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DEPUTADO FEDERAL

'Estou de malas prontas e frustrado', diz Túlio Gadêlha sobre possível saída do PDT. Deputado critica comando do partido: 'são 27 anos de comissão provisória em Pernambuco'

Deputado federal conversa com quatro partidos sobre possível filiação para as eleições de 2022.

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 06/07/2021 às 10:27
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Túlio Gadêlha (Foto: Leo Motta/JC Imagem)
Túlio Gadêlha (Foto: Leo Motta/JC Imagem)
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O deputado federal Túlio Gadêlha (PDT-PE) admitiu, nesta terça-feira (06), ao Blog que caminha para a saída do PDT. O parlamentar se disse "frustrado" com o fato do partido ser comandado em Pernambuco há 27 anos por uma comissão provisória.

“Estou de malas prontas, infelizmente a política é um ambiente de muita frustração, e estou frustrado com o partido, esperava a eleição de uma direção partidária, que a participação de movimento sindical, negros, da juventude, de mulheres fosse fortalecida dentro do partido, que o partido implantasse uma formação politica. Mas temos uma comissão provisória do PDT há 27 anos, uma contradição para um partido democrático", disse Túlio.

"São sete anos nas mãos do deputado federal Wolney e 20 anos nas mãos do ex-prefeito José Queiroz (atualmente deputado estadual). Há sete anos a direção do PDT não faz uma reunião, para mim é difícil construir o partido com essas pessoas", acrescentou Túlio, que defende a implantação de um diretório estadual. "É preciso ter um partido de construção, filiamos 2 mil pessoas ao PDT em 2019, todas com vocação política e participação em movimentos de base, infelizmente temos um partido que vive de comissões provisórias e que nunca elegeu um diretório estadual”.

Em maio, o Blog mostrou que o comando do PDT de Pernambuco acendeu alerta nas últimas semanas com o movimento do deputado federal Túlio Gadêlha de dialogar com outros partidos de esquerda. A ala liderada no estado pelo deputado federal Wolney Queiroz teme que a saída do deputado reduza os votos proporcionais do partido na eleição para deputado federal. Isso porque a legislação eleitoral, salvo se houver mudança até outubro, proíbe a coligação de partidos para disputas proporcionais, como já ocorreu nas eleições municipais de 2020 para vereador.

Filiado ao PDT, Túlio é quadro do partido desde a juventude partidária, mas tem passado por divergências internas na legenda.

Em 2020, Gadêlha foi lançado pré-candidato a prefeito do Recife pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, mas o projeto foi barrado pela cúpula pedetista às vésperas da convenção partidária, pois a sigla optou por aliança com o PSB, do então candidato João Campos, e indicou Isabella de Roldão como candidata a vice.

No PDT de Pernambuco, Túlio diverge da forma de condução do partido, que é comandado desde os anos 1990 pelo grupo do deputado estadual e ex-prefeito de Caruaru, José Queiroz, e do deputado federal Wolney Queiroz, por uma comissão provisória.

Futuro

Com a iminente saída do PDT, Gadêlha conversa com PT, PV, Rede Sustentabilidade e PSOL para se filiar com vistas à disputa de 2022, quando Túlio tentará a reeleição para deputado federal. Nesta terça-feira, Túlio terá reuniões em Brasília com os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Fabiano Contarato (Rede-ES) e com deputados federais do PSOL.

Eleição presidencial

Sobre a eleição presidencial, Túlio ainda acredita que Ciro Gomes é "o mais preparado" para governar o Brasil. "Ciro continua sendo o mais preparado, mas precisa definir o campo político que ele pertence, não dá para uma eleição ele dizer que Moro seria recebido debaixo de bala se fosse prender Lula e na outra (eleição) dizer que Lula é o maios corruptor da história. Sou simpatizante desse projeto eleitoral dele (de Ciro) e ele precisa lembrar que está em um partido progressista, de esquerda. Não será só eu que ele vai perder se continuar tendo essas posições”, afirmou.

Interior

Túlio Gadêlha fez visitas a cidades do interior durante sete dias na semana passada. O parlamentar passou por municípios do interior como Pesqueira, Belo Jardim, Bom Conselho, Caruaru, Sanharó, Lajedo e Itacuruba e por Moreno, na Região Metropolitana do Recife.

“Existem pautas do estado que não estão sendo tratadas na Alepe e a gente pode trazer na Câmara Federal, ouvimos, por exemplo os povos indígenas sobre a usina nuclear que estão querendo instalar em Itacuruba, pois o governo federal sonda isso", citou.

“Demos esse giro para ouvir esses relatos, foram sete dias na estrada e 24 municípios visitados”, disse.

De volta ao Recife, Túlio se encontrou nesta segunda-feira (05) com o deputado estadual João Paulo (PCdoB), ex-prefeito do Recife. Eles discutiram sobre a conjuntura política.

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