Motorista que atropelou e matou ciclista é identificado, presta depoimento e diz que fugiu por temer assalto

Publicado em 14/03/2019 às 18:49 | Atualizado em 20/05/2021 às 16:35
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Empresário do ramo de eventos disse que foi surpreendido pelos ciclistas. Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem

 

O motorista suspeito de atropelar e matar o ciclista César Filipe Gomes da Silva, de 30 anos, e ferir um segundo, Jonatan da Silva Gadelha, na madrugada do sábado 9/3, na Ponte João Paulo II, na Ilha do Leite, já foi identificado e prestou depoimento à Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (14/3). O empresário do ramo de eventos Hélio Mendonça, de 33 anos, dirigia a caminhonete Range Rover Evoque branca, de placa EVD-3889, e confirmou o atropelamento. Alegou que foi surpreendido pelos três ciclistas na via e que não parou para prestar socorro às vítimas por temer ser assaltado, já que a área tem um histórico de violência. O condutor segue em liberdade por enquanto.

O depoimento foi prestado ao delegado de Delitos de Trânsito, Paulo Jean, na sede da delegacia, na Iputinga. Acompanhado de um advogado, o empresário não quis dar entrevistas. No depoimento garantiu que não tinha bebido na noite da colisão – embora retornasse de uma festa no bar/restaurante Paris Lounge, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife – e que não costuma beber. “Ele contou que desceu o Viaduto Capitão Temudo e, no momento em que subia a Ponte João Paulo II foi que se deparou com os três ciclistas. Que viu apenas o vulto deles e, na sequência, sentiu o impacto. Mas teve medo de parar porque achou que poderia ser uma tentativa de assalto e seguiu em frente, para casa”, contou o delegado.

Devido à colisão, o veículo do empresário ficou danificado no capô, para-choque teve o para-brisas rachado – o ciclista César Felipe foi atropelado e arrastado por aproximadamente 50 metros. O veículo, inclusive, foi periciado nesta quinta-feira mesmo, na residência do suspeito, localizada no bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife. No depoimento, o empresário contou que, após fugir, pediu ao irmão para retornar ao local e ver o que tinha acontecido. Mas, ao chegar e ver ambulâncias e a polícia, desistiu de obter informações e foi embora.

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Há, entretanto, muitas divergências entre o depoimento do suspeito, as imagens captadas pelas câmeras de fiscalização eletrônica instaladas ao longo do percurso feito por ele e, principalmente, o depoimento das vítimas que sobreviveram ao atropelamento. O empresário afirmou, por exemplo, que não estava em alta velocidade. Mas as câmeras da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) mostram o contrário. As imagens de uma delas, localizada no alto de um edifício da Avenida Agamenon Magalhães e que captura o momento exato do atropelamento, deixam evidente a forma perigosa com que o condutor dirigia.

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O veículo, inclusive, está com o farol alto e ultrapassa, em velocidade, um automóvel que trafegava na segunda faixa antes da colisão. Ele bate nos ciclistas e é possível ver um vulto – no caso, César Filipe – sendo arrastado, até que o carro segue em frente e o ciclista fica jogado ao chão. As imagens, no entanto, foram captadas de um ponto muito alto, não sendo possível ver detalhes do atropelamento. Entre esses detalhes, a confirmação do modelo do veículo, que segundo Jonatan Gadelha – um dos dois ciclistas que sobreviveram – é uma caminhonete Range Rover Evoque branca.

 

César Filipe morreu após ser arrastado por 50 metros

 

O veículo foi confirmado e o suspeito identificado por ter sido flagrado por várias câmeras existentes antes do local do atropelamento. Segundo a polícia, a Range Rover Evoque branca passou acima da velocidade na lombada eletrônica instalada na Avenida Boa Viagem, na altura do 3º Jardim de Boa Viagem. Não foi multada porque entre as 22h e às 6h todos os equipamentos de fiscalização eletrônica do Recife registram as infrações, mas não multam. O desligamento acontece há mais de dez anos e foi provocado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), sob alegação de que estava garantindo a segurança pública.

“A afirmação de que não estava em velocidade, por exemplo, não condiz com as imagens da câmera que captou o atropelamento. Por isso ainda vamos investigar muita coisa, inclusive se houve ou não o consumo de bebida alcoólica. Ainda é cedo para tirar qualquer conclusão”, afirmou o delegado Paulo Jean. A Range Rover Evoque, no entanto, não tem multas no registro oficial do Detran-PE e está em dia com o licenciamento 2019. Por enquanto, não se sabe qual o tipo de indiciamento que será feito sobre o caso.  Se será enquadrado como homicídio doloso (com intenção).

Jonatan teve ferimentos na mão e foi quem denunciou o modelo e a cor do veículo que provocou o atropelamento

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