estímulo à morte

Canais bolsonaristas fizeram 'limpa' em vídeos com tratamento precoce e CPI da Covid pediu ajuda ao YouTube

Brasil hoje já se aproxima de quase 600 mil mortes pelo coronavírus

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 24/08/2021 às 13:42
Carolina Antunes/PR
AVALIAÇÃO Análise de medicamentos foi feita sem a presença da Anvisa - FOTO: Carolina Antunes/PR
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Depois que os sites bolsonaristas fizeram uma limpa nos vídeos sobre o tratamento precoce, já condenado pela Anvisa, mas que era usado como argumento contra a segregação sugerida pelos Estados, o senador Randolf Rodrigues, da Rede, requereu ao presidente da CPI da Covid que fosse encaminhado pelo Google as cópias dos vídeos listados, com informações de registro, acesso, postagens, notificações de infração das regras da plataforma, data em que foram excluídos ou ocultados, eventuais valores monetários transferidos aos canais em decorrência dos referidos vídeos e demais dados pertinentes do YouTube Brasil.

 

"A propagação de fake news a respeito da pandemia tem sido uma ação orquestrada e com consequências diretas no agravamento do número de mortes no Brasil pela covid-19. Reportagem do Congresso em Foco apurou que “Desde que a CPI da Covid foi anunciada, canais de apoiadores do bolsonarismo no YouTube têm promovido uma limpa de vídeos sobre tratamento precoce de sua base de vídeos. Levantamento da Novelo Data a pedido do Congresso em Foco identificou que, entre o dia 14 de abril e esta quinta-feira (6/5), 385 vídeos de 34 canais, tratando de tratamento precoce, sumiram do ar”, justficou o parlamentar.

"Dessa forma, é imprescindível que seja encaminhado pelo Google LLC cópias dos vídeos listados em anexo, informações de registro, acesso, postagens, notificações de infração das regras da plataforma, data em que foram excluídos ou ocultados, eventuais valores monetários transferidos aos canais em decorrência dos referidos vídeos e demais dados pertinentes do YouTube Brasil".

Quando os vídeos começaram a ser pagados, o Brasil já superava a terrível marca de 422 mil mortes por Covid-19.

CAROLINA ANTUNES/PR
O presidente Jair Bolsonaro continuará defendendo o chamado tratamento precoce - CAROLINA ANTUNES/PR

"Chegamos a registrar mais de 4 mil mortes em apenas um dia. Vivemos uma tragédia sem precedentes. Infelizmente, os números de novos casos e óbitos continuam altíssimos e não há nenhum sinal de que essa tragédia esteja perto do fim. Presenciamos o colapso dos sistemas de saúde pelo país - sem vagas nos hospitais para os doentes, pacientes sendo atendidos em corredores. Os sistemas funerários do país não conseguem lidar com os altíssimos números de mortos. Presenciamos a falta de oxigênio, especialmente no estado do Amazonas. Há falta de medicamentos básicos, como sedativos para a intubação dos pacientes, enquanto
sobram medicamentos sem nenhuma comprovação científica".

"Hoje, o país é visto como uma ameaça sanitária pelo mundo. Diversos países suspenderam voos com o Brasil. Há restrições para a entrada de brasileiros em quase todas as nações do planeta. A respeitada organização Médicos sem Fronteiras classificou a situação do Brasil como uma "catástrofe humanitária"", afirmou o senador da Rede.

"Só foi possível chegar a essa situação catastrófica por conta dos inúmeros e sucessivos erros e omissões do governo no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil. Falhas na estratégia de comunicação; nas ações de vigilância e mapeamento da pandemia; promoção de tratamentos ineficazes; má gestão das necessidades de leitos de UTIs no país; falhas no planejamento de fornecimento de insumos básicos como oxigênio, medicamentos, EPIs, testes, respiradores; atraso e omissão para a compra de vacinas."

CAROLINA ANTUNES/PR
O presidente Jair Bolsonaro continuará defendendo o chamado tratamento precoce - FOTO:CAROLINA ANTUNES/PR

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