Vacinas

Clarissa Tércio e João Paulo batem boca sobre passaporte vacinal em audiência pública

O museu Cais do Sertão exigirá passaporte vacinal a partir desta quinta-feira (9)

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 09/12/2021 às 17:06
Gabinete/divulgação
A deputada abre a sessão com uma oração e acaba com uma citação biblica - FOTO: Gabinete/divulgação
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A fala de abertura da deputada Clarissa Tércio na audiência pública sobre a obrigatoriedade da vacina e a implantação do passaporte sanitário, realizada, na manhã de hoje, na Alepe, foi rebatida pelo deputado João Paulo.

No encontro que teve como pauta central As implicações da obrigatoriedade da vacina contra a covid-19 e da implantação do passaporte sanitário, especialistas foram ouvidos sobre a temática.

A deputada abriu o debate com uma oração e defendeu a liberdade dos cidadãos para decidir sobre tomar ou não a vacina contra a Covid-19, criticando a exigência do comprovante de vacinação para ter acesso aos órgãos públicos, no Estado e a lei complementar que obriga os servidores e empregados públicos estaduais a tomarem a vacina.

“Não podemos aceitar que o trabalhador seja coagido psicológica e fisicamente a tomar a vacina contra a sua própria vontade, ferindo o direito à dignidade da pessoa humana, previsto na Constituição Federal”, disse.

Rebatendo a fala de Clarissa Tércio, o deputado João Paulo criticou a realização da audiência pública que, segundo ele, é um tema totalmente contrário ao que toda a ciência está mostrando. Também discordou da deputada e dos especialistas que participaram do debate.

“Ainda bem que Vossa Excelência influencia pela religião e não por conta da ciência. A senhora, na condição de deputada, presta um desserviço à saúde pública. Ficarei até o final para ouvir quem são os negacionistas que estão defendendo a posição contrária”, disse.

Em resposta ao que considerou como ofensas, a parlamentar lamentou "a falta de educação do parlamentar" com os especialistas convidados.

“Ainda bem que nós não vivemos do que o Excelentíssimo acha, por isso, convidamos para esta audiência especialistas, doutores e pessoas que passaram por processos bem difíceis, para falar do que vivenciaram e entendem e não do que acham”, retrucou.

Na opinião da deputada, não resta dúvida de que a obrigatoriedade determinada pelo Governo do Estado invade a esfera de competência da União, ao legislar sobre a matéria do Trabalho, criando restrições ao livre exercício da profissão.

Prosseguindo com o debate, o primeiro especialista a falar na audiência pública foi o professor Paolo Zanotto, doutor em virologia pela Universidade de Oxford.

Ele rebateu "os ataques" do deputado João Paulo.

“O que eu acabei de ouvir aqui é o que temos ouvido constantemente, cientistas sendo desqualificados por pessoas que o que sabem sobre ciência é o que aprendeu no ensino médio”,, gabou-se.

A médica Maria Emília Gadelha, especialista em otorrinolaringologia, mostrou a situação experimental das vacinas utilizadas em todo o mundo e rebateu as afirmações sobre a capacidade de imunização oferecida por elas.

“Tem muita gente fazendo essa relação com os exemplos do capacete e do cinto de segurança, um total desconhecimento sobre o assunto, acreditando também que a redução dos casos se deu por conta das vacinas”, afirmou.

Visivelmente emocionada, a advogada Arlene Graf, mãe de Bruno Graf, relembrou o episódio que vitimou o seu filho. "Resolvemos entrar na luta por outras vidas que podem ser vitimadas por danos relacionados à vacina. Bruno morreu três dias após tomar a primeira dose da vacina contra covid-19 da AstraZeneca. A relação foi confirmada pelo boletim epidemiológico da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), vinculada à Superintendência de Vigilância em Saúde de Santa Catarina", afirmou.

Ao encerrar a audiência pública, a deputada Clarissa Tércio anunciou o acolhimento das sugestões para a divulgação de uma carta à população e o encaminhamento dos questionamentos aos órgãos competentes.

“Reafirmo meu posicionamento contra a obrigatoriedade da vacina e do passaporte sanitário, e encerro com um versículo que diz: ‘e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’”, exclamou, citando a passagem bíblica.

Também participaram da audiência pública Giovanna Lara, especialista em Biologia Molecular; o neurocirurgião José Augusto Nasser, coordenador de Pesquisa em Neurociências no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Rio de Janeiro (RJ); Hermes Rodrigues Nery, especialista em Bioética e coordenador nacional do Movimento Legislação e Vida; Nelson Pires Modesto, médico clínico; Antônio Marco Duarte de Albuquerque, médico neurocirurgião, membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia; João Padilha, advogado, líder do grupo Conservadores Floripa, em Santa Catarina; Djalma Marques, PHD em medicina e cirurgia; e Rubens Amaral, médico nefrologista, especialista em Fisiologia do exercício na saúde.

A audiência pública foi realizada de forma virtual, com transmissão ao vivo pelo canal da TV Alepe Master, no Youtube, com picos de mais de 7.070 mil pessoas assistindo simultaneamente, batendo o recorde no número de visualizações do canal.

 

Francisco Andrade
Cais do Sertão, no Recife. - Francisco Andrade
 


Cobertura

Em cumprimento ao decreto do Governo do Estado, que entrou em vigor na última segunda-feira (6), o Centro Cultural Cais do Sertão passará a exigir a apresentação do passaporte vacinal com documento com foto na bilheteria. O decreto começa a valer a partir desta quinta-feira (9). Além do esquema vacinal completo, o visitante, morador ou turista deverá, também, usar a máscara de proteção, cumprir o distanciamento social e higienizar as mãos.


“O Cais do Sertão é um dos equipamentos turísticos e culturais de maior prestígio na gestão do Turismo estadual. Para continuar a promover uma experiência inesquecível e imersiva aos territórios do museu, e seguindo todos os protocolos sanitários, garantindo a segurança do visitante e turistas, o Cais cumpre o decreto do Governo do Estado, que determina a apresentação do cartão de vacinas para acesso a prédios públicos”, salienta o secretário de Turismo e Lazer, Rodrigo Novaes.

O Cais segue aberto para visitação ainda em horário reduzido: quinta e sextas-feiras, das 10h às 16h, e sábados e domingos, das 11h às 17h. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). O equipamento cultural é gerido pelo Governo do Estado de Pernambuco, sob a tutela da Secretaria de Turismo e Lazer e da Empetur.

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