Eleições 2022

Quem é Alessandro Vieira e seu partido, o Cidadania?

Senador teve destaque nas investigações e depoimentos da CPI da Covid

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 13/09/2021 às 17:24
Waldemir Barreto/Agência Senado
Senador Alessandro Vieira (SE) - FOTO: Waldemir Barreto/Agência Senado
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Por Augusto Tenório, especial para o blog de Jamildo

Recentemente, mais um nome entrou na disputa para ser o representante da idealizada "terceira via" para a eleição presidencial de 2022. Alessandro Vieira, senador pelo Cidadania de Sergipe, lançou sua pré-candidatura, confirmada nesta sexta (10) pelo partido. Mas quem é o político e como sua sigla chega na corrida eleitoral?

O nome de Alessandro Vieira ficou conhecido nacionalmente pela sua atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado. Diante de ex-ministros, secretários, deputados, servidores e empresários, o senador conseguiu arrancar informações importantes para o trabalho do seu grupo ao escolher fazer uma aproximação mais direta e concisa, como um interrogatório, enquanto deixava a outros colegas a tarefa da — talvez necessária — performance inflamada.

Em outras palavras, o senador “pulso firme” fez valer seus quase 20 anos como delegado na Polícia Civil de Sergipe. O título, inclusive, foi ostentado no nome do candidato na urna, que em 2018, à época ainda como representante da Rede Sustentabilidade, surfou na onda do bolsonarismo associado ao lavajatismo. Naquele mesmo ano mudaria para o Partido Popular Socialista, futuro Cidadania.

Mesmo na sua primeira candidatura a cargo público, o novato delegado Alessandro Vieira foi o candidato ao Senado mais votado de Sergipe, sendo eleito com 474 mil votos (25% do coeficiente). A diferença para Rogério Carvalho (PT), eleito na segunda vaga do estado, foi de 174 mil votos.

O tempo passou e o gaúcho natural de Passo Fundo, mas criado nas terras sergipanas desde a infância, diz ter se arrependido profundamente do apoio ao então candidato Jair Bolsonaro. Antes disso, já criava rusgas por suas críticas ao comportamento do Governo Federal, à família do presidente e seus posicionamentos sobre a posse de armas, por exemplo.

Ele integra a Frente Parlamentar Mista de Renda Básica e faz parte dos movimentos RenovaBR e Acredito, liderado pelo senador junto com a deputada Tábata Amaral (sem partido) e o deputado Felipe Rigoni (PSB-ES). Alessandro, inclusive, já foi cotado também como candidato ao Governo do Estado de Sergipe.

Por essas e outras, enfrenta nas redes sociais a revanche digital do bolsonarismo. A luta contra robôs, inclusive, é antiga: ele já liderou a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos do seu estado. Seus posicionamentos sobre a liberdade de expressão e o apoio “moderado” às pautas conservadoras e progressistas fazem de Alessandro um candidato bem avaliado para a “terceira via”.

O problema, porém, é que esse nicho de votos parece terra de ninguém, além de cada vez mais encolhido e distante da realidade política de qualquer nome que se coloque como candidato contra Bolsonaro e Lula. Outra barreira é a concorrência com outros nomes já conhecidos nacionalmente. Mas isso o Cidadania pode tentar reverter com a possibilidade de incorporar outros partidos ameaçados pela cláusula de barreira.


Filiados ao Cidadania

Criado em 2019 a partir da reformulação do Partido Popular Socialista (PPS), que trocou a bandeira do socialismo democratico pós-soviético pelo liberalismo, o Cidadania adotou a “defesa da liberdade, do pluralismo político e do protagonismo da sociedade civil”. Mesmo com a virada brusca, a sigla mantém mais de 453 mil filiados espalhados pelo Brasil.

O partido, cujo presidente é o recifense Roberto Freire, pode abocanhar boa parte do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEF) — ao contrário da Rede Sustentabilidade, alcançada pela cláusula de barreira — e, inclusive, já teve planos de lançar seu candidato quando esperava-se a filiação do então presidenciável Luciano Huck, que abandonou a aventura eleitoreira e escolheu comandar os domingos na Globo.

Mas até onde vai a defesa do "pluralismo político” do Cidadania? Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE 2020) mostram que, no partido, a representatividade ainda tem muito a caminhar para chegar em padrões que lhe permitam levantar essa bandeira com mais propriedade.


Candidatos pelo partido

Em 2020, o Cidadania participou da sua primeira eleição após a transformação. O partido lançou mais de 17 mil candidatos, dos quais a maioria (66%) eram do gênero masculino, enquanto essa parcela representa apenas 53% dos filiados em todo o Brasil.

Nesse pleito, foram eleitos 140 prefeitos, 155 vice-prefeitos e 1578 vereadores. Para isso, o Cidadania teve direito a R$ 35 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). O partido foi o 18º no ranking das legendas que mais receberam recursos desse montante.

No Senado, o Cidadania é representado pelo próprio Alessandro Vieira, além de Eliziane Gama (MA) e Leila Barros (DF). Na Câmara, o partido também tem uma bancada modesta, formada por oito deputados. A sigla possui um governador, João Azevêdo (PB), e um vice-governador, Lincoln Tejota (GO). Mas todos esses foram eleitos em 2018. Ou seja: antes do Cidadania existir.

Ainda é cedo para dizer se Alessandro Vieira conseguirá fazer uso da máquina do Cidadania. Nas redes sociais, apesar de ter ganhado a atenção de internautas progressistas pela sua atuação na CPI, a pré-candidatura não foi bem-vista entre essa parcela. Ele, porém, tocou violino para os ouvidos de conservadores e liberais arrependidos do voto em Bolsonaro.

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