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'Não vamos aceitar calados'. Deputados e senadores de Pernambuco reagem à intenção do governo Bolsonaro de não fazer projeto da Transnordestina no estado

Na reunião desta terça, os parlamentares e o Governo do Estado se uniram, segundo nota do Palácio do Campo das Princesas, para "apoiar a permanência do ramal de ligação ao Porto de Suape".

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 27/07/2021 às 13:17
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DIEGO NIGRO/ACERVO JC IMAGEM
ESTADO Em Petrolina, ministro havia dito que obra era uma realidade - FOTO: DIEGO NIGRO/ACERVO JC IMAGEM
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O governador Paulo Câmara se reuniu por videoconferência, nesta terça-feira (27), com cerca de 15 deputados federais e senadores de Pernambuco para discutir a nova intenção do governo federal de não realizar o projeto da Ferrovia Transnordestina passando por Pernambuco.

A medida do governo federal não foi efetivada ainda, mas foi anunciada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em entrevista ao jornal Valor Econômico na semana passada. Tarcísio declarou que não haveria demanda para dois ramais simultaneamente e que o Porto de Pecém, no Ceará, seria o único destino da ferrovia, excluindo o Porto de Suape, como constava no projeto original.

A fala do ministro do presidente Jair Bolsonaro não foi bem recebida pelos deputados e senadores de Pernambuco. Na semana passada, a bancada já havia divulgado uma nota repudiando a decisão e defendendo as vantagens técnicas da permanência do Ramal de Suape.

Na reunião desta terça, os parlamentares e o Governo do Estado se uniram, segundo nota do Palácio do Campo das Princesas, para "apoiar a permanência do ramal de ligação ao Porto de Suape". Cerca de 12 parlamentares participaram. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), não esteve presente.

“Foi uma reunião muito produtiva, onde apresentamos as questões locais que tornam inquestionável a permanência do nosso porto no projeto. O que não pode é Suape ficar de fora, considerando tudo o que representa no contexto da Transnordestina. É muito mais viável economicamente, e é fundamental para o desenvolvimento da região Nordeste”, afirmou Paulo Câmara.

Os deputados e os dois senadores que participaram da reunião, Humberto Costa (PT) e Jarbas Vasconcelos (MDB), também definiram estratégias para as próximas semanas. “Entre as sugestões do nosso grupo está a produção de um documento mostrando todas as vantagens técnicas da permanência do Ramal de Suape no projeto. Nós produziremos esse documento e entregaremos ao presidente Jair Bolsonaro como uma demanda de nosso estado”, afirmou o deputado federal Augusto Coutinho (Solidariedade-PE), que coordena a bancada federal junto ao deputado federal Wolney Queiroz (PDT-PE).

Na reunião desta terça-feira, técnicos do Governo de Pernambuco apresentaram as vantagens técnicas da permanência do Ramal de Suape. Entre elas, segundo apurou o Blog, a de que a ferrovia até Suape é 100 quilômetros mais curta do que até Pecém, com investimento para conclusão das obras em torno de R$ 1,5 bilhão a menos.

“A nossa demanda não é que o Ramal de Pecém seja excluído em detrimento da escolha do Ramal de Suape. O que queremos é que os dois ramais sejam construídos”, afirmou o deputado Augusto Coutinho.

O presidente do Porto de Suape, Roberto Gusmão, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Julio, defenderam que o Ramal Suape é a alternativa "ambientalmente mais sustentável e pode encurtar as distâncias, causando menores emissões de gases de efeito estufa".

No dia 16, o governador Paulo Câmara terá uma reunião com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas em Brasília. “Temos uma reunião (com o ministro) programada para agosto, mas, por sugestão da bancada, teremos também encontros com outros representantes dos poderes, como o presidente da Câmara Federal e com o Tribunal de Contas da União. Vamos estabelecer as agendas necessárias. É o momento de cairmos em campo buscando essa definição”, disse o governador.

No Congresso, os deputados pretendem realizar audiências públicas e, em paralelo, tomarem medidas para tentar reverter a intenção anunciada pelo ministro da Infraestrutura. Os parlamentares pernambucanos vão entregar ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), um documento citando as vantagens técnicas e econômicas do ramal que deveria chegar até Suape da Ferrovia Transnordestina.

A Transnordestina consiste numa ferrovia de 1742 km iniciada na cidade de Eliseu Martins, no Piauí, e segue até a cidade de Salgueiro, de onde deveriam seguir dois ramais: um indo para o Porto de Pecém, em Fortaleza, e outro que viria para Suape.

Além do documento que será enviado ao presidente da República, a bancada pernambucana também vai marcar audiências com o Tribunal de Contas da União (TCU) para que se manifeste sobre o assunto, com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e com o novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP).

“É uma coisa esdrúxula, não vamos aceitar passivamente, vamos acionar o TCU, vamos ao presidente da República, ao ministro, o governador já tem uma audiência no dia 16, mas a gente está pedindo outra também“, disse Augusto Coutinho (Solidariedade), um dos coordenadores da bancada no Congresso.

As obras da Ferrovia foram iniciadas em 2006 com um orçamento de R$ 4,5 bilhões na época. Foram paralisadas várias vezes e o projeto custaria R$ 12,6 bilhões a preços de 2019. As obras avançaram no período de 2009-2010. Já foram empregados mais de R$ 6 bilhões no empreendimento e grande parte desses recursos foram públicos.

“A reunião de hoje foi um movimento político com argumentos técnicos, que é o que nos dá uma substância forte num componente para fazer com que o governo federal possa dar transparência para essa decisão e venha justificar. Ao nosso ver, o porto de Suape apresenta todas as condições de carga, de movimentação, do principal hub do Norte e Nordeste", afirmou Felipe Carreras (PSB) ao Blog. O parlamentar disse que fez um pedido de informação ao Ministério da Infraestrutura cobrando explicações técnicas para a intenção anunciada pelo governo. “Esperamos que o ministro, que é técnico não tome uma decisão politica”, afirmou Carreras.

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