Acidente de trabalho

Acidente mata trabalhador na Refinaria Abreu e Lima, em Suape

Em três dias, três trabalhadores da Petrobrás morrem no RJ e em PE. FUP cobra punição dos responsáveis

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 30/09/2021 às 10:58 | Atualizado em 17/05/2022 às 16:45
HEUDES REGIS/ACERVO JC IMAGEM
Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, é a única planta da Petrobras que processa o óleo do pré-Sal - FOTO: HEUDES REGIS/ACERVO JC IMAGEM
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Em três dias, três trabalhadores da Petrobrás faleceram, sendo um de Covid-19 e outros dois durante a execução de serviço nas instalações da companhia.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) revelou os casos e disse lamentar profundamente as mortes, além de estar acompanhando as investigações para garantir que tomará todas as medidas necessárias para a punição dos responsáveis. As mortes aconteceram no Rio de Janeiro e em Pernambuco, entre os dias 25 e 27 de setembro.

Em Pernambuco, a possível falta de manutenção de equipamentos e instalações tirou a vida do trabalhador Audo Alves da Hora, na última segunda-feira (27/9).

Ele estava na casa de forças da Refinaria Abreu e Lima, onde participava de testes nas válvulas do secador da Unidade de Ar Comprimido. Uma forte pressão do ar (9 Kgf/cm²) o projetou para uma distância de cinco metros, provocando a morte. Audo era funcionário da terceirizada QWS e deixa mulher e duas filhas.

Em relação ao acidente de Pernambuco, o coordenador geral do Sindipetro PE-PB, Rogério Almeida, diz que acidentes envolvendo o sistema pressurizado de tubulações são recorrentes em unidades da companhia.

“O equipamento de ar comprimido não estava atuando em condições normais, estava entregue à equipe de manutenção para testes e reparos. O sistema de automação não deveria permitir a abertura de válvulas nas condições de pressão que se encontrava. Durante a Comissão de Investigação avaliaremos se o sistema estava ativo ou se houve falha”, informou o coordenador geral do Sindipetro PE-PB, Rogério Almeida.

"Auditores da Superintendência Regional do Trabalho estiveram na Refinaria para investigar as causas do acidente e ameaçaram interditar a unidade, caso fosse verificado o risco de novos acidentes, o que não ocorreu. Com isso, as investigações podem levar quatro meses até a conclusão, tempo que os trabalhadores seguirão expostos aguardando as indicações de melhoria", informa.

Outros casos

Na Bacia de Campos (RJ), o técnico de segurança da P-40 André Pereira, de 48 anos, não resistiu às complicações da Covid-19. Ele teria embarcado sem realizar o teste e deixou a plataforma dias depois, em transporte aeromédico, com sintomas da doença.

“Perdemos um colega de trabalho e a família perdeu um pai e um marido. É um absurdo que a Petrobrás continue com essa prática. Quantos mais vão morrer para alguém pagar por isso?”, diz Alexandre Vieira, coordenador de saúde do Sindipetro-NF. André é a 29ª vítima fatal da doença nas instalações da Petrobrás no Norte Fluminense.

No mesmo dia 25, na Baía de Guanabara (RJ), Erik Gois, de 26 anos, morreu afogado. Durante treinamento de lançamento de um bote de serviço, o cabo de fixação da embarcação teria se rompido, provocando a queda do equipamento e dos três tripulantes na água.

Erik teria ficado preso debaixo do bote e não resistiu. Apesar de iniciais, as informações apontam para falta de manutenção dos equipamentos, em razão do rompimento do cabo e da falha do sistema que deveria realizar o desembocamento automático do bote.

A fim de esclarecer os reais motivos do ocorrido, o Sindicato participa da Comissão de Acidentes, que começou terça-feira (28/9) e termina sexta-feira (1/10).

 Para o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), ligado à FUP, a morte do André Pereira, que faleceu de Covid-19, reforçaria as denúncias que o próprio sindicato vem fazendo desde o início da pandemia, sobre o confinamento de trabalhadores contaminados nas plataformas e a ocultação de informações por parte da companhia.

Os constantes pedidos dos petroleiros à gestão da Petrobrás para realizar parada temporária da produção das unidades com recorrentes casos de Covid-19 seguem sendo ignorados, gerando surto nas instalações.

 Alexandre Vieira conta que o sindicato sempre defendeu que os trabalhadores acometidos pela Covid-19 façam avaliação médica antes do retorno ao trabalho.

"Mas a gerência da unidade e o serviço médico dispensam a testagem e autorizam o retorno ao trabalho após o cumprimento da quarentena. De acordo com normas internas, pessoas com menos de 90 dias positivos para o vírus não precisam ser testadas."

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