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‘A polícia não se empenha em investigar os homicídios de negros’, diz MPPE

30 / jan
Publicado por Raphael Guerra às 7:00

De cada 100 homicídios registrados no Estado, 95 são de negros ou pardos. Foto: Diego Nigro/JC Imagem

A pesquisa que revela que 95% dos homicídios registrados em Pernambuco têm como vítimas negros e pardos não é surpresa para especialistas da área. Consultados pelo Ronda JC, os profissionais destacaram que os números divulgados pela  Secretaria de Defesa Social (SDS) reforçam a necessidade de se discutir o que chamam de “extermínio da juventude negra”.

“Esse resultado demonstra uma ausência de políticas públicas, como acesso à educação, saúde e emprego para os jovens que são as principais vítimas da violência. A SDS já foi questionada sobre esses números e o que um ex-secretário disse foi: ‘mais negros morrem, porque eles são a maioria da população’. Mas esse argumento é falacioso. Se fosse assim, porque então o percentual de negros nas universidades ou no mercado de trabalho não é maior?”, disse a coordenadora do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), Edna Jatobá.

Na visão do Ministério Público de Pernambuco, os assassinatos dessa parcela da população representam a omissão das instituições em relação aos negros. “Existe, inclusive, uma má vontade do Estado de fazer esse recorte nas estatísticas. E, quando as vítimas são negras, a polícia não se empenha em fazer investigação e não identifica os autores dos crimes, porque a vida daquelas pessoas não tem muito valor. É por isso que muitas vezes classificamos como genocídio, porque há uma indiferença das instituições. A realidade é que não há políticas para desconstruir ou minimizar isso”, afirmou a procuradora de Justiça Maria Bernadete Figueiroa, que coordena um grupo de trabalho no MPPE sobre racismo.

O estudo da SDS, obtido por meio da lei de acesso à informação, apontou também que quase 10% das vítimas de homicídios em Pernambuco, em 2017, tinham idades inferiores a 18 anos. No total, 509 casos registrados oficialmente. Em sua maioria, as vítimas são adolescentes de baixa renda, que vivem em situação de vulnerabilidade e que acabam sendo presas fáceis para traficantes de drogas. “É uma parcela da população que deveria ser priorizada, mas não existem estratégias do Governo do Estado para protegê-la”, pontuou Edna Jatobá.

O Estado fechou 2017 como o ano mais violento desde a criação do Pacto pela Vida. Segundo a SDS, investimentos na contratação de profissionais de segurança, além de operações de repressão qualificada, vão trazer reduzir os números recordes da violência. Na próxima sexta-feira, cerca de 1,2 mil policiais civis e peritos serão empossados.

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