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‘Hollywood’: Conflito entre arte e indústria move peça da CiaTeatro Epigenia

09 / jan
Publicado por Márcio Bastos às 10:53

Karen, personagem interpretada por Luciana Fávero, tenta quebrar lógica cínica da indústria cinematográfica. Foto: Divulgação

O debate entre arte e entretenimento é a base de Hollywood, espetáculo da CiaTeatro Epigenia com apresentações dia 9, às 20h, e 10, às 20h30, no Teatro de Santa Isabel. A montagem integra a programação do 25º Janeiro de Grandes Espetáculos.

Última parte da trilogia do grupo inspirada nas obras do dramaturgo americano David Mamet – as anteriores foram Oleanna e Race –, a peça acompanha dois executivos (Iuri Saraiva e Rubens Caribé) com a missão de produzir um filme com potencial de se tornar um arrasa-quarteirão.

No entanto, Karen (Luciana Fávero), secretária temporária de um deles, apresenta um livro de temática séria, cuja adaptação poderia resultar em um ótimo filme de arte. É posto, então, o dilema entre seguir em frente com a ideia original, que renderia lucro exorbitante, ou apostar em um projeto com algo a dizer.

Para Gustavo Paso, diretor e responsável pela tradução da dramaturgia junto a Flavio Marinho, esta peça, assim como as outras do coletivo, foi feita de forma independente. A escolha pela obra de Mamet, autor indicado ao Oscar, Tony e vencedor do Pulitzer, se deu em grande parte à urgência dos textos.

“Em Oleanna, ele aborda a questão da incomunicabilidade, do assédio sexual; em Race, a problemática racial. Já em Hollywood, volta a tocar na questão do assédio e também do abuso de poder, um tema tão atual, como vimos em casos como o de Kevin Spacey, além da discussão sobre o que é arte e o que é entretenimento e qual o valor de cada um”, reflete.

Luciana Fávero reforça ainda que chamaram sua atenção a agilidade nos diálogos e a forma ácida como a dramaturgia aborda a problemática. “É uma comédia com muitas alfinetadas. Os personagens falam muito, quase não há respiração”, conta.

Originalmente, Karen foi interpretada por Madonna na Broadway, em 1986, quando a peça estreou. Para Gustavo Paso, ela é a primeira personagem feminina de Mamet a ter fala – não no sentido de diálogo, mas de possuir voz ativa na ação.

Para o diretor, a montagem toca em assuntos desconfortáveis, mas necessários. “As pessoas estão confundindo o que o artista apresenta no palco com a opinião dele. Muita gente está esquecendo que quando você entra num ambiente que tem a obra de arte você está dentro de uma sala propícia para o evento teatral. Isso não quer dizer que o artista pense aquilo, ele está só lançando uma luz”, enfatiza.

Além de Hollywood, o grupo se apresenta sábado e domingo na Caixa Cultural com o infantil Casa Caramujo. Ainda neste mês, entrarão em processo para nova montagem baseada na obra de Arthur Miller.

SERVIÇO

Hollywood, da CiaTeatro Epigenia
Quando: dia 9, às 20h30, e 10 de janeiro, às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia)
Informações: 3355-3323


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