08
ago

Força-tarefa analisa processos do promotor Marcellus Ugiette

08 / ago
Publicado por Raphael Guerra às 6:30

O promotor Marcellus Ugiette foi afastado das funções, suspeito de corrupção passiva. Foto: JC Imagem/Arquivo

Um dia após o afastamento do promotor de Execuções Penais Marcellus Ugiette, investigado pela suspeita de praticar corrupção passiva, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) designou uma força-tarefa para analisar os processos criminais que estavam sob a responsabilidade dele. O Ronda JC teve acesso em primeira mão à portaria que determinou o reforço. Seis promotores de Justiça vão compor, a partir de hoje, o grupo de trabalho que terá a responsabilidade de avaliar possíveis irregularidades e também de agilizar o andamento dos processos da 19ª e da 54ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, ambas com atuação na Vara de Execuções Penais.

O Grupo de Atuação Criminal Especial (Gace), como a força-tarefa é chamada, vai atuar até o dia 31 de agosto, segundo a portaria. O resultado do trabalho poderá também contribuir para a investigação administrativa que está sendo conduzida pela Corregedoria do Ministério Público e que pode resultar em punições ao promotor, caso as denúncias sejam comprovadas. A suspeita é de que ele favorecia advogados de detentos para transferência dos clientes entre presídios, de forma que membros de uma mesma quadrilha ficassem juntos. Em troca, Ugiette é suspeito de ter recebido dinheiro e até presentes.

A Procuradoria Geral de Justiça também publicou ontem edital para que promotores da capital possam se candidatar à vaga de titular das duas promotorias que estavam sob a responsabilidade de Ugiette. O edital prevê um prazo de até três dias para que os interessados encaminhem seus requerimentos de habilitação por e-mail. A escolha deve ocorrer já na próxima semana.

O procurador geral de Justiça, Francisco Dirceu Barros, autor da portaria, destacou que os candidatos escolhidos vão acumular as promotorias e permanecerão nelas até o retorno do titular. O prazo de afastamento do promotor, previsto pela Corregedoria do Ministério Público, é de 60 dias, mas pode ser prorrogado até que as investigações sejam concluídas.

A Polícia Civil diz ter chegado até o nome de Marcellus Ugiette por meio de escutas telefônicas. Segundo as investigações, os detentos se referiam ao promotor pelo codinome de “Anjo”. Com o avançar do caso, um dos suspeitos se referiu ao promotor pelo nome verdadeiro. Como tem foro privilegiado, o promotor passou a ser investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPE. O procurador Ricardo Lapenda, que acompanha as investigações, afirmou que as provas são graves. O promotor deve ser ouvido ainda nesta semana pelo MPPE. O depoimento estava marcado para a última segunda-feira, mas ele alegou que estava abalado psicologicamente para comparecer à ouvida.

DEFESA

Em nota à imprensa, o promotor negou as acusações de que teria praticado corrupção passiva. Também disse se colocar à disposição da Justiça para uma possível quebra do sigilo bancário e fiscal.
“Tenho o maior apreço pela instituição do MP onde atuo desde 1987 sempre dos padrões de ética, respeito aos direitos humanos, e a legalidade que sempre permeou a vida pública.Tenho certeza ainda que o MP saberá conduzir as investigações com a maior transparência possível e nada tenho a temer, muito pelo contrário.Estou certo que ao final de tudo serei inocentado dessas graves acusações que, desde agora, repilo de forma veemente pois como promotor público não posso deixar de acreditar na justiça”, afirmou Ugiette.

Na sexta-feira passada, a residência e o gabinete do promotor foram alvos de mandado de busca e apreensão. Celulares, pen drives, computador, entre outros objetos, foram apreendidos e encaminhados para perícia. Nesse mesmo dia, a polícia desarticulou uma quadrilha suspeita de crimes como estelionato, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capital, advocacia administrativa e furto qualificado. Dois advogados e um ex-PM também foram presos. Segundo a polícia, integrantes desse grupo já cumpriam pena e teriam sido eles os beneficiados pelos pareceres dados por Marcellus.

Em coletiva, na manhã dessa terça-feira (07), sobre o combate ao comércio ilegal de fios de cobre, o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, foi questionado se sabia detalhes da investigação, mas ele não quis responder. “O caso está em segredo de Justiça, por isso não vou falar nada”, disse.

LEIA TAMBÉM

Quatro policiais, pilotos de helicóptero da SDS, são investigados

TJPE: processos atrasam porque presos não são levados para audiências

69% dos homicídios registrados em Pernambuco em 2017 não foram esclarecidos


Veja também