02
out

MPPE pede à Justiça que delegado não seja substituído em Arcoverde

02 / out
Publicado por Raphael Guerra às 19:15

Delegado Israel Rubis foi removido compulsoriamente de Arcoverde. Foto: Arquivo Pessoal

A polêmica envolvendo o delegado Israel Lima Braga Rubis, que foi removido compulsoriamente da Delegacia de Arcoverde, no Sertão, para o município de Vitória de Santo Antão, foi parar nas mãos da Justiça. Nesta quarta-feira (02), o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) ingressou com pedido de tutela antecipada contra o Estado, pleiteando uma decisão liminar para suspender a remoção da autoridade policial.

O pedido do MPPE atende ao clamor dos moradores de Arcoverde, que há pelo menos uma semana protestam contra a mudança de delegado. Eles denunciam que a decisão da Secretaria de Defesa Social (SDS) tem caráter político, porque Israel Rubis teria prendido o filho de uma vereadora ligada ao PSB, durante uma operação em dezembro do ano passado, e também porque ele estava investigando um esquema de desvio de verbas públicas envolvendo sete vereadores da cidade. Esse inquérito, ainda em andamento, foi revelado nessa terça-feira (01) pelo Ronda JC.

“A própria população tem manifestado o interesse na permanência da referida autoridade policial porque sente, de fato, a melhora na segurança pública em Arcoverde e região”, afirmou o promotor de Justiça, Bruno Miquelão.

Além do pedido de tutela antecipada, o promotor instaurou uma investigação para apurar os motivos que levaram à troca de delegados. Ele determinou envio de ofício à SDS requisitando informações num prazo de até dez dias. Entre as perguntas, o promotor quer saber qual o interesse público na remoção do delegado, e se a mudança de município foi voluntária ou não.

Em entrevista ao Ronda JC, na segunda-feira, Israel Rubis afirmou que foi surpreendido pela transferência. “Não me foi dada a oportunidade de escolha. Fui apenas comunicado pela Chefia da Polícia Civil. A população entendeu como uma remoção política, em virtude de estarem sendo realizadas investigações contra vereadores, e resolveu se mobilizar contra tal ato”, disse.

RESPOSTA

Em nota enviada na segunda-feira, a Polícia Civil afirmou que “transferências de profissionais são corriqueiras e naturais dentro não apenas na Polícia Civil, mas em qualquer órgão público. Os servidores públicos devem ir ao encontro da necessidade da população e também atuar de forma integrada dentro plano estratégico de segurança que traga resultados na redução da criminalidade. Insinuar que a transferência técnica tem motivação política é desconhecer completamente as razões reais ou tentar manipular os fatos para tirar alguma vantagem com esse processo de desinformação da população. Como todas as falsas narrativas, não se sustentarão”, informou.


Veja também