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Opinião

Rumo ao fundão do poço. Por Ricardo Leitão

Para colunista, a atitude do presidente pode inculpá-lo por crime de responsabilidade no relatório final da CPI da Covid, em reta final no Senado.

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 05/10/2021 às 10:18
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REPRODUÇÃO DE VÍDEO
Bolsonaro na live desta quinta-feira (30) - FOTO: REPRODUÇÃO DE VÍDEO
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Por Ricardo Leitão, em artigo enviado ao blog

Faltam 12 meses para as eleições presidenciais de 2022 e 15 meses para o fim do desgoverno de Jair Bolsonaro. Até 31 de dezembro do próximo ano cada dia é um dia a menos dessa tragédia. A perspectiva de distensionamento das relações institucionais e de definição de políticas econômicas e sociais – caso fracasse a tentativa de reeleição de Sua Excelência – até traz alguma esperança. No entanto, na reta final de sua gestão disfuncional, a realidade é que Bolsonaro não tem condições de resgatar o Brasil das profundas crises que provocou e ajudou a agravar. O rumo é o fundão do poço.

As projeções de crescimento econômico para o próximo ano estão abaixo de 2% e algumas consultorias do mercado financeiro anunciam estimativas próximas de 0,5%. Tal resultado irá colocar o Brasil no topo da lista dos piores desempenhos entre as 20 maiores economias mundiais. No mesmo grupo, a inflação do País estará entre as três mais elevadas, segundo cálculos da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O resultado será a redução ou o cancelamento de investimentos, públicos e privados; o aumento do desemprego; a paralisação de reformas estruturais e a tentativa, do desgoverno Bolsonaro, de adotar políticas populistas para manter os resquícios de sua base eleitoral. O efeito será uma mistura tóxica: a estagflação, a junção da estagnação do crescimento econômico com inflação e desemprego. À mistura se agregam o isolamento internacional do Brasil, a crise hídrica e energética, o desastre ambiental e a fragilidade política do presidente.

Ao quadro, já gravíssimo, somam-se agora as suspeitas de atos de corrupção nos ministérios e no clã e agregados de Sua Excelência. Em um dos últimos deles, investigados pelo Ministério Público Federal, a primeira-dama Michelle Bolsonaro teria se valido de seu prestígio junto à Caixa Econômica Federal para facilitar empréstimos a empresários amigos.

Jair Bolsonaro responde a quatro processos, três no Supremo Tribunal Federal e um no Tribunal Superior Eleitoral, por ações ilegais na campanha de 2018, apoio a grupos de extrema direita e tentativas de interferir em nomeações de dirigentes da Polícia Federal, no Rio de Janeiro. Os filhos Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, e Carlos Bolsonaro, vereador na capital fluminense, são investigados por desvio de verbas públicas em seus gabinetes.

Contudo, nada se compara à sombra mais espessa de corrupção que agora paira sobre o clã. Ela ganhou corpo a partir da nomeação, por Bolsonaro, do general Eduardo Pazuello para ministro da Saúde. Especialista em logística, ele trocou técnicos por oficiais reformados das Forças Armadas, em plena pandemia. As portas do ministério então se abriram para quadrilhas com conexões nacionais e internacionais, que passaram a atuar livremente na aquisição fraudulenta de vacinas. O golpe envolveu organizações bolsonaristas e operadora de saúde, a Prevent Senior, de São Paulo, sob investigação.

A operadora pretendia confirmar as recomendações públicas de Jair Bolsonaro sobre a eficácia da cloroquina e da azitromicina no tratamento contra a Covid-19, medicamentos comprovadamente ineficazes. Em suas experiências – não autorizadas por conselhos médicos e à revelia dos doentes e suas famílias – a Prevent Senior teria provocado a morte de 9 pacientes. Ainda assim, continuou sendo defendida nas redes sociais bolsonaristas pelo presidente da República e por dois de seus filhos, Flávio Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

A atitude do presidente pode inculpá-lo por crime de responsabilidade no relatório final da CPI da Covid, em reta final no Senado. Caso seja assim considerado, é dado o passo inicial para abertura de um processo de impeachment no Congresso. É imprevisível o que acontecerá a partir daí, em uma conjuntura de crises e diante da perspectiva do centro-esquerda retomar o poder em 2022.

O bafo da derrota faz Bolsonaro cortejar o golpe de Estado. Nas pesquisas, ele tem 25% das intenções de voto na disputa pela reeleição. Porém já teve 48%. Com 25% pode passar para o segundo turno. O problema é que, nas simulações, seria derrotado por qualquer um dos adversários hoje alinhados para a disputa. E pior: o seu desgoverno está em frangalhos, não consegue sequer nomear um ministro para o Supremo Tribunal Federal.

Sua Excelência ruma para o fundão do poço. Depende de nós impedir que o Brasil se atole no buraco junto com ele.

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