eleições 2022

Moro busca bolsonaristas arrependidos, diz Lavareda

A criação do Auxílio Brasil e a discussão sobre como viabilizá-lo jogam água no moinho da imagem do Presidente e do Governo

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 27/11/2021 às 11:19 | Atualizado em 27/11/2021 às 12:14
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Da esquerda para a direita: Sérgio Moro, Lula, Jair Bolsonaro e Ciro Gomes - FOTO: Reprodução
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Veja abaixo a análise do sociólogo Antônio Lavareda, sobre a mais recente pesquisa nacional do Ipespe

NA CORRIDA ELEITORAL, MORO CHEGA A 11% 

O presidente perde dois pontos na espontânea (de 24% para 22%) e três pontos na Lista 1 (de 28% a 25%). Da mesma forma, os candidatos da terceira via foram arranhados na chegada do ex-juiz, que agora ultrapassa Ciro (9%) na terceira posição. Mas, por enquanto, a situação dos dois líderes continua sólida. Somados, Lula e Bolsonaro têm 54% das intenções de voto espontâneas e 67% das intenções de voto estimuladas. A distância no primeiro turno de Lula sobre Moro na Lista 1 é de 31 pontos e a do Presidente, 14 pontos.

No segundo turno, o desempenho atual de Bolsonaro contra Lula (32% X 52%) é semelhante ao de Moro (34% X 51%), o que não estimula grandes movimentos de “voto estratégico”, popularmente chamado de “voto útil”, que esvaziariam as intenções de voto do incumbente em benefício do seu ex-ministro.

De qualquer forma, está claro que no roteiro da novela eleitoral de 2022 capítulos importantes serão reservados ao enfrentamento dos dois na disputa pelos corações e mentes dos 55% de eleitores (votos válidos) que definiram a vitória quatro anos antes. Sem esquecer que essa fatia do eleitorado será acirradamente disputada, ademais, pelos outros nomes da chamada terceira via.

CRESCE O PESSIMISMO DA OPINIÃO PÚBLICA SOBRE A ECONOMIA. PARA 69% ELA SEGUE NO “CAMINHO ERRADO”, ENQUANTO QUE 22% ACREDITAM QUE ELA ESTÁ NO RUMO CERTO.

No final de outubro esses números eram, respectivamente, 67% e 24%. A pressão inflacionária sobre o orçamento doméstico que não dá trégua e os altos e resilientes índices de desemprego, cujos sinais são captados na agenda da população para os presidenciáveis, estão no epicentro dessa percepção.

SEM A CPI DA COVID, ARREFECE UM POUCO O NOTICIÁRIO NEGATIVO PARA O GOVERNO E MELHORA A AVALIAÇÃO DO SEU DESEMPENHO NA PANDEMIA.

A leitura da desfavorabilidade das notícias veiculadas na mídia on-line e off-line recuou de 59% para 53%. As favoráveis tiveram pequena oscilação positiva, de 7% para 8%. E a neutralidade das mesmas passou de 24% para 31%. Associada a isso, a avaliação positiva do desempenho do Governo Federal no combate à pandemia evoluiu de 21% para 23% e a classificação “ruim”/“péssima” cedeu de 57% para 55%. O volume das matérias negativas para o governo diminuiu naturalmente, sobretudo na mídia televisiva, sem as sessões da CPI transmitidas ao vivo com ampla repercussão.

AVALIAÇÃO GERAL E APROVAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO OSCILAM POSITIVAMENTE. O PERCENTUAL DOS QUE O CLASSIFICAM COMO “ÓTIMO/BOM” VAI DE 24% a 25%. E OS QUE O “APROVAM”, DE 30% A 31%.

Independente do movimento ser reduzido e dentro da margem de erro, é plausível supor que ele de fato ocorreu, dado o contexto mencionado no tópico anterior. A criação do Auxílio Brasil e a discussão sobre como viabilizá-lo jogam água no moinho da imagem do Presidente e do Governo. Vale notar que por enquanto a avaliação negativa continua no mesmo patamar medido no mês passado, 54% de “ruim/ péssimo”, mas a “desaprovação” diminuiu um ponto (64% para 63%).

 

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