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Governo do Brasil já deve R$ 3 trilhões e paga juros de 12,75% ao ano. Como isso interfere na nossa vida

25 / out
Publicado por Fernando Castilho em Notícias às 16:53

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Aconteceu. Em setembro viramos a barreira de R$ 3 trilhões de Dívida Pública Federal. Foi a primeira vez na história que chegamos a isso o que, naturalmente, preocupado os analistas. Isso porque se, por exemplo, a gente dividisse essa dívida pelo tamanho de nosso PIB nos últimos 12 meses (R$ 6.017.257), a relação dessa dívida de R$ 3.046.910, bilhões em setembro, significaria que mais da metade (50.63%) de tudo que o país produziu, em 12 meses, deveria ser reservado para pagar o que devemos aos bancos e investidores.

Mas vamos com calma. O problema não dever a investidores metade de todas as riquezas que o pais vai produzir num ano. O problema é ter que pagar R$ 566,320 bilhões para rolar 18,59% dessa dívida em apenas 12 meses. Ou pagar mais R$ 498.910 bilhões para rolar mais 16,37% em até dois anos.

Esse é problema que o governo Michel Temer enfrenta todo dia. As pessoas ficam assustadas quando o debate da PEC 241, por exemplo, que prevê a fixação de um teto para as despesas púbicas. Mas não prestam a atenção no fato de que no ano que vem o Governo reservou R$ 1,8 trilhão apenas para pagar a amortização e os encargos e juros delas.

Mas isos é uma conta que o Banco Central faz todo dia. No mês de setembro, por exemplo, o governo tomou emprestado R$ 78,34 bilhões. Desses, R$ 48,68 bilhões (62,13%) em títulos com remuneração prefixada com prazo de pagamento até 2020. Mas só pagou do que vencia no mês, R$ 16,22 bilhões. Quase tudo vinculado ao dólar. Isso quer dizer que sem que consiga arrecadar mais do que tem que pagar,  o governo emite títulos e paga juros médios de 12,75% ao ano.

Segundo o relatório da Secretaria do Tesouro, a prazo médio da Dívida Pública Federal apresentou redução, passando de 4,67 anos, em agosto, para 4,59 anos, em setembro. Mas na pratica, ou seja, em relação ao que o país tem que pagar o tamanho das nossas necessidades continuam muito altas.

É o perfil da Dívida Pública Federa que preocupa. Por exemplo, 68,76% da vence num ano (R$ 389.430 bilhões) e ela é prefixada. Ou seja, a remuneração já está contratada e o sujeito sabe o que vai receber. Outra coisa: Dos R$ R$ 3.046.910, pelo menos, R$ 1.430,120 bilhões vencem e apenas três anos. É por isso que todo ano o governo tem que reservar muito dinheiro. Em 2017 serão R$ 339.076 bilhões para juros e encargos e mais R$ 1.383.191 trilhão para Amortização da Dívida.

O professor Stephen Kanitz adverte que embora seja ruim um país ter um nível de endividamento tão alto como o Brasil é preciso lembrar que uma dívida é paga ao longo de 20 a 30 anos, especialmente se for de um país. Dividir uma dívida a ser paga ao longo de 20 anos, pelo PIB de um único ano, é obviamente um erro monumental.

Ele diz que o certo seria multiplicar o PIB por 30 anos, e usar este valor na conta. Seria uma fórmula mais apropriada, adequando a dívida ao seu prazo de pagamento. Neste caso daria uma relação Dívida/PIB bem menor, aliás 97% menor.

Uma dívida que chega a “100%” do PIB, na realidade é uma dívida de somente 3,3% do PIB de 30 anos, isto se não houver crescimento.  Se o PIB crescer 3% ao ano, algo razoável, então o número cai para 1,8% do PIB médio destes 30 anos. O problema é que o Brasil vai encolher pelo menso 3%. 

Mas voltando ao principal. O problema é que no Brasil essa dívida não como nos Estados Unidos que tem uma dívida média de 30 anos. Nossa dívida é diferente. Precisa ser rolada em poucos anos. Por exemplo, apenas 24,96% (R$ 760,640 bilhões) vencem em mais de cinco anos.


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