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PM investigado por subtrair fuzil encontrado no assalto à Brinks, no Recife

25 / jun
Publicado por Raphael Guerra às 7:00

Após a explosão e roubo milionário à sede da Brinks, muitas armas e munições foram apreendidas. Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Por determinação da Justiça, a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) vai abrir uma investigação para apurar a conduta de um major da Polícia Militar que participou da operação para prender os criminosos que explodiram e roubaram a sede da Brinks Segurança e Transporte de Valores, na Zona Oeste do Recife, em fevereiro de 2017. Depoimentos de policiais militares, que só agora vieram à tona, relataram que um fuzil usado pela quadrilha foi apreendido na cena do crime, mas, ao invés de ser isolado e encaminhado para perícia, a arma foi levada pelo major sem autorização.

Os depoimentos com a denúncia constam na sentença do juiz Ivan Alves de Barros, da 8ª Vara Criminal da Capital, que condenou na última quinta-feira cinco criminosos acusados de participação no roubo milionário.

O Ronda JC teve acesso ao que disse os policiais que participaram da operação. Segundo eles, o fuzil AK-47 e muitas munições foram encontrados em dois veículos na Avenida Recife, após o crime. O delegado teria pedido para que o cenário fosse isolado até a chegada do Instituto de Criminalística. Depois, o major chegou e pediu para olhar o fuzil. O delegado não estava mais no local, porém os policiais informaram sobre a proibição. Mesmo assim, um oficial da PM mandou que os policiais mostrassem a arma ao major.

“O major segurou o fuzil e disse: ‘uma arma dessa, eu vou levar para mim'”, relatou o PM ouvido pela Justiça. “O major pegou todo o material e levou. Só no outro dia ele devolveu a arma. Ele disse que tinha pego para ir atrás dos bandidos, mas é mentira porque os bandidos fugiram às quatro da manhã e o major levou a arma depois das oito horas.”

O depoimento revelou outra grave denúncia: “o material que foi apresentado à imprensa não foi nem um terço do material que o major levou”.

No pedido de investigação, o juiz Ivan Alves de Barros determinou que os depoimentos dos policiais também sejam encaminhados ao promotor de Justiça Militar para que ele acompanhe a investigação da Corregedoria da SDS. A assessoria da SDS informou que, até o momento, não foi notificada da decisão judicial.

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