EXAME/IDIEA

Em nova pesquisa, cresce a desaprovação de Jair Bolsonaro

A mais recente pesquisa Exame/Ideia indica que a desaprovação do presidente soma 53%, indicando crescimento de 5% em relação a agosto

Augusto Tenório
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Augusto Tenório
Publicado em 22/10/2021 às 11:58 | Atualizado em 22/10/2021 às 16:30
MARCOS CORREA/PR
De olho nas eleições de 2022 e com a popularidade de Bolsonaro em ligeiro declínio, a ala política peitou a econômica e cravou R$ 400 por mês no benefício - FOTO: MARCOS CORREA/PR
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Voltou a crescer o número de brasileiros que consideram ruim ou péssima a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido). A mais recente pesquisa Exame/Ideia indica que a desaprovação do presidente soma 53%, O que se traduz crescimento de 5% em relação a agosto, colocando-o novamente próximo do recorde de 57% de desaprovação, atingido em julho.

Enquanto isso, 23% avaliam a gestão do presidente como ótima ou boa e 21% a consideram regular. A pesquisa também se debruça sobre a avaliação com relação à inflação. 79% dos entrevistados encaram a situação como um grande problema no dia a dia.

Ainda neste âmbito, os itens que mais pesam no bolso das pessoas são alimentos, bebidas e combustíveis. Para a população de renda mais baixa, das classes D e E, os alimentos e as bebidas têm um peso maior, e os combustíveis, obviamente, nas classes A e B. Com a alta dos preços, 68% dos entrevistados mudaram hábitos alimentares.

Nessa quinta, Jair Bolsonaro esteve em Pernambuco e anunciou um auxílio aos caminhoneiros autônomos, que sofrem com a alta no preço do diesel e ameaçam greve.

"Estamos falando de mais de dois terços dos brasileiros comendo de alguma maneira diferente, obviamente piorando sua alimentação em razão do aumento de preços. Quem trabalha com a inflação sabe que ela é essencialmente expectativa, e 61% acham que os preços vão continuar aumentando nos próximos seis meses, ou seja, vamos continuar convivendo com um cenário bastante preocupante para o Brasil” , diz Maurício Moura, fundador do IDEIA, instituto especializado em opinião pública.

Chama atenção, também, a desesperança do brasileiro com relação à prometida recuperação econômica. 42% dos entrevistados discordam que a economia vai melhorar nos próximos seis meses. Dentre quem avalia o governo como ótimo ou bom, 55% acham que vai melhorar e quem avalia mal é justamente o contrário [66% ruim e péssimo]. É um sentimento geral de desconfiança e incerteza em relação à melhora econômica", diz Maurício Moura.

Aprovação de Bolsonaro não deve garantir reeleição

Para Maurício Moura, a desaprovação de Bolsonaro é de difícil desconversão. Quando soma-se esse fator à baixa aprovação, o fundador do IDEA considera o cenário desfavorável ao pré-candidato à reeleição.

"A aprovação de Jair Bolsonaro, apesar de bem resiliente na casa de 25%, no histórico é muito inferior aos pares dele que conseguiram a reeleição no Brasil pós-redemocratização. Bolsonaro tem duas variáveis bastante preocupantes para uma possível reeleição: forte rejeição refletida na avaliação ruim e baixa aprovação", avalia.

Polarização

Dos entrevistados, 45% atribuem ao governo federal o aumento no preço dos combustíveis e 28% atribuem aos governadores. Só que, quando cruzamos essa informação com aprovação e avaliação do presidente, é justamente o contrário. Quem aprova o governo federal acha que a culpa é dos governadores e vice-versa. A responsabilidade, do ponto de vista da opinião pública, é um tema bastante polarizado.

A pesquisa

A pesquisa EXAME/IDEIA ouviu 1.295 pessoas entre os dias 18 e 21 de outubro. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. A sondagem é um projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

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