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A conta da passagem do ônibus chegou

13 / jan
Publicado por Fernando Castilho em Notícias às 22:00

Para uma administração que não conseguiu concluir a implantação do sistema de BRT a ponto de ser necessário a mudança do veículo padrão. Que esqueceu a proposta de tarifa única na Região Metropolitana do Recife. E que não consegue uma fiscalização mais eficiente na operação da frota em operação, não deixa de ser surpreendente a nota do Governo de Pernambuco vir a público informar que “não aceita a proposta de reajuste no valor das passagens de ônibus” apresentada, nesta segunda-feira, pelo setor de transportes de passageiros da RMR que propôs aumento médio de 14%, elevaria o Anel A – o mais utilizado pelos usuários do sistema – de R$ 3,45 para R$ 3,90.

Um posicionamento tão forte já na primeira reunião? Ainda sem a conclusão de estudos técnicos por parte do Consorcio Grande Recife sobre os novos custos? E o Governo do Estado se colocando na frente da secretaria responsável?

Será porque esse ano tem eleição e, assim como Eduardo Campos, que elegeu o setor de transportes foco na primeira campanha para o Governo, o governador Paulo Câmara quer marcar uma posição que ajude a posição do candidato de seu partido? Certamente que não. Não dá para achar que o governo do Estado vai fazer carga em cima do setor só para passar a imagem para população que não tolera qualquer aumento de passagem.

Mas a nota do Governo revela uma situação bem interessante para Pernambuco: A RMR “tem uma das tarifas mais baratas entre as capitais do país” e que o Executivo estadual “não renuncia à continuidade desse quadro em 2020”. Isso tudo é muito bom, mas bem que o Governo poderia aproveitar essa oportunidade para iniciar uma conversa séria sobre o sistema e o seu modelo de remuneração. Sabendo que se for para o passageiro pagar, como vem pagando até agora, toda a conta para ter serviço de qualidade, não dá.

Claro que os empresários sempre vão forçar o maior aumento que o Conselho Metropolitano autorize. Eles sempre vão pressionar pela maior tarifa e o governo está certo em cobrar os empresários que “precisam fazer a parte deles no funcionamento do sistema”.

Mas será que a isenção do ICMS sobre o diesel é suficiente para sustentar as tarifas? E qual é mesmo a despesa com Passe Livre para estudantes e o Transporte Complementar Gratuito? E quanto vai custar mesmo a implantação da Lei do Ar-Condicionado (Lei n. 16787/2019)? São questões que precisam ser esclarecidas em definitivo. O Metrô sucateado já cobra mais caro que o ônibus e, em breve, custará R$ 4,00.

Só não dá para, de novo, sobrar para o passageiro como vem acontecendo há vários anos. E, não raro, até usado como tema de campanha eleitoral.


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