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‘Cicatriz’ leva ao palco experiências LGBT e luta contra o preconceito

09 / fev
Publicado por Márcio Bastos às 8:05

Elenco é composto por membros da comunidade LGBT, que imprimiram na dramaturgia suas experiências. Foto: Toni Rodrigues/Divulgação

No Brasil, a violência contra as pessoas LGBT tem números trágicos. É o país que mais mata membros da comunidade no mundo, além de expor os indivíduos a agressões físicas e psicológicas. Como um grito contra a opressão, artistas pernambucanos desenvolveram o espetáculo Cicatriz, que busca sensibilizar o público em relação ao tema. A peça estreia sábado (9), às 20h, no Teatro Barreto Júnior, com outra sessão amanhã, às 19h.

Levantamento da ONG Grupo Gay da Bahia (GGB) mostrou que, em 2018, uma pessoa LGBT foi morta a cada 20 horas no Brasil. Nesse contexto de vulnerabilidade social, para os membros da comunidade, existir é também resistir. Segundo o diretor Antônio Rodrigues, da Cênicas Cia de Repertório, essa realidade inspirou ele e jovens artistas a levarem para a cena suas próprias experiências, além de histórias colhidas em pesquisas.

“2018 foi um ano que evidenciou como as questões envolvendo a comunidade LGBT se tornaram mais urgentes. Os ataques à promoção de direitos e à proteção dos indivíduos da comunidade se tornaram mais virulentos, permeando as campanhas. Para nós, enquanto artistas, se mostrou indispensável combater esse preconceito, sensibilizar através da arte”, explica.

Cicatriz fala sobre os traumas e dores que lésbicas, gays, bissexuais e transexuais enfrentam e suas marcas indeléveis. São histórias que saem do particular para atingir o universal, através de experiências compartilhadas de falta de aceitação, violência e luta por visibilidade.

HISTÓRIAS REAIS

Além de suas memórias, os artistas também mergulharam livremente na obra de Caio Fernando Abreu para desenvolver a dramaturgia, que foi construída durante o processo de ensaios.

“Nosso objetivo com esse trabalho é estimular que todos sejam enxergados sem distinção; que o olhar para a vida do outro seja algo pelo que, no futuro, a gente não precise mais lutar, para que a sociedade nos respeite. É um espaço de empoderamento da comunidade”, reflete o diretor

Em cena estão Barbara Brendel, Fábio Queiroz, Flávio Moraes, Igor Cavalcanti Moura, Jandson Miranda, Milton Raulino, Nilo Pedrosa, Ricardo Andrade, Rodrigo Porto, Sophia William e Waggner Lima.

Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) e estarão à venda duas horas antes da aprese


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