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Meio ambiente

Depois do Arco Metropolitano, ambientalistas de Aldeia agora miram Escola de Sargentos do Exército

Fórum de Aldeia alerta para impacto ambiental da Escola do Exército na Mata do CIMNC

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 16/09/2021 às 13:48
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Divulgação
Maquete da nova escola - FOTO: Divulgação
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Mais cedo, o blog revelou que outros estados do Nordeste prometeram ajudar Pernambuco a conquistar o projeto da nova escola de sargentos do Exército. A região é esquecida pelas Forças Armadas, em comparação com outras regiões do Brasil, em especial o Sul e o Sudeste. Dai a união regional da bancada de deputados federais em torno do investimento.


Logo após o post, um ambientalista já antecipou ao blog as ressalvas.

"Mais um pesadelo dentro da APA Aldeia Beberibe. Nosso conselho tá pedindo uma audiência pública sobre isso. Pernambuco não pode ver uma mata que quer derrubar. Depois vem com papinho de carbono zero e abaixo o aquecimento global", escreveu.

Pois bem.

O presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia, engenheiro Herbert Tejo, adiantou, em live da Unicap, a próxima trincheira de luta ambiental da instituição.

O FSaA, que já levanta bandeira contra o traçado norte do Arco Metropolitano, vai contestar a instalação da Vila Militar Aldeia dos Camarás, como deve se chamar a Escola de Sargentos, na Mata do CIMNC – Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti, na APA Aldeia Beberibe.

Tejo diz que “é uma obra extremamente importante para o estado" e, de antemão, afirma que o Fórum não é contra o projeto, da mesma forma que o Arco.
"Nós também defendemos e torcemos pela implantação da Escola de Sargentos do Exército em Pernambuco, mas há alternativas locacionais, inclusive no entorno da Mata. Elas precisam ser exploradas.”

"Se aprovado pelo governo federal, o projeto escola, conforme proposto, ocupará 1.235.000 metros quadrados, só de área construída, onde hoje é Mata Atlântica preservada e em estágio avançado de restauração. Importante destacar que a mata, conhecida também como Mata do Exército, é resultado de um processo de restauração natural, talvez, em dimensão, único no Brasil, ocorrido ao longo dos últimos 70 anos. Na década de 40 esse território era ocupado por engenhos de cana. Hoje um verdadeiro santuário! E isso deve-se a presença e a proteção do Exército” afirma.

Herbert Tejo disse ser difícil dimensionar os efeitos que o desmatamento causado pela instalação da escola irá provocar na APA Aldeia Beberibe, se instalada na Mata do CIMNC.

"O impacto da devastação, resultante da supressão que pode ultrapassar 150 hectares de floresta, produzirá um prejuízo incalculável ao meio ambiente, com destaque aos rios e nascentes encravados naquela floresta, que inclusive alimentam o Sistema Botafogo, e de forma geral ao bioma Mata Atlântica já classificado como um “hotspot”, ou seja, em processo de extinção.", diz o presidente do Fórum de Aldeia.

“O quanto mais será necessário destruir de florestas para se compreender que a capacidade de suporte ambiental dos ecossistemas na APA Aldeia Beberibe está exaurida?”

Estrutura do projeto

O projeto inclui a construção da escola, de uma vila olímpica, de uma vila militar e estande de tiro dentro da área do campo de instrução. A previsão é que se candidatem para a escola, por ano, 140 mil pessoas de todo o Brasil. O efetivo militar da escola, incluindo familiares, é de 10 mil pessoas.

Além das seis armas, a nova escola do Exército irá formar militares do Quadro de Material Bélico, Serviço de Saúde, Música, Topografia e Aviação do Exército. A projeção é que se tenha em torno de 2,4 mil alunos e um corpo docente e apoio com 1.8 mil militares. A folha de pagamento prevista é de R$ 100 milhões.

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