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Depois de 1º ano de austeridade, João Campos prepara maior pacote de obras do Recife, com nova orla, engorda da praia e mais três pontes na capital

Prefeito socialista, depois da pandemia, quer lançar um amplo programa de obras para marcar época na cidade, pelos próximos três anos

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 08/10/2021 às 0:36
PCR
O prefeito no lançamento do novo programa - FOTO: PCR
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O prefeito João Campos (PSB) está contando os dias para virar o calendário para 2022. Após um primeiro ano de ajuste fiscal e austeridade, em 2021, o prefeito se prepara para tocar o que classifica como o maior pacote de investimentos da história da capital pernambucana. Os projetos executivos estão sendo concluídos, de modo  que possa colocar para rodar as obras logo nos primeiros meses de 2022.

"A partir do ano que vem, é alavanca no canto", avisou aos secretários da PCR. "Sou como o matuto, peso muito, estudo, me preparo. Quando faço, aí a medida é toda", afirma, usando uma imagem que faz lembrar o ex-governador Eduardo Campos, com o linguajar das andanças pelo interior do Estado.

Uma das intervenções de maior visibilidade é a reformulação completa da orla de Boa Viagem, incluindo até mesmo uma engorda da praia, no trecho que vai da Praça de Boa Viagem em diante. Já havia um projeto pronto e aprovado, que está sendo atualizado pela equipe municipal.

Na primeira fase, mais urgente, João Campos deu ordem para que se resolva a licitação dos quiosques. A gestão espera uma definição até o dia 20 ou 25 deste mês. Caso a associação dos barraqueiros não passe a tirar do papel, a ordem do prefeito é lançar uma licitação por conta própria. "Não dá para aguardar mais, é um projeto que exige urgência máxima".

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
FALTA DE ESTRUTURA Alguns equipamentos instalados na orla foram abandonados pelos proprietários depois de vários furtos e depredações sofridos nos últimos anos - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM


Na segunda fase, no projeto propriamente dito da nova orla, a concepção geral do master plan é ter mais equipamentos esportivos, mais iluminação pública e até mais espaços de contemplação. Uma das surpresas pode ser a negociação para a coexistência de bares e restaurantes, a exemplo do que acontece nas demais cidades turísticas do Nordeste.

"Em quatro anos, o Recife terá a melhor orla do Nordeste", promete João Campos. Há aqui uma efeméride em relação à Avenida Boa Viagem. Em 2024, ano em que João Campos deve buscar a reeleição para o cargo, vão ser comemorados os 100 anos do início das obras da avenida, na gestão Sergio Loreto, em 1924.

No plano de obras para a área de mobilidade, João Campos já contratou o escritório do famoso arquiteto e ex-prefeito Jayme Lerner para os projetos executivos de três novas pontes na cidade, sem contar a retomada a todo vapor da Ponte do Monteiro, iniciada por João da Costa e que atravessou a gestão Geraldo Julio sem ficar pronta. Uma das novas pontes será erguida sobre o Rio Tejipió, beneficiando comunidade da Lagoa do Araçá e Imbiribeira.

FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Prefeito do Recife anuncia retomada das obras da ponte Monteiro-Iputunga - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
 

Nesta pisada, o jovem gestor se entusiasma com a possibilidade de, no pico da execução dos investimentos, entre 2022 e 2023, criar 50 mil empregos no Recife com o programa de novas obras.

Na área de zeladoria da cidade, o prefeito deve anunciar em breve um projeto específico para o centro do Recife. A gestão calculou que só na nova pavimentação foram R$ 70 dos R$ 100 milhões aplicados pela PCR este ano. Nesta área, muitos dos atropelos são atribuídos à Compesa. João Campos mandou realizar um levantamento no começo do ano e descobriu que, entre janeiro e abril deste ano, de 2200 buracos ativos, apenas 200 eram de obras da gestão municipal. O resto era de obras da Compesa.

A estatal inclusive tem uma responsabilidade enorme no saneamento dos habitacionais que serão entregues ao lado do novo parque do Aeroclube. Como as autoridades não podem jogar dejetos no rio, a estatal terá que rasgar avenidas no Bode para levar tubulação da estação de tratamento até a avenida Domingos Ferreira. Os habitacionais devem começar a ser entregues em abril, em parceria com a Caixa. João Campos pediu aos secretários que não haja atraso. "A Compesa vai fazer a obra. Se a Compesa não fizer, nós vamos fazer. Já mandei até licitar" disse.

Ajuste fiscal para financiar pacote de obras

Em comparação com a gestão de Paulo Câmara no Estado, o jovem gestor traçou uma estratégia ousada no plano municipal. No caso, a comparação que se faz é a seguinte: Paulo Câmara conseguiu a melhoria da capacidade de pagamento de empréstimos no 7º ano de gestão, enquanto João Campos trabalha para conseguir a capacidade de pagamento já no segundo ano, em 2022.

Com a capacidade de pagamento C, atualmente, a carteira de crédito gira em torno de R$ 100 milhões por ano. Com a capacidade de pagamento B, perseguida com austeridade deste primeiro ano, será possível atingir uma carteira de crédito de 600 milhões por ano. A expectativa é que os investimentos possam somam R$ 1,8 bilhão em três anos.

"Recife tem apenas 30% do orçamento compromenido com a dívida própria. São Paulo tem 100%", compara João Campos, nas reuniões de planejamento com o secretariado.

No melhor ano da cidade em investimentos, em 2013, com o ex-prefeito João da Costa (PT), por conta das obras da Via Mangue, os gastos foram da ordem de R$ 500 milhões.

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