Bastidores

Chegada de Bolsonaro ao PL cria indefinições na campanha de Raquel Lyra e Anderson Ferreira

Um dos receios da dupla Anderson Ferreira e Raquel Lyra é a alta impopularidade de Bolsonaro em Pernambuco

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 29/11/2021 às 18:33
BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Raquel Lyra e Anderson Ferreira no lançamento do Levanta Pernambuco, em outubro - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Leitura:

A oficialização da filiação do presidente Bolsonaro no PL, do mensaleiro Valdemar da Costa Neto, nesta terça-feira, dia do evangélico, não causou problemas apenas para o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL) mas também para a sua aliada tucana, a prefeita de Caruaru Raquel Lyra, reunidos em um projeto majoritário na oposição em Pernambuco, em parceria ainda com os partidos PSC e o Cidadania.

Oficialmente, a pré-campanha dos dois prefeitos continua, com eventos marcados pela dupla na sexta-feira, em Salgueiro, e sábado, em Arcoverde. Nos bastidores, aguarda-se uma definição sobre os rumos do PL em Pernambuco depois da filiação dos bolsonaristas. "Não há uma resposta no momento. O problema está no colo de Anderson, a posição que ele tomar terá relação com Raquel. Ela é a principal interessada neste desenlace, mas não pode colocar a faca no pescoço dele. Se vamos ter modificações, só o tempo vai dizer", afirma um aliado tucano, ao blog.

De acordo com fontes de bastidores, a dupla aguarda as próximas cartas dos aliados de Bolsonaro em Pernambuco. São várias as questões levantadas. "Gilson Machado vai para o PL ou fica no PTB? Clarissa Tércio (hoje no PSC) vai comandar o novo partido de Bolsonaro aqui? Se houver uma intervenção, Anderson Ferreira vai aceitar? Ele pode sair do PL e tem o PSC (comandado pelo irmão e deputado federal André Ferreira) para ficar!", avaliam aliados.

No final de outubro, reportagem do blog já informava que, de acordo com conservadores locais, não seria tão fácil uma composição com o prefeito e candidato Anderson Ferreira. Ele é evangélico e amigo do presidente, mas já estava em campanha, com uma aliança  com a prefeita Raquel Lyra e o cidadania a tira-colo.

"Só se viesse uma decisão de cima, porque o jogo já está bem adiantado por aqui, com entendimentos entre Anderson e Raquel. Ele teria que zerar o jogo. E iria fazer o que com Raquel Lyra?"

Entre os bolsonaristas radicais, Anderson Ferreira ainda era lembrado por ter dado apoio a Marília Arraes (PT) no segundo turno no Recife, contra João Campos.

"A avaliação é que, sem Gilson Machado, nenhuma candidatura teria robustez para defender o nome de Bolsonaro no Estado", afirmavam, em outubro.

No momento atual, o xadrez nacional é citado como outro possível óbice para a comunhão entre PL e PSDB em Pernambuco, com Bolsonaro embarcado.

"O Bolsonaro já disse que não quer aliança com o PSDB (de João Dória), mas o PL de São Paulo para sobreviver precisa do PSDB de São Paulo. Verdade que quem tem prazo não tem pressa, mas tudo pode acontecer", conta um aliado tucano.

O desconforto com a situação criada com a chegada de Bolsonaro é tamanha que a prefeita Raquel Lyra aceitou falar do resultado das prévias tucanas com a Rádio Jornal, nesta segunda, mas mudou completamente de assunto quando questionada sobre a filiação de Bolsonaro. "Esta cedo para falar do processo nacional", tergiversou.

PL era a melhor opção desde outubro

No final de outubro, ao blog de Jamildo, os aliados do presidente Bolsonaro confirmam, nos bastidores, que o PL, do ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, é hoje a melhor opção ou a opção mais viável para dar guarida ao projeto de reeleição do militar.

Por partes.

"A situação de Roberto Jefferson (preso pelo STF) não dá garantia ao presidente de uma candidatura robusta, não o deixa confortável".

"O PP é meio que ficar na mão. Em Pernambuco, por exemplo, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) briga com o deputado federal Sílvio Costa Filho (Republicanos) para ver quem é o senador de Lula. Como pode?"

"Neste contexto, o PL é uma situação que se resolve fácil. Apenas o diretório nacional do partido quer fechar com João Dória em São Paulo, mas uma canetada do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, pode resolver. O problema é como se desenrolam as cascatas nos Estados", aponta uma fonte do blog.

Na avaliação dos conservadores, o PTB, no Estado com Meira, seria a melhor acolhida que o presidente teria, inclusive com a chance de uma composição fácil com o ministro Gilson Machado Neto para majoritária.

Naquele outubro, a situação era tal que os correligionários falavam que o próprio presidente tem pressa, por estar sendo cobrado pelos aliados. A comparação é o PSL e Democratas, que fizeram uma fusão e terão uma janela para receber ou ceder parlamentares e candidatos nos Estados.

Comentários

Últimas notícias