MANIFESTO DIVULGADO

Sem mencionar ataques de Bolsonaro ao STF, Fiesp divulga manifesto em defesa da harmonia entre os Poderes. Leia a íntegra

Manifesto foi publicado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo nos principais jornais do país nesta sexta-feira (10).

José Matheus Santos
José Matheus Santos
Publicado em 10/09/2021 às 8:56
Foto: @instafiesp via Instagram
O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp), Paulo Skaf, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro - FOTO: Foto: @instafiesp via Instagram
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A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) publicou, nesta sexta-feira (10), nos principais jornais do país, o manifesto que gerou desavenças inéditas dentro da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Intitulado “A Praça é dos Três Poderes”, o texto é parecido com as versões que foram vazadas ao longo da semana passada, depois que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ameaçaram romper com a entidade que representa os bancos no país desde 1967.

A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) não assinou o texto patrocinado pela indústria de São Paulo, que concentra o maior Produto Interno Bruto do país.

O documento da Fiesp foi publicado um dia após o presidente Jair Bolsonaro divulgar uma "declaração à nação" onde recua dos ataques feitos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) durante os atos promovidos por apoiadores no feriado da Independência, no dia 7 de setembro.

No texto, escrito junto ao ex-presidente Michel Temer (MDB), Bolsonaro diz que nunca teve "a intenção de agredir” quaisquer Poderes e que suas palavras, “por vezes contundentes”, foram ditas no “calor do momento e dos embates”.

A ideia inicial do manifesto patrocinado pela Fiesp era publicar o texto em defesa da harmonia entre os três Poderes antes dos atos convocados para o 7 de setembro.

Diante da reação do comando dos dois bancos estatais e do próprio Palácio do Planalto dias antes, que consideraram o documento um ataque ao governo, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), articulou com o atual presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que a divulgação fosse postergada.

A decisão gerou incômodo entre empresários e industriais, que não foram comunicados sobre o adiamento.

Veja a íntegra do manifesto da Fiesp

"A representação arquitetônica da Praça dos Três Poderes expressa a independência e a harmonia entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Essa é a essência da República. O espaço foi construído formando um triângulo equilátero. Os vértices são os edifícios-sede de cada um dos Poderes.

Essa disposição deixa claro que nenhum dos prédios é superior em importância, nenhum invade o limite dos outros, um não pode prescindir dos demais. Em resumo, a harmonia entre eles tem de ser a regra. Esse princípio está presente de forma clara na Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país. Diante disso, é primordial que todos os ocupantes de cargos relevantes da República sigam o que a Constituição impõe.

As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada da tensão entre as autoridades públicas. O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer de forma sustentada e continue a gerar empregos.

Esta mensagem não se dirige a nenhum dos Poderes especificamente, mas a todos simultaneamente, pois a responsabilidade é conjunta. Mais do que nunca o momento exige aproximação e cooperação entre Legislativo, Executivo e Judiciário. É preciso que cada um atue com responsabilidade nos limites de sua competência, obedecidos os preceitos estabelecidos em nossa Carta Magna. Esse é o anseio da Nação brasileira."

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