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Hamilton Mourão falou dos desafios do Brasil ao LIDE Mulher Brasília

Vice-presidente fez um diagnóstico da conjuntura mundial e das oportunidades para o Brasil após o pior momento da escalada da pandemia da Covid-19

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 31/08/2021 às 11:00
Ronald Andrade/Lide Brasília
Mourão, no Lide - FOTO: Ronald Andrade/Lide Brasília
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Em palestra às integrantes Lide Mulher de Brasília, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, defendeu o reequilíbrio das contas públicas e o aumento da produtividade nacional como formas mais eficientes para o País retomar o crescimento.

Ao grupo de empresárias, Mourão defendeu ainda um pacto geracional, a democracia, o capitalismo, o estado de direito e a sociedade civil para alavancar o País, durante a palestra “Desafios de uma nação”, realizada no Espaço Renata La Porta, no Lago Sul, em Brasília.

Mourão fez uma análise do cenário econômico e social do planeta no atual momento, apontando os principais problemas socioeconômicos e destacando a competição tecnológica e comercial hoje existente entre Estados Unidos e China.

Segundo ele, com o atual cenário, “o protecionismo e o nacionalismo voltaram a aparecer em alta”.

Usando uma frase do célebre pugilista Mike Tyson, o vice-presidente comparou a crise ocasionada pela pandemia da Covid-19 com “um murro na cara” de todos os países.

Detectou problemas na cadeia de suprimentos, com falta de insumos, levando à diversificação de fornecedores externos, além da mudança inevitável das relações de trabalho, com o aumento do e-commerce, automação e home-office. Esta fragilidade toda, segundo Mourão, trouxe “medo, ansiedade e raiva” à boa parte da população.

Ao analisar as questões brasileiras, o vice-presidente destacou as crises política, econômica e psicossocial como os maiores problemas, ao lado da exclusão e da infraestrutura logística deficiente.

“A crise econômica está inserida no contexto do mundo. Já a crise política é fruto do nosso sistema multipartidário, com uma quantidade de siglas que torna impossível a aprovação de projetos que sejam mais contundentes devido à quantidade de atores com os quais devemos negociar" afirmou, criticando o “presidencialismo de coalizão” que rege a política nacional.

Também foi duro na análise das reformas política e eleitoral, classificadas como pouco viáveis.

Hamilton Mourão defendeu ainda uma nova revisão da Previdência Social como um dos temas que devem permear a discussão sobre o equilíbrio das contas governamentais, ao lado da desvinculação do Orçamento, da modernização do estado e da gestão profissional do setor público.

Em paralelo, avalia que serão necessárias medidas para aumentar a produtividade no País, como o incentivo às privatizações e concessões; a reforma tributária; a abertura comercial; e a desburocratização. Só com o rearranjo destes eixos é que será possível, segundo ele, a retomada do crescimento.

O vice-presidente também fez uma detalhada análise ambiental do Brasil, afirmando que a sustentabilidade será fundamental no pacto geracional que propõe.

Destacou que o Brasil é uma potência ambiental e agroalimentar, cuja matriz energética é majoritariamente limpa e renovável, e que possui uma legislação bastante avançada para a proteção do meio ambiente.

Segundo Mourão, com a recriação do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CBNAL), em fevereiro de 2020, já foi possível desacelerar o desmatamento em 5%, aplicar mais de R$ 3,5 milhões em multas e apreender grande quantidade de minerais e madeira.

Para defender pacto geracional, a democracia, o capitalismo, o estado de direito e a sociedade civil, Mourão prega que o Brasil seja pragmático e flexível em um cenário global no qual emergem a China, que enfrenta diversas tensões geopolíticas, e os Estados Unidos, hiperpotência militar imersa em sua agenda global.

Para ele, neste momento, há dois cenários possíveis: ou uma competição benigna ou uma rivalidade predatória entre os dois gigantes globais.

“E aí é como disse o Lorde Palmerston (Henry John Temple, primeiro ministro do Reino Unidos por duas vezes, no reinado da rainha Vitória), ‘existem nossos interesses e os interesses dos nossos países amigos’. A gente tem sempre que privilegiar os nossos interesses”, finalizou.

 



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