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Na economia, Moro elogia em livro a iniciativa privada e defende liberalismo

Livro será lançado no Recife, no domingo 5 de dezembro, em evento no Rio Mar

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 30/11/2021 às 7:00 | Atualizado em 30/11/2021 às 10:35
EVARISTO SA/AFP
VAZAMENTO O ex-juiz Sérgio Moro foi uma das autoridades que tiveram conversas de celular hackeadas - FOTO: EVARISTO SA/AFP
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No livro Contra o Sistema da Corrupção, o ex-ministro Sérgio Moro fala pouco de política econômica, mas apresenta-se como liberal no setor.

"Em relação à economia, quero deixar bem claro que não sou um especialista na área. Ainda assim, acredito, acima de tudo, na vitalidade do setor pirvado, que deve ser o motor do crescimento econômico e multiplicador do bem estar social. Isso não significa que o Estado não tenha um papel relevante", diz.

 "O problema é que o governo se rendeu ao patrimonialismo"

Ele cita especificamente o projeto de lei da privatização da Eletrobras como exemplo, ao criticar a inclusão de vários jabutis que retardaram o processo no parlamento.

"O presidencialismo de cooptação ressurgiu e com toda a sua força. O resultado pode ser visto na lei que autorizou a privatização da estatal Eletrobras. Apesar da salutar venda da empresa, foram inserid na lei diversos dispositivos estranhos ao projeto inicial, os chamados jabutis, criando reservas de mercado, restrições à livre concorrência e, por consequência, prejuízos ao consumidor. O governo vendido ao patrimonialismo, não teve como conter a aprovação de medidas contrárias ao propósito inicial da lei, que era a abertura de mercado", pontua.

Enfrentamento à pandemia ajudou a afastar Bolsonaro de Moro

Na publicação, Moro relata que a pandemia pode ter ajudado a afastá-lo do presidente Bolsonaro.

No livro, ele relata que Bolsonaro criticou a entrevista em que Moro defendia isolamento social, como preconizava o ex-ministro da Saúde, Mandetta. Moro diz que a postura era desalentadora, mas na época não fez críticas públicas ao superior.

Ele diz que Bolsonaro só fazia vociferar contra os Estados e Municípios, tentando transferir culpa. Na obra, ele cita que o código penal, no artigo 268, prevê prisão para crimes de pandemia. Também cita o ministro do STF Gilmar Mendes, que se aproximou do presidente na época. Moro sugere que foi limado por esta postura também.

"O STF, ao contrário do que diz Bolsonaro, nunca impediu o governo Federal de combater a pandemia ou seus efeitos. O STF só proibiu o presidente de atrapalhar as ações dos Estados e municípios", escreve.

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