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Julgamento de morte de promotor terá megaoperação da Polícia Federal

17 / out
Publicado por Raphael Guerra às 10:40

Homicídio do promotor de Justiça teria sido motivado por disputa de terras, segundo a Polícia Federal. Foto: Arquivo Pessoal
Homicídio do promotor de Justiça teria sido motivado por disputa de terras, segundo a Polícia Federal. Foto: Arquivo Pessoal

Previsto para a próxima segunda-feira (24), o júri popular dos quatro acusados de planejar e assassinar o promotor de Justiça Thiago Faria Soares, 36 anos, demandará uma megaoperação da Polícia Federal em Pernambuco. A Justiça Federal acatou pedido da ex-noiva do promotor, Mysheva Freire Martins, que solicitou a escolta policial para participar do júri.

Viaturas federais serão deslocadas da capital pernambucana para o município de Itaíba, no Agreste do Estado, para acompanhar a ida da viúva ao Tribunal de Júri. O mesmo acontecerá na volta para a residência dela. Nos dias de julgamento, também haverá escolta para ela e para outras testemunhas do caso. O número de policiais federais envolvidos ainda não foi divulgado.

Na solicitação encaminhada à Justiça Federal, a defesa da advogada alegou que “no trajeto de sua residência, situada em Itaíba/PE, até esta cidade, corre sérios riscos de vida, pois atribui aos acusados, supostos algozes do promotor de Justiça também vítima destes autos, alto grau de periculosidade e astúcia”. O Ministério Público Federal concordou com a escolta de Mysheva.

Na decisão, a Justiça Federal argumentou que ” considero por bem deferir a medida requerida, uma vez que o itinerário a ser percorrido pela vítima, de sua residência em Itaíba/PE para esta cidade, bem como o horário de deslocamento para participar da sessão de julgamento do Tribunal do Júri, é de fácil conhecimento, tornando-a presa fácil para uma eventual investida”.

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Detalhes do julgamento

Após quase três anos do assassinato do promotor de Justiça, o  Tribunal Regional Federal da 5ª Região definiu a data do julgamento. A partir da próxima segunda-feira sentarão no banco dos réus  José Maria Pedro Rosendo Barbosa, conhecido como Zé Maria de Mané Pedo, considerado o mentor do crime, e os supostos executores, José Maria Domingos Cavalcante, Adeildo Ferreira dos Santos e José Marisvaldo Vitor da Silva. Além do homicídio do promotor de Itaíba, os acusados responderão pelas tentativas de homicídio contra a noiva dele, Mysheva Freire Ferrão Martins, e o tio dela, Adautivo Elias Martins.  O Júri será presidido pela juíza federal Amanda Torres de Lucena Diniz Araújo, titular da 4ª Vara.

O crime, de repercussão nacional, aconteceu em 14 de outubro de 2013, no Km 19 da Rodovia PE-300, no município de Águas Belas,. O promotor seguia com a noiva e o tio dela para Itaíba quando teve o carro interceptado. Os acusados desceram e dispararam vários tiros, que atingiram apenas Tiago.

A motivação teria sido desavenças do suposto autor intelectual José Maria Rosendo e o casal de noivos, que disputavam, na Justiça Estadual, o direito de propriedade da Fazenda Nova, localizada em Águas Belas.

Segundo a acusação do Ministério Público Federal (MPF), formulada na denúncia, no dia do crime os réus mataram dolosamente Thiago Faria e tentaram matar as vítimas Mysheva Freire Ferrão Martins e Adautivo Elias Martins, por motivo torpe e mediante recurso que tornou impossível ou dificultou a defesa das vítimas.

Federalização

A investigação sobre a morte de Thiago Faria foi marcada por uma crise institucional entre a Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Enquanto a polícia seguia a linha de que o crime foi motivado por disputa de terras, promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) consideravam que o homicídio poderia ter relação com vingança ou ciúmes. A queda de braço resultou na federalização do caso.

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