.

De acordo com o deputado Luis Miranda (DEM-DF), ele e o irmão, o servidor Luis Ricardo Miranda, avisaram Bolsonaro em uma reunião no dia 20 de março sobre suspeitas de irregularidades na compra do imunizante. O inquérito buscará esclarecer se Bolsonaro prevaricou diante da denúncia, ou seja, não tomou as medidas cabíveis.

Diante das denúncias dos irmãos Miranda, o governo afirmou que Bolsonaro avisou o então ministro Eduardo Pazuello sobre as suspeitas no dia 22 de março. Só que Pazuello foi exonerado no dia seguinte, 23 de março. E o contrato com a Covaxin só foi suspenso nesta semana, mais de 3 meses depois da denúncia.

O pedido da PGR ocorre após a ministra Rosa Weber, do STF, cobrar uma posição da procuradoria sobre a notícia-crime apresentada por três senadores ao tribunal pedindo a investigação das denúncias.

A PGR havia pedido para aguardar a conclusão da CPI, mas a ministra afirmou que a apuração da comissão não impede a atuação do Ministério Público Federal.

A PGR argumentou que havia pedido para aguardar as conclusões da CPI para evitar um conflito nas apurações. O vice-procurador-geral, Humberto Jacques de Medeiros, que assina o pedido ao STF, avaliou que, inicialmente, era melhor esperar os indícios reunidos pela comissão para avaliar se houve crime por parte do presidente.

Nesta sexta, PGR pediu a investigação sobre os fatos informados pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede/AP), Fabiano Contarato (Rede/ES) e Jorge Kajuru (Pode/GO), em notícia-crime apresentada ao Supremo na última segunda-feira (28).

No documento, os parlamentares atribuem ao presidente da República, Jair Bolsonaro, a prática de prevaricação, infração penal descrita no artigo 319 do Código Penal.

Na manifestação desta sexta-feira, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros indica diligências iniciais a serem cumpridas mediante autorização da relatora do caso, ministra Rosa Weber, a quem se destina o documento. As medidas incluem a solicitação de informações à Controladoria-Geral da União, ao Tribunal de Contas da União, à Procuradoria da República no Distrito Federal, e em especial à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia sobre a pendência de procedimentos relativos aos mesmos fatos, e, em caso positivo, o compartilhamento de provas.

Também foi requerida a produção de provas sobre a prática do ato de ofício após o prazo estipulado ou o tempo normal para sua execução, com infração a expressa disposição legal ou sua omissão; a competência dos supostos autores do fato para praticá-lo; a inexistência de discricionariedade quanto à prática ou omissão do ato pelo agente; caracterização de dolo, direto ou eventual, acrescido do intuito de satisfazer interesse ou sentimento pessoal, além do depoimento dos supostos autores do fato, inclusive de Bolsonaro.

No documento foi sugerido prazo de 90 dias para a efetivação das providências apontadas.

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