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MARCELO RAMOS

'Bolsonaro tem essa mania de transferir responsabilidade', diz vice-presidente da Câmara

Marcelo Ramos ainda fez críticas às prioridades do Congresso Nacional em meio à pandemia de covid-19, que já matou mais de 550 mil pessoas no Brasil. O vice da Câmara fez críticas ao presidente Jair.

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 29/07/2021 às 11:55
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Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM) - FOTO: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
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O vice-presidente da Câmara, deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), disse, nesta quinta-feira (29), em entrevista à Rádio Jornal, ao comentar sobre a aprovação pelos parlamentares do aumento de quase três vezes no Fundo Eleitoral para 5,7 bilhões em 2022, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) transfere responsabilidades.

Antes de entrarem no recesso parlamentar, os deputados e senadores votaram a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) nos dias 15 e 16 de julho. Entre os itens da LDO estava o aumento do Fundo Eleitoral de campanhas políticas nas eleições de 2022 para R$ 5,7 bilhões. O valor foi de R$ 2 bi em 2020.

Após a repercussão negativa da aprovação, inclusive com os filhos deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e senador Flavio Bolsonaro (Patriota-RJ) votando a favor, Bolsonaro, que decidirá se sanciona ou barra o reajuste, culpou o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, pelo valor do fundo e insinuou que o parlamentar amazonense estivesse por trás das articulações.

"Em relação a isso, houve uma reunião de lideres do governo na véspera da votação decidindo pelos 5,7 bilhões. Eu nem participei da reunião", disse Ramos. "O presidente (falou sobre mim) porque pegou muito mal para os filhos dele os votos a favor do fundo e ele tem essa mania de transferir responsabilidades. Tivemos a votação da LDO, que os filhos dele votaram a favor, e depois um destaque do Novo, e justiça seja feita só dois partidos atuaram duramente contra esse fundo, o Novo e o PSOL, e encaminharam também contra o Podemos, o Cidadania e a Rede", afirmou Marcelo. 

"Essa turma votou a favor e agora quer dar uma justificativa", disse o vice da Câmara sobre os filhos de Bolsonaro.

"O debate no Brasil de financiamento de campanha eleitoral é mal resolvido. Como o privado nos deu muitos prejuízos, porque quem doava queria receber 10 vezes mais depois, migramos para o público sem dialogar com a sociedade se ela está disposta a pagar com recursos públicos", acrescentou o deputado em referência à mudança do financiamento de campanhas no Brasil, que, antes de 2018, era aberto à iniciativa privada, o que culminou com suspeitas de irregularidades pois parlamentares defenderiam os interesses de empresas no Congresso. O surgimento de revelações na Operação Lava Jato foi um dos fatores para a mudança.

Marcelo Ramos também disse que o presidente Jair Bolsonaro pode sancionar, vetar ou vetar e propor um valor menor que o aprovado pelo Congresso, de 5,7 bilhões.

"O presidente pode sancionar e deixar os 5,7 bilhões, o que não vai ser algo inusitado porque se você lembrar no orçamento passado (em 2020) ele criticou e depois sancionou, ele pode sancionar e encaminhar o PLN ao Congresso com o valor de R$ 4 bi, o que seria mais que o dobro do valor atual, pode vetar e encaminhar os 4 bi na Lei Orçamentária Anual. Eu não consigo ter clareza ainda do que ele vai fazer, em qualquer hipótese de veto essa matéria volta ao Congresso e a votação é nominal", disse.

"Para mim, é constrangedor diante de uma provocação do presidente passar uma semana discutindo fundo eleitoral quando tínhamos que estar discutindo outras questões", afirmou Marcelo.

Perguntado se o atrito com Bolsonaro afetaria a relação com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado do Palácio do Planalto, Marcelo Ramos disse que não. "O presidente da Câmara é absolutamente alinhado ao presidente Bolsonaro, ele disputou a eleição assim. E eu já fui para a composição com ele como parlamentar independente. Nem eu posso criticar a postura dele nem ele pode criticar a minha de um parlamentar independente que vota majoritariamente com o governo mas que tem críticas a certas posturas principalmente no que diz respeito ao compromisso com os valores democráticos".

O Congresso

Marcelo Ramos fez críticas às prioridades do Congresso Nacional em meio à pandemia de covid-19, que já matou mais de 550 mil pessoas no Brasil.

"Infelizmente o Congresso principalmente nesse último ano tem se concentrado em esforços para necessidades que não tem haver com necessidades prementes da vida do povo brasileiro. Nesse momento, precisamos de vacina para que o máximo de pessoas seja imunizada, para que a economia possa voltar a funcionar com normalidade e possamos enfrentar as duas outras mazelas do povo brasileiro hoje: a falta de emprego e de comida na mesa. Até as propostas de natureza econômica como a reforma tributaria não conseguem retomar o emprego", disse.

"Diante dessa deslealdade que ele (Bolsonaro) cometeu comigo nas últimas semanas, a pouca relação que existiu se esgotou", afirmou.

Voto impresso

O vice da Câmara, Marcelo Ramos, ainda disse que o atual sistema de votação eletrônica no Brasil é auditável, em mais um contraponto ao presidente Jair Bolsonaro, que defende a adoção do voto impresso para as eleições de 2022 no Brasil alegando possibilidades de "fraude".

Bolsonaro já disse, inclusive, sem apresentar provas, que, nas eleições de 2014, o então candidato Aécio Neves (PSDB) teria vencido Dilma Rousseff (PT), mas que a petista saiu vitoriosa por uma fraude, o que foi repudiado pela Justiça Eleitoral e inclusive por integrantes do PSDB, inclusive pelo vice de Aécio naquele ano, o ex-senador Aloysio Nunes (SP).

"A auditoria chegou à conclusão de que o resultado fora aquele mesmo. Não há algum indício minimamente sério de algum problema no sistema eleitoral. O sistema é auditável, todos os partidos têm acesso ao sistema mãe no TSE", disse Marcelo Ramos à Rádio Jornal.

"Isso é uma solução para um problema que não existe. O momento de digitar o voto é secreto e inviolável, não porque a Justiça Eleitoral quer, mas porque a Constituição assim estabeleceu em cláusula pétrea, que não pode ser mudada nem por Proposta de Emenda Constitucional", frisou.

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