passagem pelo ministério

‘Governo queria que eu fizesse coisa errada’, diz Moro sobre Bolsonaro

Sobre Bolsonaro, Moro disse que ficou surpreso com as falas do presidente atacando Deltan Dallagnol

JAMILDO MELO
JAMILDO MELO
Publicado em 14/12/2021 às 13:07
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CANDIDATOS Presidenciável, Moro participou de filiação do ex-procurador - FOTO: Twitter @@SF_Moro
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Na Veja

Sergio Moro concedeu uma entrevista à jornalista Patrícia Calderón na Jovem Pan de Fortaleza (vai ao ar no sábado). Ele deixou claro que busca os eleitores que estão cansados da guerra entre Lula e Jair Bolsonaro.

“Busco todas as pessoas que estão cansadas da polarização. Famílias que brigam na mesa por político. Eu digo, não brigue por políticos. Por nenhum. Não quero que briguem por mim”, disse Moro.

O pré-candidato do Podemos condenou a postura de Lula e Bolsonaro que são parceiros nos ataques ao trabalho da imprensa livre. “Nosso projeto vai ser vigoroso, mas não vamos sair por aí ofendendo jornalista, as pessoas, ou querendo controlar a imprensa. Temos que olhar para o futuro. Inserir o Brasil na modernidade”, disse Moro.

Ao falar de sua saída do governo e dos projetos que deixou pela metade no Ministério da Justiça, o ministro foi direto: “Fui forçado a sair porque o governo queria que eu fizesse coisa errada”. Por “coisa errada” leia-se aparelhar a Polícia Federal para defender familiares a amigos de Bolsonaro, como o próprio presidente admitiu numa reunião no Planalto.

Moro bateu forte na corrupção petista ao defender a Lava-Jato. “Conseguimos avançar e romper com a impunidade. Pessoas poderosas passaram a ser julgadas, grandes políticos. Teve gente que confessou que roubou. Gente que devolveu dinheiro. Um gerente da Petrobras devolveu 100 milhões de dólares em propina. A Petrobras foi saqueada durante os governos do PT. Quase quebrou. Antes disso ainda teve o caso do mensalão. Suborno de parlamentares para dar apoio ao governo do PT. Um mundo de corrupção”, disse Moro. “Tenho absoluta convicção que fiz o certo na Lava-Jato. Não houve abuso”, seguiu o ex-juiz.

Sobre a derrubada da condenação de Lula no caso tríplex, disse Moro: “Foi um erro judiciário ter anulado a condenação de Lula. O Judiciário não disse que Lula é inocente. O esquema de corrupção é do tamanho de um elefante. Lula não provou que é inocente. Os escândalos de corrupção estão lá no governo dele. Ele não provou coisa nenhuma. Foi beneficiado por decisões judiciais bastante formalistas. Lula tem que explicar por que a Petrobras foi saqueada no governo dele. Quem nomeou aqueles que saquearam a Petrobras. Quem nomeou o Paulo Roberto Costa, que ficou lá dez anos, e ele não fez nada. Lula não fala porque não tem como explicar”.

Sobre Bolsonaro, Moro disse que ficou surpreso com as falas do presidente atacando Deltan Dallagnol. “Bolsonaro se elegeu defendendo a Lava-Jato e agora vem com esse discurso igual ao do Lula. No fundo, PT, Lula e Bolsonaro são a mesma coisa. Não tem muita diferença”, disse.

 

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