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A alternativa ao Arco Metropolitano é o imobilismo

Em Pernambuco, estamos diante de um debate importante sobre a viabilidade da construção do Arco Metropolitano e corremos o risco de ficar presos no imobilismo de extremos igualmente inviáveis.

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 22/07/2021 às 17:00
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Traçado do Arco Metropolitano previsto no edital da AD Diper - FOTO: Divulgação
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Por Guilherme Cavalcanti, em artigo enviado ao blog

Em tempos de extremos, ganha tração a percepção de que o processo democrático é feito da alternância de visões extremadas que se sobrepõem e de vencedores que se ocupam de substituir ou destruir as visões e construções daqueles que divergem.

Contudo, este desvio de rota da compreensão do que é a democracia marca apenas um breve soluço numa caminhada que, à luz da História, vem se mostrando de imenso sucesso na construção de um mundo melhor.

O verdadeiro processo democrático é feito de avanços incrementais conquistados a partir de visões divergentes e da construção de consensos possíveis. A negação desse processo nos deixa diante de duas opções igualmente ruins: o imobilismo e o retrocesso.

Recordo de um debate, na minha época de universidade, com a presença do ex-senador Cristovam Buarque diante de uma plateia dividida entre “torcidas” que apaixonadamente defendiam o Estado mínimo versus o Estado máximo.

Na ocasião, o senador explicou que o Estado, por definição, não poderia ser nem mínimo nem máximo, mas sim complexo. E como tal, deveria ser preciso, operante e mover-se sempre em direção ao equilíbrio da melhoria para todos.

Em Pernambuco, estamos diante de um debate importante sobre a viabilidade da construção do Arco Metropolitano e corremos o risco de ficar presos no imobilismo de extremos igualmente inviáveis.

Obra fundamental ao desenvolvimento econômico e social de nosso Estado, o impacto do Arco pode ser comparado aos efeitos do Porto de Suape e da duplicação da BR-232 à medida que, da mesma forma, sua construção pode impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento. Por outro lado, a sua inexistência pode representar a inviabilidade econômica de Pernambuco.

Há pouco o que se debater sobre a importância do Arco. É fato sabido, desde os idos da década de 1970, que a Região Metropolitana do Recife, da forma como está articulada, precisaria em algum momento de uma “quinta” perimetral.

O debate atual é sobre como o Arco deve ser construído e está dividido entre a viabilidade do projeto atravessar em linha reta a mata do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC), dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe, ou percorrer um traçado mais longo que arrodearia a mesma mata por um desvio ao norte dentro da mesma APA.

Assim como é verdadeira a afirmação de que qualquer interferência humana no território pode acarretar danos à fauna, à flora e aos mananciais, é igualmente verdadeiro o argumento de que a ausência de ação pode deixar à margem os seres humanos que vivem no território e dele dependem.

A busca do equilíbrio entre estas duas visões deve pautar com urgência a construção de consensos possíveis dentro de um pacto amplo pela indiscutível necessidade e urgência de se construir o Arco.

O mundo está repleto de exemplos de convivência saudável entre infraestruturas fundamentais e o meio ambiente. Abraçar a opção de realizar o Arco de uma forma que ele seja ao mesmo tempo um ativo de infraestrutura e um instrumento de preservação do meio ambiente não é apenas possível, mas necessário.

A alternativa é ficarmos presos no imobilismo e no retrocesso.

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Guilherme Cavalcanti é diretor executivo do grupo multissetorial Atitude Pernambuco - divulgação

Guilherme Cavalcanti é diretor executivo do grupo multissetorial Atitude Pernambuco

 

 

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Guilherme Cavalcanti é diretor executivo do grupo multissetorial Atitude Pernambuco - FOTO:divulgação

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